quinta-feira, 3 de junho de 2010

XVI - SOBRE A RECAÍDA

     
     Iniciei meu tratamento com Dr. J em 13 de outubro de 1995. Em meados de 2004, tive uma recaída que não ultrapassou o ano de 2005.
     Só agora percebo que eu caí de novo - daí o nome "recaída"- e me levantei sem perceber. Foi um vento frio, mau, que bateu em mim, mas que passou. Feito aquelas chuvas que nos pegam às seis horas da tarde, num tempo tão curto, suficiente apenas para nos molhar até chegarmos ao nosso carro ou entrarmos naquele ônibus. E que, depois, passa. Fica parecendo que nem choveu apesar dos cabelos molhados e da roupa fria.
     Vasculhei a minha memória, tentando me lembrar daquele mal em mim, na entrada de 2006. Nada encontrei!
     Os e-mails trocados duraram apenas um certo tempo, mas a história continuou, é claro!
     Vieram as ondas do mar e me levaram, a partir de 2006.
     Em "Antes, uma carta para Dr. J", eu comento sobre a intensidade com que vivi os anos de 2007 e 2008. E, os dois últimos anos, vivendo em um outro país, me empurraram mar a dentro.
     Eu perdi, ao longo dos últimos quatro anos, qualquer tipo de controle formatado. Por isso, só hoje percebo, ao escrever neste Blog, que realmente me joguei no mar em nado livre.
     Houve tratamento, houve luta, entretanto, eu me levantei num estalar de dedos. E, esse bater de dedos foi tão leve, tão rápido, que nem percebi. De um instante a outro, naquele tempo - segundo - que antecede a minha mão direita lavar a esquerda, parei de prestar atenção à doença que me paralisou por mais de décadas.
     A cicatriz ficou, mas eu tenho muitas outras, internas e externas. São detalhes, contudo, pequenos detalhes. Todas elas são linhas feias que contam as minhas vitórias - e toda vitória é linda! - pois, em todas, eu venci a dor, e, em algumas, a morte.