segunda-feira, 22 de agosto de 2016


(Suzana Guimarães, por R.Meneghini)


Eu assisto à morte, mas não a saúdo, não lhe presto festa, não me alegro com ela. Prefiro a vida, o sorriso, a esperança. Tenho dó de quem só enxerga o lado escuro humano; e até o seu próprio... E nada mais.

Suzana Guimarães

sábado, 20 de agosto de 2016

You can not fight city hall




(imagem encontrada no Google - desconheço autoria)



Alma lavada, hoje. Esquecendo o jogo horroroso em Belo Horizonte, em 2014... esquecendo. Não foi um jogo roubado. Também não foi belíssimo, mas eu sempre busco o fim e pouco presto atenção aos meios... Foi um jogo onde os dois times queriam ganhar e jogaram bem, apesar do placar 1x1 ser algo pobre. O time alemão tem meu respeito. Jogou limpo. As faltas são faltas normais de um jogo legal. Não vi gente caindo à toa. Vi jogadores se levantando rapidamente. E o Neymar que eu, particularmente, eu, repito, eu nunca vi jogando nada que presta dentro do Brasil, fez bonito, correu atrás da bola, deixou claro aos adversários e ao goleiro que ia entrar naquela trave. Feliz. Resultado adiantado, mas cheio de esperança, feliz por tudo ter caminhado bem. Amém. Eu nunca fui a favor de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, mas, a partir do momento que disseram que haveria, sim, de qualquer jeito, eu cedo e recuo e torço e aplaudo porque "You can not fight city hall".

Por Suzana Guimarães

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Falando por mim...


(por R. Meneghini)

"já desejei coisas e pessoas. já conquistei pessoas e coisas. errei e continuo errando, mas sempre querendo acertar. conheci pessoas únicas, as quais jamais esquecerei. já chorei por amor e ri à toa por causa deste mesmo sentimento. carrego, suporto, insisto - e pago alto preço por isso. falo e faço bobagens, das quais geralmente não me arrependo. sou incompreendida algumas vezes porque sou dona da verdade - a minha pelo menos.
sou tolerante até certo ponto. explodo quando não me sinto obrigada a engolir o que me incomoda. sofro além da conta com o sentimento de perda, embora perder nem sempre signifique derrota ou subtração. a gente só precisa encarar a frustração ou trauma (ou sei lá o quê) com coragem, mesmo que o peito sangre e os olhos chorem oceanos, pois o tempo se encarrega de mostrar se aquele sofrimento era ou não superestimação do acontecimento e também de colocar tudo em seu devido lugar. depois, tantas vezes, a gente acaba até rindo de nosso próprio drama.
o fundo do meu poço, moradia vez em quando necessária, me acolheu sempre de braços abertos. emergi com a força devida para continuar, pois não há dor que perdure.
tolero os sarcásticos e divirto-me com os idiotas. detesto gente fútil. detesto gente hipócrita. detesto gente egocêntrica. detesto detestar, mas nem sempre há outra escolha, então, detesto. mas não odeio - ódio é sentimento muito pesado para carregar. permito-me ficar sozinha - revigora - , mas detesto solidão. nasci para interagir. gosto de observar. detalhes são importantes para mim. não suporto ser julgada. não admito ser desrespeitada. acho que minhas entrelinhas dizem mais a meu respeito do que as próprias linhas (embora aqui eu não as tenha economizado). alternando entre o sim e o não, tento ser feliz.
guardo situações, palavras e gestos com extrema perfeição. falo palavrão, mas também sei manter a classe. às vezes, quando poderia falar, me calo (porque nem sempre vale a pena dizer o que se pensa). me apaixonei inúmeras vezes, amei poucas. sei que fui apaixonante para alguns, amada por outros. viver pela metade? não aceito. em cima do muro? não dá. a gente precisa tomar partido, ter opinião, saber o que não quer. sou intensa, sofro por isso. se me prometer algo, por favor, cumpra - a decepção muda, e muito, minha forma de ver uma pessoa.
a vida bem que poderia ser cor de rosa o tempo todo, mas não é. portanto, ou aprendemos a conviver com quem somos e com a pluralidade que nos cerca, ou viveremos cheios de questões mal resolvidas, nos tornando pessoas amargas, repletas de doenças da alma."

Por Sandra Amélie

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Sobre intolerância e os jacus (que me perdoem os pássaros)...

(desenho, por Hilário)


Tenho opiniões bem formadas sobre vários assuntos, mas eu as guardo para mim; no máximo, talvez, saibam delas meu marido, minha mãe e filhos. Ninguém mais. Triste ver a imagem da atleta com traje de competição de seu país passando pelas redes sociais - a moça toda vestida jogando vôlei de praia contra a outra, de bíquini -, e mais triste ainda ler alguns comentários. Ela é uma atleta e está no Brasil para competir. Poderiam falar apenas do desempenho dela, seria melhor.


