sábado, 24 de setembro de 2016

Sobre ele

(desconheço autoria da imagem)


Ele disse que encontrará uma mulher em um país estranho, aprenderá sua língua e com ela se casará.


Ele diz coisas que eu gosto de ouvir.



Suzana Guimarães

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Labirintos

(imagem: Luís Roberto G. Meneghini)

"Já não escondo
a face 
nem o deserto destes olhos
os labirintos, estes misteriosos
labirintos
que ondulam, espirais de desgosto
seca-se a terra deste corpo, (este corpo)
siga-se cada ruga
enclausurada neste rosto.
_ imagens de instantes coalhados
prisioneiros do silêncio de tantas escutas
nos labirintos da interminável noite
intentos de cravar estrelas
intentos de encontrar as esporas da madrugada
e ferir o dia
na dor da espada
e
flor."


Por  Elke Lubitz



AUSÊNCIA

(arquivo pessoal/ suzana guimarães)



"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."

(Vinicius de Morais)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016


(Suzana Guimarães, por R.Meneghini)


Eu assisto à morte, mas não a saúdo, não lhe presto festa, não me alegro com ela. Prefiro a vida, o sorriso, a esperança. Tenho dó de quem só enxerga o lado escuro humano; e até o seu próprio... E nada mais.

Suzana Guimarães

sábado, 20 de agosto de 2016

You can not fight city hall




(imagem encontrada no Google - desconheço autoria)



Alma lavada, hoje. Esquecendo o jogo horroroso em Belo Horizonte, em 2014... esquecendo. Não foi um jogo roubado. Também não foi belíssimo, mas eu sempre busco o fim e pouco presto atenção aos meios... Foi um jogo onde os dois times queriam ganhar e jogaram bem, apesar do placar 1x1 ser algo pobre. O time alemão tem meu respeito. Jogou limpo. As faltas são faltas normais de um jogo legal. Não vi gente caindo à toa. Vi jogadores se levantando rapidamente. E o Neymar que eu, particularmente, eu, repito, eu nunca vi jogando nada que presta dentro do Brasil, fez bonito, correu atrás da bola, deixou claro aos adversários e ao goleiro que ia entrar naquela trave. Feliz. Resultado adiantado, mas cheio de esperança, feliz por tudo ter caminhado bem. Amém. Eu nunca fui a favor de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, mas, a partir do momento que disseram que haveria, sim, de qualquer jeito, eu cedo e recuo e torço e aplaudo porque "You can not fight city hall".

Por Suzana Guimarães

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Falando por mim...


(por R. Meneghini)

"já desejei coisas e pessoas. já conquistei pessoas e coisas. errei e continuo errando, mas sempre querendo acertar. conheci pessoas únicas, as quais jamais esquecerei. já chorei por amor e ri à toa por causa deste mesmo sentimento. carrego, suporto, insisto - e pago alto preço por isso. falo e faço bobagens, das quais geralmente não me arrependo. sou incompreendida algumas vezes porque sou dona da verdade - a minha pelo menos.
sou tolerante até certo ponto. explodo quando não me sinto obrigada a engolir o que me incomoda. sofro além da conta com o sentimento de perda, embora perder nem sempre signifique derrota ou subtração. a gente só precisa encarar a frustração ou trauma (ou sei lá o quê) com coragem, mesmo que o peito sangre e os olhos chorem oceanos, pois o tempo se encarrega de mostrar se aquele sofrimento era ou não superestimação do acontecimento e também de colocar tudo em seu devido lugar. depois, tantas vezes, a gente acaba até rindo de nosso próprio drama.
o fundo do meu poço, moradia vez em quando necessária, me acolheu sempre de braços abertos. emergi com a força devida para continuar, pois não há dor que perdure.
tolero os sarcásticos e divirto-me com os idiotas. detesto gente fútil. detesto gente hipócrita. detesto gente egocêntrica. detesto detestar, mas nem sempre há outra escolha, então, detesto. mas não odeio - ódio é sentimento muito pesado para carregar. permito-me ficar sozinha - revigora - , mas detesto solidão. nasci para interagir. gosto de observar. detalhes são importantes para mim. não suporto ser julgada. não admito ser desrespeitada. acho que minhas entrelinhas dizem mais a meu respeito do que as próprias linhas (embora aqui eu não as tenha economizado). alternando entre o sim e o não, tento ser feliz.
guardo situações, palavras e gestos com extrema perfeição. falo palavrão, mas também sei manter a classe. às vezes, quando poderia falar, me calo (porque nem sempre vale a pena dizer o que se pensa). me apaixonei inúmeras vezes, amei poucas. sei que fui apaixonante para alguns, amada por outros. viver pela metade? não aceito. em cima do muro? não dá. a gente precisa tomar partido, ter opinião, saber o que não quer. sou intensa, sofro por isso. se me prometer algo, por favor, cumpra - a decepção muda, e muito, minha forma de ver uma pessoa.
a vida bem que poderia ser cor de rosa o tempo todo, mas não é. portanto, ou aprendemos a conviver com quem somos e com a pluralidade que nos cerca, ou viveremos cheios de questões mal resolvidas, nos tornando pessoas amargas, repletas de doenças da alma."

