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| (desconheço autoria da imagem) |
sábado, 9 de novembro de 2013
DESILUSÃO
Se você prestasse para mim, cataríamos conchas nas praias para construírmos o castelo que nunca se ergueria, e então seriam eternas as conchas nos bolsos das roupas. Se você prestasse para mim, eu não perderia tempo pois estaria eternizada numa coletânea de fotografias feitas por você. Se você prestasse, eu não precisaria pedir a Deus todos os dias para você me esquecer, pois ando preenchendo meus vazios muito bem, sozinha, mas inteira, e não com os pedaços com que você me deixa. Se você prestasse para mim, eu não seria escritora, eu seria poesia andando por aí, calmaria, fundo de quintal, alguma fruta vermelha marcando um falso batom na boca.
Você não presta nem para erguer um reino de fantasia, muito menos para fotografias. Você presta apenas para eu confirmar minha eterna suspeita, a de que ser só é bem melhor.
Por que, já que você não presta, você está no meu caminho? Porque a vida é assim mesmo, e, na estrada, sempre haverá pedras pontudas que nos machucam, matinhos insignificantes que nascem e duram em qualquer canto, chuvas devastadoras ou que pingam em terra árida, e uma porção de insetos. Tem flor bela que dura uma semana, tem coisa boa, coisa ruim; um cem vezes de vontade de pegar outra via, de perceber que tudo não é mais como a gente conhecia.
Se você prestasse para mim, eu não estaria sempre querendo ir embora.
Por Suzana Guimarães
terça-feira, 5 de novembro de 2013
SOBRE JULGAMENTOS
Conheci muitos homens homossexuais nem um pouco 'frescos' e muitos homens heterossexuais que resumem bem a expressão "isso é coisa de viado!'. Pouco me importa a opção sexual, eu já escrevi sobre isso, mas me incomoda homens gazelas e mulheres que se fantasiam de homens. A visão dessa imagem 'distorcida' da realidade, eu finjo que nem vejo, para não julgar e também não levar a vida dos outros para dentro da minha.
Porém, imagino alguém lendo isso que escrevo, sentado numa poltrona, um homem de batom e vestido ou uma mulher de terno e chapéu, igual a uma que vi outro dia, atendente numa loja de instrumentos musicais. Imagino esse alguém triste, por um segundo que seja, pela total falta de compreensão ou tentativa de compreender um gosto, um delírio, ou mesmo um desajuste consciente, contudo, sem cura.
Daí, eu desisto dessa tentativa boba de opinar sobre a ' fauna' humana, há cores e espaço para todos, menos para a minha hipocrisia. Só posso mesmo dizer de mau ou bom gosto, ou, preferencialmente ficar calada.
Ando pensando nas pessoas suficientes, nas insuficientes e nas que aparentam ser uma das duas, mas só aparentam. O externo é lugar onde todo mundo passa, por isso é onde não costumo me ater, prefiro a caça ao interno. Ando pensando em tudo o que realmente me incomoda e me vejo sempre parada e triste diante de fatos onde é visível uma vontade oculta e perversa de atingir, entristecer, dar uma cutucada, no âmbito social ou familiar.
Provocar as carolas ou as putas, dá na mesma.
Ah, como adoro uma cutucada! Mas, além de só o fazer após ser provocada, até isso ando dispensando, só mesmo quando beira a água na borda do copo e eu me dou ao direito de ser incorreta. Inclusive, para isso, temos que nos dar chance: a de estarmos inteiramente inadequados, fora das aceitações. Permito-me agora a ofensa interna, silenciosa, só minha, que antes, eu, tão ética, não me permitia, como por exemplo, dizer 'sua vaca', 'seu viado', sorrindo.
Se você diz que estou julgando alguém, você também está julgando, a mim, então, estamos quites, um não é melhor que o outro. O que sabemos sobre o outro? Muito pouco. Apenas o que ele deixa revelar em partes. Mas, temos mania de toga, mesmo na hipocrisia de dizer não usá-la. Deixemos os julgados e os em julgamento para as Cortes, para os Tribunais, para os homens das Leis, nos casos de crimes assim entendidos como crime e não como preconceito ou implicância barata. E para Deus.
Por Suzana Guimarães
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
JURA DE FILHA, porque eu não vejo flores em pedras.
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Você não sabe, mas após sua partida, fiz jura, jura de filha.
Antes, a pedra arremessada, a pedra bruta, a pedra minha, a sua, a dele; antes, a dor do desvio, do choque, da certeza.
Após, agora, o pó. Fiz da pedra, pó. E penso se isso poderá melhorar minha cútis ou não. Nada mais, nada demais, tudo o que posso carregar: pó
Cansei. Não posso salvar todo mundo. Não quero aceitar beijo por dó.
Acertei o relógio da vida comigo mesma. Egoísticamente, vivo para estas horas, horas minhas, e de ninguém mais.
Enquanto eu o perdia, enquanto você partia, em sua partida, quando abaixo de mim, um chão se abria, a cada passo, a cada ato, no caminho em que eu ia, ao seu encontro, num tempo incontrolável, nas horas que seriam só minhas, miravam-me e muito pouco eu sabia, agora, sei.
Em sua partida, ousaram-me pedrinhas, como se pedras não fossem... quiseram beliscar minh'alma em chaga, ultrapassar os limites permitidos, pisotear solo sagrado, fazer da minha dor, desculpa.