Talvez, não sei, assim como eu, ela comenta, entre seus íntimos, sobre as mulheres de fio-dental nas praias cariocas... A partir do momento em que a minha liberdade não está sendo ofendida e nem a do outro, tudo é aceitável e é o ideal. Tolerância ao que nos é diferente é sadio. O resto é falta do que fazer. Melhor a pilha de pratos para lavar. Nada contra, também. Albert Einstein, pelo que já li, gostava de lavar a louça suja na pia para liberar a mente.

Difícil, eu acredito, é estar diante dessas mulheres, frente a frente, sendo colegas de trabalho ou de escola, ou vizinhas, e recitar estes discursos hipócritas e preconceituosos na cara delas. Tenho colegas na faculdade vestidas com seus mantos e eu as olho e tudo o que eu quero e faço é apenas retribuir aos cumprimentos sinceros, sorrir também, trocar informações, fazer os trabalhos, enfim, estar diante delas como estaria diante de outra vestida igual a mim. Eu não quero me intrometer naquilo que não é da minha conta! Engraçado, diante delas, não vejo nada demais porque o que elas me transmitem é segurança em suas próprias vidas; boa ou má, vida é vida, é algo inconstante, hoje está ótimo, amanhã, péssimo e ninguém desse jogo escapa.

A impressão que ficou em mim é que, para muitos, no Brasil, é a primeira vez que veem algo assim, feito os "jacus" (que me perdoem os pássaros!), que na minha terra significa gente que nunca passou dos limites do quintal de sua casa e de nada sabe, nada viu, nunca viu e quando vê, olha perplexa. Pelo menos, que eu saiba, até esses guardam para si seus "sustos". Melhor do que sair por aí, escrevendo asneiras.


Suzana Guimarães

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre ter cinquenta anos...

(Suzana Guimarães - arquivo pessoal)



"quando fizer cinquenta anos
voltarei pra casa

meu pai estará cansado 
de ser velho e terá de novo
trinta anos

minha mãe estará com raiva
e feliz por estar feliz
mesmo estando com raiva

meus irmãos e irmãs todos
estarão vivos: (...)

não haverá entre nós
distâncias nem dormentes

minha família brotará no ar 
(...)

e cada um de nós 
que se fizer ausente
há de brotar na pele do outro

como o fruto grita
no silêncio da semente"

_Carlos Moreira

domingo, 24 de julho de 2016

Véspera dos 50

(Suzana Guimarães - arquivo pessoal)

Matei alguns dragões. Sei que virão mais. Mas, os que matei, jamais.

sexta-feira, 22 de julho de 2016


Suzana Guimarães

Tenho dó dos ateus; são tão sós!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Alguns nãos...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Li que algumas pessoas não assistem televisão há três ou cinco anos... daí, pensei: eu não assisto há, no mínimo, dezesseis anos (certeza absoluta fácil de memorizar porque é a idade do meu filho). Na época em que se "condenava" mães e pais solteiros, eu me casei com um homem pai solteiro. Esse homem nasceu americano e isso nada importou para mim por décadas. Dispensei chá de panela, chá de bebê (é esse mesmo o nome?), damas e pajens ao entrar na igreja no casamento religioso...nunca fui consumista e continuo não sendo, nunca fui partidária e continuarei assim, doa a quem doer; não minto porque detestaria ter que vigiar minhas falas, sou franca, mas com certeza não falo tudo. Não conto o número de livros que li em um mês (mal conto dinheiro!), pareço alienada e com pouca inteligência em muitas situações e isso é meu maior orgulho porque evito muita coisa desnecessária. Na verdade, sou feito gato, economizo movimentos. Sempre fui considerada uma pessoa estranha, hoje, a poucos dias de completar cinquenta anos, considero estranhas são as pessoas... salvo preciosas exceções. Se insistissem com a pergunta sobre assistir ou não televisão, assisto nos seguintes casos: quando sou convidada a assistir programa culinário ou sobre moda; Copa do Mundo e qualquer programa só para estar ao lado da minha mãe.

Suzana Guimarães

terça-feira, 28 de junho de 2016

SOBRE BONDADE


(scg - desenho por Hilário)


A vida já comprovou-me: é preciso que anjos deixem de lado tanta bondade de tempos em tempos...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

(fotografia: scg)




15

Eu me despeço do mundo todos os dias.
Não é verdade que não penso na morte.
Penso sempre na morte,
Porque está entre as páginas do livro que fecho,
nas dobras dos lençóis em que me deito,
nos restos de comida sobre o prato.
Tudo morre a cada dia e ressurge glorioso
como um vaga-lume, uma borboleta, um escaravelho.
E dura o tempo que durar
sem se abalar com nada.

