terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A TI, IEMANJÁ

fotografia, por SCG


Depois que li as cartas, eram duas, decidi, "amanhã, amanhã, farei silêncio". Igual fazia nos tempos da escola de freiras, numa cidade do interior de Minas Gerais. Um dia todo falando o mínimo possível, e, se possível, falando nada. Eu, sempre tão lotada de palavras e risos, eu bem que gostava daquilo. As colegas, algumas freiras e eu íamos todas para a mata do colégio, para meditar, naquela idade, para mim, fazer nada. E eu gostava muito daquilo, apesar de todos os meus excessos.


Depois do já prometido para mim mesma, tomei meu banho, espécie de descarrego, às vezes bom, às vezes ruim, hoje, foi silencioso, simplesmente silencioso.


Depois do já prometido, abri o "laptop" para desligá-lo. Por vício, rolei as atualizações dos amigos. Encontrei uma postagem do meu amigo Lu Cidreira (clica aqui), prestando homenagem à Iemanjá.


Lembrei-me do meu texto (clica aqui), lembrei-me das duas cartas, cada uma com seu peso de silêncio. E eu tão sempre lotada de palavras, estou sem nenhuma. Iemanjá passou feito vento ligeiro, espirrou perfumes em mim, espiou as cartas, seguiu adiante, deixou-me com a certeza de que amanhã (quase hoje aqui, já amanhã no Brasil) é dia de retiro, dia de silêncio no colégio das freiras.


Suzana C. Guimarães