sábado, 15 de maio de 2010

3. NOTA AO LEITOR

Oi, minha amiga!

     Fico feliz por você ter visitado o meu Blog. As pessoas estão se pronunciando aos poucos e os que estão fazendo, se comunicam via e-mail ou através das mensagens pessoais do Facebook. Acho estranho porque há um espaço para comentários aqui na minha página.
     Bom, eu ainda não contei a história toda, tanto que a divido em capítulos, I, II, III, e vai até o XLIX. Haverá" Informações Técnicas ou Psiquiátricas" e também" Fontes Consultadas". Foi ótimo você ter se pronunciado a respeito, pois percebo agora que talvez as pessoas estejam concluindo erroneamente as minhas íntimas exposições. Provavelmente, por não estarem lendo o conteúdo inteiro como você me confessou (sem problemas, cada um lê na medida que pode ou quer e de acordo com o seu tempo) não estão entendendo.
     Escrevo sobre o meu passado. Procuro focar no problema de saúde que tive, mas não me esqueço da leveza de certos momentos, das descobertas e do amor. Os e-mails foram trocados em 2004 e 2005. Procurei relatar a época da ignorância de quando eu era doente, a descoberta de que eu poderia me tratar, o tratamento, a cura, a recaída e os sentimentos todos ou quase todos que se apoderaram de mim naquela época, inclusive o reencontro com um amigo e a tentativa de viver uma compreensão mútua. 
     Escrevi um pouco sobre os  meus últimos anos - de sucesso! - na Carta para Dr. J, onde falo das minhas vitórias, conquistas inúmeras..., mas não me estenderei para fora dos limites daquela época. Eu me tratei e me curei há tempos e preencho cheques e qualquer outra coisa. Após a Carta para Dr. J, eu começo a escrever sobre a doença. Tudo começou quando eu tinha 17 anos e hoje tenho 43. Não é possível para mim - e também não quero - jogar tudo de uma vez só na Internet. Estou escrevendo porque só agora tive esta ideia e só agora estou tendo tempo. É claro que também falarei dos proveitos que tirei de tudo o que aconteceu. Aprendi a enxergar melhor as pessoas pois eu tinha que prestar muita atenção nelas para poder esconder o meu segredo, os meus medos. Eu tinha que me antecipar em tudo e saber convencer os outros a fazer as coisas do jeito que eu queria, já que eu, por exemplo, às vezes, levava processos para o banheiro do Fórum e isso eu não podia fazer. Aprendi a dar valor à vida e à saúde. Não estou agarrada a esse passado, como você mencionou. Hoje, sou uma outra pessoa. Realizada, feliz, ainda acertando e errando como todo ser humano, ainda tendo medos, mas medos normais, não-patológicos.
     Quanto à minha exposição é apenas com o intuito de tentar ajudar quem precisa e eu deixo isso escrito na primeira página, à direita do meu Blog, no Para Você. Eu conheço tantas pessoas doentes! E elas me contam os seus problemas, como por exemplo, um amiga que não pode fazer xixi no banheiro de avião por puro medo, e ela precisa viajar sempre a negócios. Mas ela não faz nada para se tratar, e, quando viaja, não toma nenhum líquido mesmo que seja num voo de mais de doze horas.
     Hoje, eu sequer penso nos concursos públicos. Eu escrevo sobre isso, e ainda escreverei muito mais, porque estou contando uma história... Eu ainda não acabei de contar a história.
     Estou feliz por você ter tido tempo e boa vontade para se sentar e escrever para mim, expondo todos os seus pensamentos e dúvidas. Vou deixar a minha resposta postada no Blog, pois talvez as suas perguntas possam ajudar a esclarecer dúvidas a respeito disso.
     No meu Blog, escrevo sobre uma Síndrome Silenciosa e há outras, e, eu também me refiro a elas. Por serem silenciosas é que são perigosas. Como disse Dr. J, há muita gente sofendo desses males ou de outros assemelhados, ou até piores; muito mais que possamos imaginar. Não se preocupe. Não vou revelar quem é você.
     Obrigada.