terça-feira, 29 de dezembro de 2015

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

QUE EU...

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Que eu fosse limitada, melhor palavra, burra. Que eu me calasse, apenas ouvisse, jamais contestasse. Que eu sentisse pudores de meus erros, vergonha por não saber... Que eu deixasse as ofensas debaixo das toalhas das mesas e me cegasse para o prazer da carne. Que eu fosse submissa, jamais debochada, nunca tão clara e vidente. Que eu me comportasse diante dos machos e das convenções. Que eu soubesse fechar bem os botões e dobrasse as pernas e dobrasse a língua... Que eu fosse outra. Que eu vestisse a roupa a mim ofertada... Porém, fui e fiz do jeito que eu quis. Não nasci para ser enfeite. 

Não sou galho de flor seco que adorna aparadores.


Por Suzana Guimarães




(Nota: originalmente publicado em 25 de julho de 2013, no Facebook e em 

http://omedodesuzana.blogspot.com/2013/07/que-eu.html)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015



Então, Deus falou:


_ Eu lhe darei vida e morte. Contarei no relógio de vocês. Em doze meses, você, Suzana, você viverá como se tivesse sido o triplo de doze. Você ficará nua, irá se banhar em muitas águas, caminhará até para trás, mas, no final desse tempo que lhe dou, você largará toda a bagagem porque muito do que se leva é somente falsa impressão, contudo, pesada. Eu a quero, Suzana, sem malas, malinhas, maletas. 

Eu a quero verdadeiramente leve atravessando o tempo e assim será.

(arquivo pessoal de SCG)

domingo, 20 de dezembro de 2015

Só os fortes têm coragem de desistir #2.



(arquivo pessoal de SCG)


Você desiste quando não há mais respostas; internas. No fervor tudo se transforma, água para vapor, basta único filete de lava, uma coisa qualquer e você continua ou permanece. 

Só os fortes desistem porque somente esses conseguem conter a fúria, o desejo, a volúpia e isso dura anos que, num piscar de olhos, parece ontem. Importa nada qualquer pergunta porque todas as respostas se foram.

Você olha o mundo com os olhos parados, nem as órbitas se movem. Tudo é sossego e calmaria. Frieza. Daí você não quer mais e isso nem machuca. 

Foi assim quando eu desisti. Todas as vezes. Ninguém irá lhe socorrer porque isso é interno e opaco. 

É um raspão no vento. Um lance só; coisa de único movimento.

Ninguém vê, nem você, mas você sabe.

E caminhará com essa descoberta de morte. Tudo então será só recordação de um tempo em que você era outro. Agora você é novo. Se houver perguntas serão outras. 


Por Suzana Guimarães

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

SOBRE LIBERDADE e cérebros que saem do lugar.


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Quem é mais feliz, o libertador ou o libertado?

Audácia minha tentar uma crônica sobre isso, ainda mais por ser a felicidade algo puramente pessoal, íntimo e mutável (sou feliz hoje e amanhã posso acreditar justamente no contrário, estando na mesma situação).

Quem é o mais realizado, então, já que posso usar outra palavra?

Quem abre a porta e diz, "Pode ir", quem bate as cartas na mesa e diz, "A verdade é que estou blefando!"? Quem é o mais pleno, o que ultrapassa a soleira da porta e ganha a liberdade ou o dono da chave? Seriam os colegas na mesa de jogo? Ou o mentiroso?

Eu não sei a resposta. Eu não sei mais muitas coisas porque venho perdendo-as pelo caminho - aquilo tudo que eu carregava -, como se meu cérebro tivesse saído do lugar. 

A minha mãe, ao telefone, disse-me isto: "Com a experiência, parece que não temos mais espaço para certas pessoas e suas idiossincrasias e por isso as deixamos, simplesmente porque nosso cérebro saiu do lugar e passou a funcionar de forma diferente. E essa "saída do lugar" é irreversível.".

Meu cérebro moveu-se. Ele não pensa mais como antes, da mesma forma que o universo desalinhou-se quando aconteceram as duas bombas atômicas. O movimento foi quase imperceptível, mas ocorreu, assim comigo. Não sei precisar data. Às vezes, penso que foi após a morte do meu pai e ele me deixar a herança de que se deve desejar viver até a pele trincar no osso, mesmo não tendo mais apetite, mesmo todo machucado, mesmo nem sabendo mais o seu nome. Viver! Isso eu lia em seus olhos o tempo todo. 

