"quando fizer cinquenta anos
terça-feira, 26 de julho de 2016
Sobre ter cinquenta anos...
"quando fizer cinquenta anos
voltarei pra casa
meu pai estará cansado
de ser velho e terá de novo
trinta anos
minha mãe estará com raiva
e feliz por estar feliz
mesmo estando com raiva
meus irmãos e irmãs todos
estarão vivos: (...)
não haverá entre nós
distâncias nem dormentes
minha família brotará no ar
(...)
e cada um de nós
que se fizer ausente
há de brotar na pele do outro
como o fruto grita
no silêncio da semente"
_Carlos Moreira
domingo, 24 de julho de 2016
sexta-feira, 22 de julho de 2016
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Alguns nãos...
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Li que algumas pessoas não assistem à televisão há três ou cinco anos... daí, pensei: eu não assisto há, no mínimo, dezesseis anos (certeza absoluta fácil de memorizar porque é a idade do meu filho). Na época em que se "condenava" mães e pais solteiros, eu me casei com um homem pai solteiro. Esse homem nasceu americano e isso nada importou para mim por décadas. Dispensei chá de panela, chá de bebê (é esse mesmo o nome?), damas e pajens ao entrar na igreja no casamento religioso...nunca fui consumista e continuo não sendo, nunca fui partidária e continuarei assim, doa a quem doer; não minto porque detestaria ter que vigiar minhas falas, sou franca, mas com certeza não falo tudo. Não conto o número de livros que li em um mês (mal conto dinheiro!), pareço alienada e com pouca inteligência em muitas situações e isso é meu maior orgulho porque evito muita coisa desnecessária. Na verdade, sou feito gato, economizo movimentos. Sempre fui considerada uma pessoa estranha, hoje, a poucos dias de completar cinquenta anos, considero estranhas são as pessoas... salvo preciosas exceções. Se insistissem com a pergunta sobre assistir ou não à televisão, assisto nos seguintes casos: quando sou convidada a assistir programa culinário ou sobre moda; Copa do Mundo e qualquer programa só para estar ao lado da minha mãe.
Suzana Guimarães
terça-feira, 28 de junho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
15
Eu me despeço do mundo todos os dias.
Não é verdade que não penso na morte.
Penso sempre na morte,
Porque está entre as páginas do livro que fecho,
nas dobras dos lençóis em que me deito,
nos restos de comida sobre o prato.
Tudo morre a cada dia e ressurge glorioso
como um vaga-lume, uma borboleta, um escaravelho.
E dura o tempo que durar
sem se abalar com nada.
Eu me despeço da luz como se não mais a visse,
Me despeço dos sons que se aquietam,
Me despeço das formas que cessam de existir.
Me despeço dos templos e igrejas onde guardamos as imagens dos santos, que repousam ali eternamente.
Me despeço de horizontes sempre limpos, cujas montanhas à distância se alongam ao olhar.
Serei a última irmã das palavras para deixá-las partir.
O mar banha o contorno da terra, cercando-a de sua existência fluida.
Os corpos se chocam contra sua onipresença magnânima.
Aceno adeus à paisagem por ser minha e todas as coisas ditas e não ditas permanecerão acesas como fachos de luz no despenhadeiro.
Somos os irmãos das palavras porque as inventamos para os poemas que ousamos escrever.
Tudo é dito hoje e se apaga.
A palavra escolhida é o poema.
27/06/2016 - 2h42
Por Thereza Rocque da Motta
terça-feira, 21 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
![]() |
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Tão irônico. Tão estranho. Você pacientemente aguarda num acúmulo de anos, para, um dia, descobrir que há um relógio esperando atitudes para ser movimentado, sim, e, que, a contrário de tudo imaginado à exaustão, ele encontra-se dentro, minha filha diria 'indentro', de si mesmo. Embora o longo tempo passado, a coragem, o caminho, a viagem. Embora a casa. Embora o relógio parado. A tarefa era somente caminhar e esperar. Esperar e caminhar.
terça-feira, 14 de junho de 2016
Então,
| (imagem: Luís R.G.Meneghini) |
Então, você pega a tal bandeira, qualquer denominação que queira, que melhor se encaixa para tudo aquilo, e carrega-a nos ombros morro a morro e depois, finca-a no chão - momento tão infinitamente esperado, e pouco importa se há alguma dor, se há algum sorriso, não importa nada! Você somente finca-a no solo. Pronto. Você venceu; e até a si mesmo.
