segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A VOCÊ


arquivo pessoal


A você que por aqui passou, ficou, me leu, me lê. A você que não me leu, fingiu não leu, comeu e bebeu minhas palavras... A você que por aqui passou e me amou, em silêncio, escandalosamente, ou não, a você que aqui veio para descansar, se encontrar, se perder de vez ou somente saber de mim, matar curiosidade. A você, que por você, eu nem quis ter globo em casa, girando, para que você se sentisse à vontade, não vigiado, não controlado. A você que eu dei asas, a você que preencheu minhas lacunas, equilibrou meu desequilíbrio tolo, a você que me deu palavras, que jorrou letras com aguardente em minhas entranhas, que me enlouqueceu e me curou. A você que conheci por que aqui passou, e que cumpriu nosso destino. A você que não me quis, mas retornou dezenas de vezes, a você que me quis, num misto de querer e desgosto, a você que acrescentou sorrisos na agenda da minha alma, que se deu sem medidas ou contou, um para você, um para mim. A você que nada escreveu, nada berrou, mas eu li e ouvi. A você que me busca feito amiga ou alguém de tantas vidas...

fique em paz, esteja em paz, sinta conforto na virada do ano.

Confesso, não gosto dessa época, para mim não haveria dia no mundo para se comemorar, principalmente por obrigação, mas sim, haveria, teria que haver comemoração diária. A festa para mim é hoje, a hora é agora. Não espero os convidados chegarem, como e bebo muitas horas antes, a partir do momento em que entrego meu espírito para a festa.

A você, meu carinho, meus votos de que o ano que está chegando seja o palco, a pista, o caminho para a tua melhor valsa, luta, dança.

                                        Suzana C. Guimarães


Nota: mesma publicação, na mesma data, em Contos de Lily.