Por causa dessa mudança na posição do meu cérebro, eu poderia inclusive refazer toda a minha documentação e trocar de nome.

Você que me lê, poderia ajudar-me? Quem fica mais completo, quem ganha mais? Ou seriam os dois, cada um do seu jeito? Mas se falo em duas pessoas ou mais nunca terei igualdade de resultado. Cinquenta para um, cinquenta para o outro. Aquela coisa do "ficamos empatados"! Gente é matéria humana, não exata.

Se me apertarem um pouco, eu poderia dizer que quem ganha é o libertado porque o libertador tinha tudo, mãos cheias; o outro, não.

Mas há libertados que se dizem reféns, e, mais tarde, percebemos que a situação verdadeira era inversa, e que, ao se desfazer o laço, quem tinha as mãos cheias era o libertado, mas essas eram preguiçosas.

Acredito que, quem mais ganha é aquele que ganha, com a liberdade, a verdade; ou, quem ganha, com a verdade, a liberdade.

A frase acima parece dizer a mesma coisa, mas não diz. Só não vou explicar porque, como eu disse, meu cérebro saiu do lugar e ele cansou de desenhar para os outros entenderem.


Por Suzana Guimarães

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ANO QUE VEM



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Espera a hora certa para todas as coisas, não! Não existe o melhor momento, a melhor festa, o dia perfeito e adequado. Amanhã, com certeza, estaremos todos mortos!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Os ventos sopram para onde bem querem...

(desconheço autoria da imagem)



Os ventos sopram para onde bem querem. A palmeira à minha frente é tão alheia... Esguia, balança-se superior... imagino seu tombo, penso em ventos fortes, da janela do meu carro tenho todo o tempo do mundo, todas as maldades e vontades de destruição... Mas a palmeira, apesar da sombra que dá, apesar da beleza que proporciona, inclusive alimento e abrigo para esquilos e pássaros, é partícula ínfima do todo e não sairá nem um centímetro do seu lugar e ela ainda ri das minhas tolices e grita junto com as maritacas, "Louca, louca, louca...".

Os ventos sopram para onde bem querem e essa palmeira, especialmente essa, que observo num sentimento de admiração e de aprendiz diz-me que os felizes nem sabem de ventos com suas rosas...

Pouco importa, norte ou sul, o mundo é um só multiplicado por ele mesmo.


(suzana guimarães)

sábado, 12 de dezembro de 2015

Não adianta jogar comigo. Eu não sei jogar.



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


(por SCG)


Eu não escrevo com extrema perfeição, contudo, bem melhor que muitos dos meus pares. Gostaria de fazer duas considerações:

1. Quando eu peço, comento ou recomendo uma escrita mais correta, não estou pedindo isso para mim, mas para o mundo. Entendo tudo, por mais errado, truncado ou incluso. Entendo até demais.

2. Comentam que minhas crônicas são escritas no Imperativo. Não são! Escrevo no Presente do Indicativo. O fato é: o brasileiro conversa o tempo todo no Imperativo, pensando estar sendo mais cordial e doce. Ele troca um pelo outro. Para ele, os verbos no Presente do Indicativo são mandatórios. O problema é: verbos na língua portuguesa são difíceis e a grande maioria também não quer aprender.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

SOBRE 2015


(por SCG)

2015 foi um ano bem pouco meu. Fatos importantes e sérios relacionados às pessoas que amo calaram-me bastante e eu pouco ri. Essa falta de riso chegou a incomodar-me. Mês após mês, desde janeiro, eu lutei para manter uma certa fleuma e consegui. Comprei em Belo Horizonte, no meio do ano, um ímã da Mafalda com a palavra "Concentração" escrita bem grande, comprei para deixar na porta da geladeira e diariamente firmar nisso, na capacidade que temos e podemos de controlar o externo e nós. Não controlar com absoluto afinco, mas pelo menos, com certa elegância. Então, eu saía pelas ruas "no salto". Nas duas vezes em que bateram na traseira do meu carro, eu saí do carro de forma calma, mas sempre houve, em todas as ocasiões a postura planejada, contida, sabe quando o corpo fica todo elegante para entrar em um ambiente requintado, em uma festa? Parece até que eu respirava menos. Parecia estar de cinta. Parecia que eu me sentava feito bonecas arrumadas na prateleira: pernas bem juntinhas. Minha fisionomia era o tempo todo de poucos amigos, ou melhor, de amigo nenhum. O que me faz sorrir hoje é que eu venci a tudo. Eu venci porque eu soube lidar, só isso. Nem tudo ficou como deveria ter ficado. Nem tudo se transformou em flores eternas, postas num vaso de porcelana das mais finas. Tudo continuou da forma que a vida é: flores morrendo, apodrecendo, secando e outras tantas nascendo. Apreciei muito todas as que caíram inertes no chão porque adoro a realidade das coisas e das pessoas. Apreciei mais ainda as flores que eu mesma ressuscitei. É, com certa ajuda dos astros, do universo, sei lá do quê - coisa chata isso de ter que ficar denominando tudo! -, a gente pode realizar milagres já que milagre é tudo aquilo que a gente pensa ser impossível e acontece.