Eu sempre disse que a vida não é um passeio alegre pelos campos.
domingo, 29 de maio de 2016
sábado, 7 de maio de 2016
domingo, 1 de maio de 2016
Porque eu sei sobre você
Você tinha inúmeros sonhos, chegava a delirar por eles. Criou teorias, conceitos, paradigmas, uma tabela longa do que é certo e errado; acreditou que certos elementos quando combinados eram a chave para a felicidade e para o sucesso, a realização total.
Muito tarde para questionarmos aquilo tudo. Naquele tempo, você não aceitava opiniões alheias, então, repito, muito tarde, muito tarde para qualquer tentativa de interpretação agora.
Já não importa se eram teorias furadas. O que tem importância é o resultado. E eu pergunto-lhe, o que você ganhou com aquilo tudo dentro de si, na mente e no coração? Quais foram os lucros? Pergunto sobre ganhos internos, pessoais, individuais, indisponíveis. O que você tem agora em mãos?
Você não precisa responder-me. A minha vida não mudará em nada, nem eu. Isso não acrescentará coisa alguma em mim ou para mim. Responda para você mesmo, num dia de coragem, sentado, sozinho, sem ouvintes. Diz para você o que ganhou, enumera.
Muitos têm essa resposta que é só sua, mas a opinião deles pouco importa, como sempre foi, e isso não é ironia, nem deboche, no ponto em que você se encontra, acabará por fim entendendo que seu único inimigo foi você mesmo. Suas próprias concepções o mataram.
Era para ter sido leve... Era para ter sido gentil...
Talvez ainda existam sonhos. Penso que sim. Mas eles estão soterrados na amargura desta sua vida que parece uma corrida sem fôlego para lugar nenhum.
Penso que a única saída seria você esvaziar totalmente a sua mente e seu coração, como se nascesse de novo, e recomeçasse nu, leve, gentil. Você sabe, suas mãos estão vazias há muito tempo. Você sabe, você nada lucrou com tudo aquilo que carregou. É fácil. Basta aceitar o vazio que você se deu de presente ao longo dos anos enquanto culpava os outros por sua própria ruína.
Por Suzana Guimarães
terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
A MULHER SEM PÉS E SEM CABEÇA
Deveria ser conto, uma ficção, ou ser fato ocorrido em algum país onde a mulher é mero objeto, mas é verdade quase que debaixo dos meus olhos, ou seria debaixo mesmo?
Foi assim, eu vi, está lá, só não posso provar. Mas posso desenhar, contando o que vi:
Marido lindo posta fotografia da esposa também linda- sim, esposa, para não confundir, deixo claro, esposa -, no Instagram.
Marido lindo posta fotografia da esposa vestida (pelo menos isso!), com as perninhas de fora (belas pernas!), estendida numa cama (naquela posição que os defuntos ficam, estendidos, retos).
Marido lindo corta os pés e a cabeça da esposa na fotografia.
Marido lindo escreve: "Meu, todo dia".
Quando uma grande amiga do passado divorciou-se, ela me disse: "Você não viveria com meu marido nem por uma semana". Antes que eu pudesse abrir a boca para responder algo, ela completa, "Ah, você nem se casaria com ele!".
Mas tem mulher casando... e algumas ficam até sem pés e cabeça.
Por Suzana Guimarães
sábado, 23 de abril de 2016
Hahaha!
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Quando eu deparo-me com vidas certinhas, bonitinhas, perfeitinhas, enfim, tudo tão arranjadinho, sem cara feia, sem mau humor, sem o pó que desce sobre todas as coisas...aquela coisa de revista de sala de espera, onde há três mil fotografias impecáveis, eu duvido de tudo; até do nome da pessoa.
P.S.: A roupa fedendo fala tudo!
Suzana Guimarães
domingo, 17 de abril de 2016
ESQUECE
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| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Esquece a onda que bateu na praia. Esquece o barulho que fez. Esquece o frescor que alcançou seu corpo. Esquece a paz que chegou, e, principalmente, aquele riso. Esquece o riso. Esquece que houve alegria sem explicação. Esquece que você se sentiu feliz. Esquece, pelo amor de você mesmo! Esquece a suavidade da noite, a beleza das estrelas, a sensação de oásis. Esquece o que o fez esquecer do pouco amor, da pouca felicidade. Esquece tudo. Quando você nasceu, era só você e mais nada.
Suzana Guimarães
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