Por Sandra Amélie

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Sobre intolerância e os jacus (que me perdoem os pássaros)...

(desenho, por Hilário)


Tenho opiniões bem formadas sobre vários assuntos, mas eu as guardo para mim; no máximo, talvez, saibam delas meu marido, minha mãe e filhos. Ninguém mais. Triste ver a imagem da atleta com traje de competição de seu país passando pelas redes sociais - a moça toda vestida jogando vôlei de praia contra a outra, de bíquini -, e mais triste ainda ler alguns comentários. Ela é uma atleta e está no Brasil para competir. Poderiam falar apenas do desempenho dela, seria melhor.


Talvez, não sei, assim como eu, ela comenta, entre seus íntimos, sobre as mulheres de fio-dental nas praias cariocas... A partir do momento em que a minha liberdade não está sendo ofendida e nem a do outro, tudo é aceitável e é o ideal. Tolerância ao que nos é diferente é sadio. O resto é falta do que fazer. Melhor a pilha de pratos para lavar. Nada contra, também. Albert Einstein, pelo que já li, gostava de lavar a louça suja na pia para liberar a mente.

Difícil, eu acredito, é estar diante dessas mulheres, frente a frente, sendo colegas de trabalho ou de escola, ou vizinhas, e recitar estes discursos hipócritas e preconceituosos na cara delas. Tenho colegas na faculdade vestidas com seus mantos e eu as olho e tudo o que eu quero e faço é apenas retribuir aos cumprimentos sinceros, sorrir também, trocar informações, fazer os trabalhos, enfim, estar diante delas como estaria diante de outra vestida igual a mim. Eu não quero me intrometer naquilo que não é da minha conta! Engraçado, diante delas, não vejo nada demais porque o que elas me transmitem é segurança em suas próprias vidas; boa ou má, vida é vida, é algo inconstante, hoje está ótimo, amanhã, péssimo e ninguém desse jogo escapa.

A impressão que ficou em mim é que, para muitos, no Brasil, é a primeira vez que veem algo assim, feito os "jacus" (que me perdoem os pássaros!), que na minha terra significa gente que nunca passou dos limites do quintal de sua casa e de nada sabe, nada viu, nunca viu e quando vê, olha perplexa. Pelo menos, que eu saiba, até esses guardam para si seus "sustos". Melhor do que sair por aí, escrevendo asneiras.


Suzana Guimarães

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre ter cinquenta anos...

(Suzana Guimarães - arquivo pessoal)



"quando fizer cinquenta anos
voltarei pra casa

meu pai estará cansado 
de ser velho e terá de novo
trinta anos

minha mãe estará com raiva
e feliz por estar feliz
mesmo estando com raiva

meus irmãos e irmãs todos
estarão vivos: (...)

não haverá entre nós
distâncias nem dormentes

minha família brotará no ar 
(...)

e cada um de nós 
que se fizer ausente
há de brotar na pele do outro

como o fruto grita
no silêncio da semente"

_Carlos Moreira

domingo, 24 de julho de 2016

Véspera dos 50

(Suzana Guimarães - arquivo pessoal)

Matei alguns dragões. Sei que virão mais. Mas, os que matei, jamais.