Não farei lista para o ano que vem. Mergulho nele como se mergulha a caneta em uma folha de papel das mais alvas e deixa a tinta fluir...


Suzana Guimarães.



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães - fevereiro de 2015)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Só os fortes têm coragem de desistir.


(arquivo pessoal de SCG)

Segundo o dicionário, desistir significa: “Renunciar; não prosseguir em um intento, abrir mão voluntariamente de (algo); abster-se, abdicar e também deixar de estar ligado a (alguém).”

A primeira vez em que renunciei conscientemente foi quando eu tinha menos de vinte anos e renunciei a um namoro que agradava a todos, menos a mim. Lembro-me bem da cara de espanto da minha família (ele fez questão de contar antes) e da minha estranha sensação de inadequada e errada. Ninguém me obrigou àquele namoro. Na realidade, foi tudo planejado porque eu queria estar igual a todos os meus amigos, isto é, namorando, e só.

Fui olhada como a um animal raro, excêntrico e mau. 

Meses depois, meu pai, que nunca havia se pronunciado sobre, enquanto todos almoçavam, disse, “Parabéns por ter terminado aquele namoro. Aquele sujeito é muito burro”.

Poucas vezes, eu renunciei. Não é fácil renunciar e isso significa abrir mão de algo ou alguém importante para você.

Até escrever sobre é difícil, pois tenho que renunciar ao desejo de agradar.

Eu já renunciei à profissão sonhada, ao meu país... Renunciar ao país significa deixar para trás, sem ânimo de retorno, a língua, a comida, a família, os amigos, alguns costumes, os títulos, os anos de caminhada – o conhecer; significa cortar as relações sociais e profissionais (nenhuma rede social consegue suprir isso; nem mesmo a antiga e velha carta). 

Renunciar à profissão pode ser faca cortando para sempre, devagar, serra cega. 

Desde sempre, eu ouvi dizer que só os fracos desistem; que quem é forte teima e consegue e ganha a taça da vitória. Aos fracos ficam as desistências...

Pois eu, sem pestanejar, digo que estou renunciando. Serei maldosa e não direi ao quê renuncio. Direi apenas o que sinto: já não me importam a flor singela que nasce entre as frestas do concreto, nem o vento que traz notícias; não me importam mais todos os sinais. Eu não me atrevo mais, pego o que incomoda e sufoco até a morte, e escondo qualquer sinal disso ter feito. Parecerei alheia, sublime, altiva e esperançosa. Parecerei. Com o passar do tempo, acostuma-se.

Renunciar é encarar o rosto do outro balançando-se negativamente. É se sentir um perdedor, é ser o perdedor! Renunciar porque escolheu outro caminho não é renúncia. Renunciar – aquele que faz doer - , para mim, é dispensar, descartar, desistir para sempre. Se é desistência para retomar após um ano ou mais é tanta coisa... é leviandade, preguiça, redirecionamento, esperteza, burrice, maluquice, jogo, ardil, ou simplesmente, desejo de aventurar-se.

Eu falo de desistir para nunca mais, mesmo que doa, que se lembre para sempre. É estar diante da pessoa que você amou e que morre. É fim. 

Não tenham pena de mim porque eu não estou perdida. Nem triste. Eu apenas vejo pacificamente meu reflexo na poça d`água, quando passo, em direção às minhas opções, em frente ao mundo que contemplo; sabendo que tudo tem seu tempo de ser e não ser, até a singela flor por entre os buracos da calçada. Vou ao templo e a ele confio em pensamento as fases boas e más, a vontade de continuar e a de dar um basta. Não tenho que ser nada do que esperam de mim. Tenho direito à renúncia, ao não, mesmo que isso signifique sofrer mais tarde, pois sofrer é sempre, é antes, durante e depois do simples começar a existir. 

