terça-feira, 12 de agosto de 2014

Labirintite ou Vertigo Posicional?



(desconheço autoria da imagem)



A primeira crise de Labirintite, eu a tive aos 17 anos, logo após saber que havia passado no Vestibular. Foram meses de estudo e muito nervosismo, principalmente no dia em que o resultado saiu. Na minha família sempre houve casos de Labirintite, daí, eu não procurei médico, já que os sintomas eram os mesmos. Tomei o remédio indicado que era o único no mercado farmacêutico. Ela durou cerca de dez dias. Após isso, voltei a tê-la, mas não durava 48 horas e não vinha de forma seguida. Cheguei a ficar anos sem Labirintite, mesmo em ocasiões em que passei por momentos de extremo nervosismo, dias complicados, vida agitada demais.

Quando eu tinha a crise tomava Stugeron 75 mg (nome fantasia). Os sintomas eram: fortíssima tontura, enjoo, perda de direção ao andar, dor de cabeça (às vezes, sim, outras, não), intolerância a sons altos e luminosidade. Nunca precisei ser internada em hospital e nunca vomitei.

Em 31 anos, muita história, mas nada que me deixasse preocupada. Apareceu um remédio chamado Vertix (nome fantasia) e eu experimentei. Ficava mais tonta ainda, o mesmo acontecia com outras pessoas da minha família.

Há dez anos, fiquei sabendo por um dos meus médicos da época, que Labirintite estava sendo tratada com Rivotril (Clonazepam). Eu já fazia uso dele por outros motivos e pensamos, o médico e eu, que, com certeza, eu não tinha mais Labirintite e enxaqueca porque fazia uso dele. O que é verdade. 

Entretanto, após uns 3 ou 4 anos sem Labirintite, comecei a tê-la por meses seguidos. Em 2011, por 42 dias. Assustei-me e tripliquei a quantidade de Rivotril. Um erro que não levou a nada. Ela se foi quando "quis". Em 2012, por 4 meses. Nesta ocasião, após a crise, sequer parei de fazer jiu jitsu de tanta raiva que fiquei. Eu ia às aulas e fazia apenas aquecimentos e treinos, não lutava. Eu sempre resisti à tonteira, aprendi a lidar com ela, a manter meu pescoço sempre esticado ao fazer certos movimentos, como por exemplo, para pegar coisas no chão ou no alto; eu acostumei-me a não dobrar a coluna para ir ao chão, acostumei-me a agachar-me primeiro para fazer isso. Em 2013, o pior ano da minha vida, eu não tive Labirintite.

No final de maio deste ano, ela chegou e ficou, dois meses. Uma pessoa da minha família estava igual a mim. E essa pessoa estava fazendo check-up. Um dos médicos pediu uma Tomografia. Ela, por conta própria, levou esse exame ao seu médico que estava tratando sua Labirintite, sem muito sucesso, com um remédio novo, Labirin (nome fantasia), Dicloridrato de Betaistina - 16 mg -; e ele disse, "Foi ótimo você trazer esse exame para mim. Você teve um pequeno infarto e um pequeno AVC há muitos anos, que, com certeza nem ficou sabendo, e que não deixou sequelas. Você não está com Labirintite. Precisa tomar um remédio para ralear o sangue". No segundo dia de uso do remédio, ela sarou.

Após relutar bastante, decidi procurar meu médico de família (nos EUA) para que ele me indicasse um caminho. Ele indicou-me uma clínica de ouvidos. Eu teria que procurar, depois, segundo meu médico, um neurologista, caso nada encontrassem. Mas, como tudo na vida tem seu tempo útil, dentre dez médicos, fui atendida por um que também é neurologista. E fala em Português. 

Fiz exames de audição, Ressonância Magnética e uma sequência de outros que visam analisar o balanço dos ouvidos. Não sei explicar sobre isso. A técnica em radio fez exames para analisar o grau de tontura, a qualidade dos ouvidos... ela me disse que pessoas com "Labirintite" ou não ficam tontas durante os jatos de água fria ou morna nos ouvidos. E que, preocupante e ruim é não sentir nada. Disse que algumas pessoas se entregam à tonteira e deixam de fazer as coisas, o que é errado. Disse que é preciso lutar contra. Resistir. Disse que meus ouvidos têm ótimo balanceamento, um muito bom, o outro, pobre, mas perfeito.

Daí, veio o diagnóstico do médico: eu não tenho, e provavelmente nunca tive Labirintite.

Na primeira consulta, percebi que ele iria esperar os exames serem feitos, claro, mas que ele não acreditava ser Labirintite. Disse-me algo que eu nunca havia ouvido falar: todos nós temos pedrinhas, calcificações, pequeninos cristais dentro dos ouvidos. E essas "pedrinhas" podem sair do lugar. A técnica em audio havia me explicado, elas se esbarram nos nervos e daí surgem todos aqueles males, acima citados. Há quem precisa passar por cirurgia para cortar esses nervos porque não consegue ter uma vida plena, ela disse. O médico disse que tenho Vertigo Posicional. Durante a crise, devo tomar remédios tipo Dramin, para viagem. Deu-me uma lista de exercícios para fazer em casa, e, se retornar, quando retornar, para eu ir à clínica. Para o quê? Para fazer os exercícios que também fiz com a audio, nos quais, ela tenta jogar as "pedrinhas" de volta para o lugar delas. Confesso: é cansativo, é torturante, mas eficaz. Sinto-me bem. Estou na fase de espera, não posso fazer os exercícios por agora, tive que dormir duas noites com vários travesseiros, não abaixar a cabeça, nunca deixar o corpo em posição reta, mas estou bem. Acredito que meus "internos cristais" tenham voltado para o lugar deles.

Labirintite existe, claro. Decorre de inflamação nos ouvidos ou de problemas outros, como os circulatórios. Porém, tenho agora que mudar o disco, a fala, não dizer mais "Estou com ou tenho Labirintite", algo que fiz por 31 anos, e, simplesmente dizer, estou com Vertigo.

As denominações às vezes importam pois são elas que nos levam aos medicamentos.


Suzana Guimarães