sexta-feira, 22 de julho de 2016


Suzana Guimarães

Tenho dó dos ateus; são tão sós!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Alguns nãos...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Li que algumas pessoas não assistem televisão há três ou cinco anos... daí, pensei: eu não assisto há, no mínimo, dezesseis anos (certeza absoluta fácil de memorizar porque é a idade do meu filho). Na época em que se "condenava" mães e pais solteiros, eu me casei com um homem pai solteiro. Esse homem nasceu americano e isso nada importou para mim por décadas. Dispensei chá de panela, chá de bebê (é esse mesmo o nome?), damas e pajens ao entrar na igreja no casamento religioso...nunca fui consumista e continuo não sendo, nunca fui partidária e continuarei assim, doa a quem doer; não minto porque detestaria ter que vigiar minhas falas, sou franca, mas com certeza não falo tudo. Não conto o número de livros que li em um mês (mal conto dinheiro!), pareço alienada e com pouca inteligência em muitas situações e isso é meu maior orgulho porque evito muita coisa desnecessária. Na verdade, sou feito gato, economizo movimentos. Sempre fui considerada uma pessoa estranha, hoje, a poucos dias de completar cinquenta anos, considero estranhas são as pessoas... salvo preciosas exceções. Se insistissem com a pergunta sobre assistir ou não televisão, assisto nos seguintes casos: quando sou convidada a assistir programa culinário ou sobre moda; Copa do Mundo e qualquer programa só para estar ao lado da minha mãe.

Suzana Guimarães

terça-feira, 28 de junho de 2016

SOBRE BONDADE


(scg - desenho por Hilário)


A vida já comprovou-me: é preciso que anjos deixem de lado tanta bondade de tempos em tempos...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

(fotografia: scg)




15

Eu me despeço do mundo todos os dias.
Não é verdade que não penso na morte.
Penso sempre na morte,
Porque está entre as páginas do livro que fecho,
nas dobras dos lençóis em que me deito,
nos restos de comida sobre o prato.
Tudo morre a cada dia e ressurge glorioso
como um vaga-lume, uma borboleta, um escaravelho.
E dura o tempo que durar
sem se abalar com nada.

Eu me despeço da luz como se não mais a visse,
Me despeço dos sons que se aquietam,
Me despeço das formas que cessam de existir.

Me despeço dos templos e igrejas onde guardamos as imagens dos santos, que repousam ali eternamente.
Me despeço de horizontes sempre limpos, cujas montanhas à distância se alongam ao olhar.

Serei a última irmã das palavras para deixá-las partir.
O mar banha o contorno da terra, cercando-a de sua existência fluida.
Os corpos se chocam contra sua onipresença magnânima.

Aceno adeus à paisagem por ser minha e todas as coisas ditas e não ditas permanecerão acesas como fachos de luz no despenhadeiro.

Somos os irmãos das palavras porque as inventamos para os poemas que ousamos escrever.

Tudo é dito hoje e se apaga.
A palavra escolhida é o poema.

27/06/2016 - 2h42


Por Thereza Rocque da Motta

terça-feira, 21 de junho de 2016

(desconheço autoria da imagem)


Se um dia meus filhos me perguntarem com quem devem viver, eu responderei: Fica com quem abraça as suas loucuras com se fossem as suas próprias. O resto é tolice! Vai ser feliz com esse louco!

domingo, 19 de junho de 2016



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)




Tão irônico. Tão estranho. Você pacientemente aguarda num acúmulo de anos, para, um dia, descobrir que há um relógio esperando atitudes para ser movimentado, sim, e, que, a contrário de tudo imaginado à exaustão, ele encontra-se dentro, minha filha diria 'indentro', de si mesmo. Embora o longo tempo passado, a coragem, o caminho, a viagem. Embora a casa. Embora o relógio parado. A tarefa era somente caminhar e esperar. Esperar e caminhar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Então,

(imagem: Luís R.G.Meneghini)


Então, você pega a tal bandeira, qualquer denominação que queira, que melhor se encaixa para tudo aquilo, e carrega-a nos ombros morro a morro e depois, finca-a no chão - momento tão infinitamente esperado, e pouco importa se há alguma dor, se há algum sorriso, não importa nada! Você somente finca-a no solo. Pronto. Você venceu; e até a si mesmo.


Eu sempre disse que a vida não é um passeio alegre pelos campos.

domingo, 29 de maio de 2016

Sobre importar ou não...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


A partir de quando tudo o que você precisa fazer é conseguir respirar, a partir de quando todo o esforço é apenas isso e isso é tudo e o tempo se vai, você passa a não se importar mais com a importância. O que é mesmo que importa? Ah...