Para mim, aos fracos ficam a persistência improdutiva e enganosa. Ficam o desgaste físico e mental. A cobrança em frente ao espelho. A vontade de gritar e não poder. Aos fracos fica a segurança falsa porque, na maioria das vezes, aquilo a que se renuncia já estava encaminhado para assim ser . Aos fortes, fica a certeza de que chorar, perder, cair e nunca mais retornar é sinal de humanidade. 



Suzana Guimarães


P.S.: não era isso o tudo que eu queria dizer. Eu queria falar do silêncio ao redor e dentro.


_texto editado em 15/11/2016.

​Se eu escrevesse um tratado sobre portas, adiantaria?

(fotografia por Suzana Guimarães)
(fotografia por Suzana Guimarães)
(fotografia por Suzana Guimarães)
(fotografia por Suzana Guimarães)


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

MIGALHAS DE PÃO

(por Suzana Guimarães)


Obrigada, senhor de todas as coisas, senhor universal, pelas pessoas delicadamente retiradas da minha vida, obrigada, Deus.

​Insistente que sou, neguei-me a retirar a venda dos olhos, insisti em aceitar as migalhas   do pão - como se faminta eu fosse. Insisti no laço, no passado, no amargo. Insisti no pouco, no quase nada. Eu queria os nós, as fitas amarfanhadas, tudo que me mantivesse presa, agarrada, de boca aberta a esperar migalhas de pão.

Pássaros minúsculos alçam voos com essas migalhas. Em mim, por quase todo o tempo, pesaram iguais a concreto. Como são pesadas as migalhas de pão! Só sendo pássaro, só sendo vento, e eu não sou! 

Insistente que sou, apeguei-me à venda nos olhos. Delicadamente, como tu és, fizeste com que todas elas, entrepostas, caíssem uma a uma, assim como caem as maçãs de suas macieiras indiferentes.

Delicadamente, como tu és, mostraste que a luz para fora das vendas pode arder, mas será sempre luz, nunca escuridão onde almas desinfelizes gostam de atirar farelos de pão. 



Por Suzana Guimarães

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SOBRE CABELO CINZA, PRATA OU BRANCO - como você quiser, E VELHICE.

(arquivo pessoal de SCG)
(arquivo pessoal de SCG)



Após muito pensar, decidi deixar meus cabelos ao natural: branco, cinza claro e escuro. Para uma mulher, mulher brasileira, essa decisão não é fácil e muito menos tomada da noite para o dia. Posso, entretanto, dia destes, mudar de opinião, desgostar e pintá-los novamente. "Posso" porque sou livre e em meu corpo e alma mando eu. 

Entretanto, até agora, estou gostando muito de vê-lo, brilhando ao espelho. Sinto-me leve, desobrigada de retocar a raiz de vinte em vinte dias, no máximo. 

O que incomoda-me não é o cabelo tinto, e muito menos o cabelo prata, o que incomoda-me é a raiz branca. Detesto vê-la, mostrando-me que o tempo passou e eu a deixei ali, apontando-me "esse desleixo" a cada dia, cada vez mais... detesto essa mostra, "Veja, já se passaram vinte dias!", detesto porque o tempo passou faz tempo e isso é visível em minhas mãos, em meus pés, na dobra dos joelhos, em todo o rosto, no pescoço (ah, esse é o número um no quesito tempo que se foi).

Entre a minha paz de espírito e a raiz branca, optei pela primeira.

Após pouco pensar, deixo aqui o que penso sobre velhice com uma pergunta para começar:

O que nos envelhece, além do álcool, da má alimentação, do cigarro e da falta de moderação nos hábitos?

O que nos envelhece é a insistência em manter as aparências a qualquer custo. O que nos envelhece é mentir para nós mesmos, é inventar histórias felizes estando nossos corações machucados diariamente. Sim, todo dia, um pedacinho dele, a gente deixa alguém arrancar e, para mostrarmo-nos superiores, melhores, perfeitos, a gente cola com o cuspe, aquele mesmo que se criou em nossas bocas enquanto falávamos para enganar o mundo e a nós mesmos.