Eu me despeço da luz como se não mais a visse,
Me despeço dos sons que se aquietam,
Me despeço das formas que cessam de existir.

Me despeço dos templos e igrejas onde guardamos as imagens dos santos, que repousam ali eternamente.
Me despeço de horizontes sempre limpos, cujas montanhas à distância se alongam ao olhar.

Serei a última irmã das palavras para deixá-las partir.
O mar banha o contorno da terra, cercando-a de sua existência fluida.
Os corpos se chocam contra sua onipresença magnânima.

Aceno adeus à paisagem por ser minha e todas as coisas ditas e não ditas permanecerão acesas como fachos de luz no despenhadeiro.

Somos os irmãos das palavras porque as inventamos para os poemas que ousamos escrever.

Tudo é dito hoje e se apaga.
A palavra escolhida é o poema.

27/06/2016 - 2h42


Por Thereza Rocque da Motta

terça-feira, 21 de junho de 2016

(desconheço autoria da imagem)


Se um dia meus filhos me perguntarem com quem devem viver, eu responderei: Fica com quem abraça as suas loucuras com se fossem as suas próprias. O resto é tolice! Vai ser feliz com esse louco!

domingo, 19 de junho de 2016



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)




Tão irônico. Tão estranho. Você pacientemente aguarda num acúmulo de anos, para, um dia, descobrir que há um relógio esperando atitudes para ser movimentado, sim, e, que, a contrário de tudo imaginado à exaustão, ele encontra-se dentro, minha filha diria 'indentro', de si mesmo. Embora o longo tempo passado, a coragem, o caminho, a viagem. Embora a casa. Embora o relógio parado. A tarefa era somente caminhar e esperar. Esperar e caminhar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Então,

(imagem: Luís R.G.Meneghini)


Então, você pega a tal bandeira, qualquer denominação que queira, que melhor se encaixa para tudo aquilo, e carrega-a nos ombros morro a morro e depois, finca-a no chão - momento tão infinitamente esperado, e pouco importa se há alguma dor, se há algum sorriso, não importa nada! Você somente finca-a no solo. Pronto. Você venceu; e até a si mesmo.


Eu sempre disse que a vida não é um passeio alegre pelos campos.

domingo, 29 de maio de 2016

Sobre importar ou não...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


A partir de quando tudo o que você precisa fazer é conseguir respirar, a partir de quando todo o esforço é apenas isso e isso é tudo e o tempo se vai, você passa a não se importar mais com a importância. O que é mesmo que importa? Ah...

sábado, 7 de maio de 2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016



(scg)



Considerei melhor não olhar nos olhos; não por medo, covardia ou falsidade; Mas, sim, por desprezo. Aqueles olhos não merecem os meus dentro deles.

domingo, 1 de maio de 2016

Porque eu sei sobre você

(obra de Xi Pan)


Você tinha inúmeros sonhos, chegava a delirar por eles. Criou teorias, conceitos, paradigmas, uma tabela longa do que é certo e errado; acreditou que certos elementos quando combinados eram a chave para a felicidade e para o sucesso, a realização total.

Muito tarde para questionarmos aquilo tudo. Naquele tempo, você não aceitava opiniões alheias​, então, repito, muito tarde, muito tarde para qualquer tentativa de interpretação agora.

​Já não importa se eram teorias furadas. O que tem importância é o resultado. E eu pergunto-lhe, o que você ganhou com aquilo tudo dentro de si, na mente e no coração? Quais foram os lucros? Pergunto sobre ganhos internos, pessoais, individuais, indisponíveis. O que você tem agora em mãos?

Você não precisa responder-me. A minha vida não mudará em nada, nem eu. Isso não acrescentará coisa alguma em mim ou para mim. Responda para você mesmo, num dia de coragem, sentado, sozinho, sem ouvintes. Diz para você o que ganhou, enumera. 

Muitos têm essa resposta que é só sua, mas a opinião deles pouco importa, como sempre foi, e isso não é ironia, nem deboche, no ponto em que você se encontra, acabará por fim entendendo que seu único inimigo foi você mesmo. Suas próprias concepções o mataram.

Era para ter sido leve... Era para ter sido gentil...

Talvez ainda existam sonhos. Penso que sim. Mas eles estão soterrados na amargura desta sua vida que parece uma corrida sem fôlego para lugar nenhum.

Penso que a única saída seria você esvaziar totalmente a sua mente e seu coração, como se nascesse de novo, e recomeçasse nu, leve, gentil. Você sabe, suas mãos estão vazias há muito tempo. Você sabe, você nada lucrou com tudo aquilo que carregou. É fácil. Basta aceitar o vazio que você se deu de presente ao longo dos anos enquanto culpava os outros por sua própria ruína.


Por Suzana Guimarães