sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DEDOS ALQUEBRADOS

fotografia, por SCG


Rio da vida. Um riso calmo, conhecedor, cúmplice. Venho pedindo silêncio a mim mesma, ao meu corpo agitado, ansioso, curioso. Venho pedindo silêncio a mim mesma para que a minha alma recoste-se no sofá da sala e ouça música calma... venho implorando por mim mesma, sem você, sem ele, desprovida de querer e nada consigo. E todo dia é o mesmo dia. E eu não alcanço a parte de fora do círculo.

Mas, ontem, eu me machuquei numa luta. A vida, risonha, faceira, me deu um presente, dedos alquebrados... e eu que não pisco o olho para ela para não perder nada, entendi, o silêncio veio e se apoderou de mim.

Suzana Guimarães



Nota: mesma publicação, na mesma data, em Contos de Lily.