A grande tolice é inventar verdades, gastar esse cuspe, fazer essa colagem porque o que é verdadeiro prescinde de muito, salta aos olhos, todo mundo vê.

Por Suzana Guimarães.


P.S.: Texto carinhosamente escrito para quem me chamou de velha.  :)

sábado, 21 de novembro de 2015

EU O AMO

(arquivo pessoal de SCG)
Eu o amo! Eu o amo, bem antes do saber, bem antes do conhecer; eu o amo por alguma obra do universo. Eu o amo e isso é tudo. É o tudo absoluto, o que basta. 

Seu silêncio mata-me diariamente, corrrói cada fibra que eu demorei vidas para construir... seu silêncio cala-me e junto cala as dores do mundo (nada é tão comparável ou supera!).

Seu silêncio é a fruta que vi e não comi, morta de fome. 

Seu silêncio é o calar do outro, igual a você!

Eu o amo. 

Eu o amo e isso em nada me diminui. Ao contrário, engrandece-me, assim como o broto que vira flor, assim como o rio que corre para o mar. Eu o amo! Sabe o que isso significa?

Significa que eu existo tão plena porque você, um dia, chegou e olhou-me nos olhos. Revelou-me a verdade. Vivo disso, do amor que vi em seus olhos.
Saiba,  quero que decore isto: eu o seguirei por toda a vida  e além dela. Eu estarei sempre pronta. Eu estarei sempre à espera. Estarei eternamente atrás do seu passo.

Porque, a mim, você é tudo o que me basta. Um segredo revelado antes. Um desejo antigo e pedido. Esperado e em meus braços.

Para sempre sua, até que você decida o seu último dia, e, mesmo assim, darei minhas existências, todas elas, só para o ter, por um segundo, dois, para sempre. Amém.

Por Suzana Guimarães

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Leveza

(foto: desconheço autoria)



Leveza. Preciso desintoxicar-me do peso dos invejosos porque ambição pesa feito pedra.
Le-ve-za, mais nada para amanhã. Amém!


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

RECADO

(photo by Suzana Guimarães)



Sabe aquela história, sabe aquele filme que eu assisti? Não vi "The End", nem senti. Para mim, aquela história não acabou, melhor, mal começou. Hahaha! Deixo todas as cartas sobre a mesa e saio para ver o sol se pôr e se levantar.


Suzana Guimarães

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Ato de agradecimento

(por Suzana Guimarães)

Obrigada, Deus, por ter retirado pessoas do meu caminho, 

dos meus sonhos, 

da minha vida.
 Amém!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CINZA


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães - Salt & Pepper hair)



"Cinza 

são as nuvens carregadas, trazendo emoção e vida.

Nos tons do relâmpago, no rugido dos trovões, 

todo cinza traz o verde na alma, verde de vontade. 
Cinza é toda nuvem que o vento não leva, mas que teimosa derrama o bálsamo ao que é seco."

quinta-feira, 12 de novembro de 2015



Novembro, 12


Certos atos ultrapassam a dimensão do sentido real de qualquer coisa que se possa fazer.
Perduram. 
Não têm preço. 
Não se apagam, 

aumentam de valor com o passar do tempo.


(Salvar uma vida é um deles)

terça-feira, 10 de novembro de 2015


Eu não tenho tempo para todos, e não o tenho nem para mim. Eu não elogio quando não gosto e também se eu não vi, lógico! Atualmente, vejo tudo muito pouco e quando vejo é de forma rápida. Não posso agradar a todos e da mesma forma não espero ser agradada todo o tempo. Eu morreria de ansiedade se vivesse esperando correspondências. Vivo paulatinamente, assim como respiro. Talvez eu esteja fazendo festa para ninharias - fazendo festa significa dando atenção -, mas isso não é culpa minha; é falta do encaixe perfeito do meu tempo com o seu. Talvez eu esteja lendo apenas o que não se acrescenta, mas a vida é assim: passamos metade dela ou mais importando-nos com o que não se deve importar.

Suzana Guimarães

P.S.: Por que eu haveria de construir uma única frase se posso me deslanchar num blá-blá-blá sem fim?


