quinta-feira, 30 de março de 2017

A loucura de Deus

​No templo, sorvendo o silêncio, mastigando perguntas sem respostas, triturando o coração em um quase masoquismo...
Respostas dispensáveis. Pensando assim, devagarinho, revendo a história.
No templo, somos nós. Deus é louco! E eu a louca apaixonada por Ele.
Quisera quem usa drogas para conhecer o incognoscível, quem usa a si mesmo para reconhecer-se, quisera um só deles conhecer a loucura de Deus.
Meios dispensáveis. Pensando assim, rapidinho, revendo a mim mesma.
Deus é louco! E eu a louca apaixonada por Ele.​
(Suzana Guimarães)


Fotografia de Elena Kalis.

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sábado, 25 de março de 2017

Para os inabaláveis


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Eu gosto dos sentimentais, eu gosto de gente carregada de dores e amores, parecendo quase explodir. Gosto de emoção. E gosto também, e muito, dos inabaláveis, principalmente para comigo. Gosto de gente que se sustenta bem em suas pernas quando eu faço o mundo balançar. Não gosto dos susceptíveis a qualquer vento meu, porque esses meus ventos não são divinos; não sou divina. Nada tem de especial qualquer coisa que eu faça, boa ou má, então não vejo razão no excesso de preciosismos.


Suzana Guimarães

Nota: originalmente publicado em: clica aqui

terça-feira, 14 de março de 2017

Para LR

Ele é mais que perfeito para mim. Não chegou por acaso em minha vida, ele foi pedido, foi desejado e esperado. Desde então, mostrou-me o quanto sou poderosa, a mais rica das criaturas, pois eu o tenho. Ele habita a cidade iluminada que sempre existiu em mim, cidade devastada, de ninguém. Ele tem os cabelos longos, o olhar tranquilo; é dono do silêncio, do riso e das palavras, essas, ele as lança, não desconexas, mas as mais perfeitas para eu escrever um tratado, ou um poema, ou leve interrogação. Dentro do peito, ele carrega um pássaro, uma orquestra e um mapa antigo. Ele está centrado no mundo; ele gira em torno de mim e eu em torno de nós.

Para LR. 

(por Suzana Guimarães. Imagem: arquivo pessoal de SCG - Publicação original: clica na fotografia)

segunda-feira, 6 de março de 2017


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Certa vez, uma amiga escreveu-me: "Não ficarei babando ovo de amigo." Primeiramente, levei um safanão porque eu desconhecia a frase; em um segundo momento, fiquei triste, magoada, confesso, fiquei. Senti rispidez nela. Mas, ontem é passado e amanhã, eu nem sei, só sei que admiro, hoje, pessoas que falam e fazem coisas ríspidas porque a vida mudou e eu junto com ela. Certas rudezas caem bem de vez em quando. Em respeito a mim, em respeito aos meus pais que edificaram-me, em respeito às pessoas que sofrem e batalham muito em extremo silêncio, em respeito às dores e quedas que eu presenciei ao longo dos meus cinquenta anos, eu não babarei ovo de amigo. Eu conforto, consolo, aplaudo, sustento moralmente, choro junto, comemoro, incentivo, mas eu definitivamente não babarei ovo de amigo; muito menos dos outros - não tenho a palavra que melhor define o oposto, para mim, de amigo.






(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


A minha vida continua a mesma, mas parece que houve um milagre. Amém. Obrigada, Deus! Eu sempre o louvarei na grande congregação. 🙏