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


É melhor quando eu falo do que quando calo-me. Meu filho costuma dizer que eu brigo com todo mundo. Sim, brigo, inclusive comigo mesma, diariamente, porque é melhor quando eu falo do que quando calo-me. A palavra certa não seria briga, mas, sim, maus momentos, porém, se eu ainda estou dando-lhe atenção é porque você continua importante para mim - tem gente que nunca deixou de ser. Certa vez, alguém me disse, "Grande coisa estarmos bem ou não!". Nunca mais o vi, nem ouvi falar, restou a sombra da lembrança de uma memória excelente e só. Se você me valoriza, eu cresço e isso não significa dependência emocional; é apenas isso, eu cresço porque sou bem melhor se estiver servindo para fazer outros felizes. Costumo calar-me e isso soa antagônico, porque sou falante, entretanto eu sei calar-me temporária, breve ou eternamente. Melhor, eu falando, assim entendo. Triste é o silêncio do túmulo. Não! Nem esse. Triste é o silêncio do desconsiderar.


Em um ano que se finda...


Por Suzana Guimarães

sábado, 24 de outubro de 2015



(Arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Eu não ouço vozes, não sou esquizofrênica, mas é como se alguém tivesse soprado aos meus ouvidos surdos, "Vá de coração aberto". E eu, então, fui.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Cada vez que eu sorrio por alguém é como se Deus me abençoasse. Parece água benta.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015


"Ando sem tempo para tempestades, apesar de gostar de dias chuvosos. Ando sem tempo para abraçar os problemas alheios, resolvi tentar superar os meus. Ando sem tempo para futilidades, para pessoas vazias e pessimistas. Ando sem tem tempo para quem também não tem tempo para mim. "Rosi Alves

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pouquíssimo



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)





P​ouquíssimo. 
Um cisco a adentrar meus olhos. 

O pouco que não sobrevive à vastidão escura, silenciosa e aguda deles. 
Pouquíssima presença que nada sustenta; 



só aos frágeis.


(Suzana Guimarães)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Uma carta para F.

(fotografia por SCG)



Los Angeles, 12 de outubro de 2015.


​Querido F.,


Como tem passado nesta ilha ainda sonhada por mim? Espero que bem. Às vezes, pego-me lembrando daquela história que você enviou-me para eu ler e dar a minha opinião, acredita? Os dois personagens principais se misturam a você, criando assim um terceiro que eu não sei se desconheço. 

​Descobrir ou mesmo lembrar que hoje é seu aniversário foi uma espécie de acordar - como se eu estivesse dormindo, mas eu não estou dormindo. Repeti novamente para mim mesma, "Que bela data para se nascer!". Hoje cedo a minha mãe, ao telefone, enviou beijos aos netos e a mim também, na altura dos meus 49 anos... senti uma pontada de alegria que nem sei lhe explicar. Sei que por um momento, alguns segundos, ela transportou-me para um mundo ao qual conheço.

Sim, F., há bastante tempo - não ouso lhe contar o tanto -, estou "como se estivesse dormindo, mas não estou...". Talvez isso possa explicar - esta carta lotada daquela que você conheceu, mas que estou sempre a sufocar para que não viva -, a razão de eu não ter ido ao seu encontro em minhas férias de verão. 

Sufoco a antiga Suzana deliberadamente porque preciso do tempo para cuidar dos meus filhos, da casa que andei abandonando, e de um não sei o quê que me toma toda tarde e obriga-me a vagar em um nada improdutivo. Saudades eu tenho de sentar-me em frente ao computador e escrever... saudade eu tenho de alinhar palavras, ou mesmo desalinhá-las só para sentir o prazer de estar bem viva. Mas, ao contrário disso, ausento-me e para me sentar aqui, tive que ajustar minha cadeira... todos por aqui se sentam, menos eu.​

​Houve um luto amargo, a perda também de algumas pessoas queridas e grande decepção com gente que andava em meu íntimo... e, durante isso, não havia tempo para mim, pois muitas eram as obrigações. Tudo mecânico, entretanto. Eu respirava e dizia para mim mesma, "Só hoje, amanhã, talvez, eu desista."​ E assim passaram-se meses, anos... 

​Agora, dedico-me mais aos filhos, mais ainda que no passado (engraçado isso!). Quando penso que voltarei ao mundo de Suzana descubro-os precisando de mim de forma emotiva, psicológica... tolice pensar que é no começo da criação que mais nos dedicamos a eles. Hoje, construo um homem e desenho em rascunho uma muher (ainda é criança, graças a Deus!).

​Eu não pude ir. Eu não poderia ir. Ninguém pediu para que eu não fosse. Entretanto, a presença triste deles em muitos momentos, quando era para ser dias de só alegrias, prendeu-me a ferro. O Brasil já não é para eles o melhor lugar para se estar. Os vínculos se apagaram, os amigos evaporaram e a certeza de que tudo parece sem sentido reina em nosso mundo quando estamos aí. Para mim, também. Mas, eu me salvo encontrando pessoas queridas. Ainda as tenho, e ainda as quero perto de mim.​

​Lembro-me de você, sinto falta de nosso contato que muitas vezes fica escasso, penso em livros, em histórias de arder, céus azuis, fogo de querosene a queimar nas varandas, os outonos que parecem eternos, a fuga para países exóticos, a mesmice do balanço de uma rede... Agradeço-lhe este momento, hoje, agora, em que me sento para lhe escrever como presente de aniversário. Agradeço sua leitura atenta, o suspiro que dará, o breve sorriso.

Feliz Aniversário!

Grande abraço,


Suzana


Por Suzana Guimarães​

Observação



(Arquivo pessoal de SCG)

Certas verdades assaltam-nos quando querem e não se revelam acanhadas, educadas... certas verdades simplesmente nos rasgam.

(Suzana Guimarães)

Parece fácil.

(Arquivo pessoal de SCG)



Quando avisei a minha saída do país, muitos disseram que estavam para fazer o mesmo. Quando escrevi um livro, "Ah, também escreverei um livro!". Na escola da minha filha, certa mãe, estrangeira também, compete comigo. Não sei bem ao certo no quê. Sei que compete sozinha. Tantas palavras só para dizer que comecei a apresentação de um amigo poeta centenas de vezes - trabalho esse no plano mental ainda. Monto e desmonto o intróito, acreditando que meio e fim virão na sequência... Sofro na incompetência do ato. Tenho tudo para ele e tenho nada. As frases desmancham-se no ar, caprichosas! Sinto a solidão disso. Pergunto-me onde estariam todos quando a gente se posta no caminho.

O título: Parece fácil

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

S.O.S

(desenho, por Hilário)


As pessoas precisam urgentemente aprender a ser amadas. É uma situação passiva em certo ponto, e, por isso, causa desconforto. Não sei se é consequência de um mundo cada vez mais frenético, mas, com certeza, é burrice o jogo, a rejeição e o desprezo.

Que venha a mim todo o amor porque sou prado seco...




Suzana Guimarães

terça-feira, 6 de outubro de 2015




Vai ao mercado. Compra uma melancia brasileira; brasileira porque tenho certeza de que é maior que a daqui. Compra um limão, aquele pequenino e verde. Coloca as duas frutas lado a lado. Compara. A vida dele é a melancia. A sua é o limão.

E, azedo!

domingo, 4 de outubro de 2015

Solta um laço por dia. Quando você perceber, sentirá somente que um dia houve uma fita bem amarrada e nada mais.

Tempo de encantos.



(minhas palavras na delicadeza de Dulcie Britto)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MAR DE MINAS, MAR DE MIM



(fotografia de SCG, por celular, de dentro do carro)




Divulgando uma delícia de se ouvir:


Por Wagner Fonseca & Dalmir Lott.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

29 de setembro de 2015


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

CARTA PARA O MEU PAI ( # II )

Los Angeles, 7 de fevereiro de 2013.


Pouco posso lhe dizer agora, talvez sobre o tempo, talvez sobre o cachorro que dorme debaixo dos seus pés. Eu queria lhe contar os últimos acontecimentos. Os de hoje, principalmente esses, e tenho certeza de que você diria, "Você é uma heroína!". Tenho certeza de que nós mudamos, você e eu, eu o vejo melhor, você me reconheceu. Somos amigos, pacíficos, renascidos.
Tenho dirigido tanto, estou dirigindo, você que me disse que no seu carro eu não tocaria, mas que depois liberou e até me deu algumas aulas, perdidos nós nas ruas estreitas do Prado... e ríamos porque o carro parecia ser um avião de tanto que eu não conseguia dominá-lo. Pois é, estou avistando o porto de Los Angeles que se comunica com o de Long Beach... é enorme, pai, o mundo passa por aqui, e, sem carro, estou sem mãos e pés. Tudo é longe, demorado, e eu sou aquela que você nunca imaginou tão distante. E você sabe, até hoje sabe, no profundo de seus silêncios, na sua mudez, na sua total falta de assuntos, sabe que eu não acompanhei ninguém, sou aquela que empurra, aponta, mostra o caminho.
Ando correndo mais que você, repetindo as mesmas coisas, reclamando que tudo tem que ser explicado. Ando só. Será que você era um homem solitário? Os fortes andam por aí em plena solidão porque todo mundo pensa que força cai dos céus, gratuitamente, feito chuva, e que, nós, os guerreiros, simplesmente de nada precisamos, porque nos basta abrir a boca para ingerir as dádivas. Entendem, os fracos, que o mundo é deles, para servir às suas eternas doenças, inabilitações e descrenças. Eles se dizem à margem, mas a chuva cai para todos e eu me pergunto: por que será que essa gente não consegue se mover? Doença, acomodação... são tantos os termos, dispenso todos, pois, você e eu vimos limitações - você fingiu que nem via - mas, nós fomos, trêmulos ou não, dar a cara às águas.
Você ainda faz isso, de outra forma, mas faz porque quer. Continua decidindo por sua vida. Ah, questão de honra! Um homem igual a você não tomba fácil, mesmo assim, do jeito que está.
Você, hoje, madrugada numa minúscula cidade do interior, onde um avião nunca passou, nem navio nenhum aportou. Onde o rio transborda e assusta, ouve-se o bailado das árvores no mato, os pássaros, os ônibus que passam freiando, onde a poeira precisa de água, os cães andam sarnentos e alheios, olhos vigiam pelas frestas das janelas e um menino corre, sorrindo, mostra para a professora todo o dinheiro que ganhou vendendo garrafas vazias.
Você, hoje, é o silêncio daquelas noites, e eu sou tudo aquilo que eu ainda poderia ter lhe dito.

Por Suzana Guimarães.


Originalmente publicado em:
 http://omedodesuzana.blogspot.com/2013/02/carta-para-o-meu-pai-ii.html

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Para constar


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Não adoro nenhum humano. Respeito alguns. Tenho nojo de muitos. Valorizo o milagre, o segredo, o mistério. Busco e encontro sinais e, por isso, propago. Tento cumprir a missão que demorei a entender, mas entendi e aceitei. Eu vim ao mundo por motivo certo e designado.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Um lugar que molha meus olhos e seca meu passado.

(por SCG)



É muito bom ter filhos! Para ser sincera - e eu só estou me repetindo -, ser mãe foi o que de melhor e perfeito eu fiz na vida, mas a responsabilidade é enorme, muitas vezes, parecendo ser maior que nós. Quando a minha filha nasceu, eu me questionei: "Eu daria conta?". Além de construir uma pessoa, temos que zelar de forma quase divina e eu não sou deus.

Hoje, ninguém me alcança.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015


Nem precisa mais cuidados. Minha alma tem o peso da tonelada de certa humanidade.
(suzana guimarães)


(por SCG)


terça-feira, 8 de setembro de 2015

DESTE JEITO


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Pode ser rico, pobre, gay, heterossexual ou assexuado. Pode ser politizado ou não, culto ou burro; gordo, alto, nanico, pode ser feio de matar ou lindo demais. Pode ser ateu, religioso, beato com bíblia no sovaco. Por mim, pode ser o que quiser. Mas, perto de mim, em convívio, só ficam os educados, aqueles que agradecem, que pedem licença e sabem retribuir; e também os gentis e atenciosos. Gosto de gente que responde quase que na hora, se for na hora, eu gamo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Teatro, fome do real

(por SCG)



Parece teatro, talvez seja. Abre-se uma cortina e um cenário, e eu entro. Contraceno. Abre-se outro e mais outros e hoje mal entendo o que fiz empurrando todas as malas, ainda diante de mim, agora, vazias. Fiz uma longa viagem e outras pequenas; conheci pessoas; falei ao telefone com algumas; evitei várias; deixei-me à mercê de outras - quando houve preguiça de contracenar. Denominam isso de vida e é. Mas a sensação de que apenas pousei, passei ou mesmo deixei-me levar é imensa. Por isso, o teatro, fome do real. De verdade, fui faminta e voltei mais ainda. Real é o que em silêncio caminha dentro de mim, coisa oca, mas complexa, de tudo tem conhecimento e de tudo fala. Entretanto, não posso fazer morrer ou viver. Apenas carregar. E me dar por satisfeita.


Suzana Guimarães