Deixo-lhe aqui minha jura, cada um, pó que lanço aos ares, aos mares, ao sítio de todos os males.
Aprendi em um último momento, em um ano, um dia, uma hora, uma eternidade, aprendi a desviar-me, a evitar, a ignorar - a maior de sua herança, ignorar no osso, aprendi também a triturar, até ao pó.
Por Suzana Guimarães
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O IDIOTA
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| Suzana Guimarães, arquivo pessoal |
Eu procurava, ao telefone, justificar os atos dele.
Ela: é um idiota!
Eu teimava: foi por isso, foi por aquilo.
Ela: é um idiota.
Eu insistia: foi por a, b e c.
Ela: é um idiota.
Eu: pensando bem, ele pensou, entendeu, equivocou-se, adiantou-se...
Ela: é um idiota.
Teimei em procurar razões. Não há. É um idiota.
Por Suzana Guimarães
Nota: Texto publicado originalmente em "Eu disse que gostava de diários?", em 23 de outubro de 2013.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Um outono que não esquecerei
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| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Los Angeles, outono de 2013.
Querida Lunna,
Tenho provas de Inglês para fazer ainda nesta semana, uma pilha de roupas lavadas e secas para guardar, uma outra pilha de panelas em cima da pia esperando por minha arrumação... mas, fico aqui, num passeio inconsequente e sem destino pela Internet. Lendo não sei o quê, esperando o que nem imagino acontecer, e, eu não imagino nada. Não quero melhorar do meu luto, nem piorar, não quero nada, nada. Sinto fome, muita fome e sono. Parece que tudo isso que deixei de fazer por longo tempo, agora, ganha força e carência em mim.
Então, decidi escrever-lhe porque você ama cartas, assim como eu, mas, principalmente, porque tenho certeza de que essa será um vento a lhe cutucar de leve, um aroma de café, cheiro de hortelã. Qualquer coisa boa. Cá em mim, tudo cinza e triste, machucado e pisado. Pensaram, minha amiga, pensaram que a minha dor pela morte do meu pai era pouco. Daí, machucaram mais. No fundo, lá no fundo, eu rio, pois, diante da dor maior, as outras ficam desbotadas, frágeis, apesar de ainda obterem algum incômodo.
Dentro de mim, só desgosto, apesar de que ando socando-me e deixando-me socar no tatame. Apesar de que voltei às aulas na faculdade, de que estou procurando voltar à normalidade... apesar.
O pior ano da minha vida, 2013, assim evidenciado desde o seu início, e, eu, tola, não pensei que ele poderia ficar marcado a ferro. Comentei com você? Meu pai faleceu no dia do aniversário da minha irmã, 29 de setembro. Um mês após eu voltar para a minha casa, para a Califórnia, deixando-o, dentro do quadro de saúde dele, em bom estado, em casa. Aqueles dias no hospital foram sofridos, mas me levaram de encontro a ele. E eu agora choro a sua partida.
Um tempo lá, dois meses, outro cá, um mês, sendo que durante metade desse mês, ele esteve de volta para o leito do hospital, CTI e muito sofrimento. Eu, aqui, não sabia o que fazer. Queria voltar para ajudar, mas tenho meus filhos ainda crianças... de repente, a notícia, "venha rápido, ele está por poucas horas".
E aí seu mundo vira-se. Uma viagem às pressas Califórnia/Minas Gerais, como se fosse ali. Ali não existe, pois tudo é longe quando se está sofrendo. Mais duas semanas escritas num caderno amarelado de histórias... e eu de volta, já há uma semana. Como poderia eu desejar algo linear estando em curvas?
Por isso, a mínima vontade de ser, apenas estar. Estou aqui, estou onde preciso ficar. Estou para dentro. Estou sofrendo. Fiz-me em concha. Fechei as portas e janelas. Afastei intrusos. Estou no meu legítimo direito de amargar, sem desejar remédio, consolo. Meus colegas olham-me nos olhos. Algo que me dói. Fico à beira das lágrimas e só respondo "thank you, thank you", como se todas as palavras faltassem e faltam.
Falta tudo, Lunna! Uma brecha abriu-se, fiquei em pleno vácuo e não há sorrisos que me conquistem... crianças olham-me nos olhos e ficam sorrindo para mim, na escola da minha filha, não ouso devolver os sorrisos, pois sairão falsos demais, procuro por doces palavras, procuro uma doçura que se perdeu...
Com a certeza de que esta doação que faço de mim, em forma de carta, será abarcada, embalada, tratada como o mais raro dos brilhantes, eu me vou... e deixo-lhe um abraço.
Suzana
Por Suzana Guimarães
domingo, 20 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
UM TEXTO PARA MIM
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| (Desconheço autoria da imagem) |
"Eu queria ouvir algo que me enchesse toda..."
Aquilo que ouvi ontem, quero ouvir novamente amanhã, hoje, não, porque ainda não ganhou espaço ouvido abaixo e tudo aquilo que eu quis ouvir e que me enchesse toda e ficou feito ladainha íntima, mergulhada no mais fundo dos buracos dos meus desejos, tudo aquilo, precisa ser ouvido internamente milhões de vezes, como se fosse um eco. Quero o eco, quero que se repita em mim até a mais completa compreensão e assimilação.
Eu ouvi, ouvi, sei que ouvi. No entanto, parece que não. Parece que foi alucinação, delírio, sentidos exagerados... um sonho, uma voz, palavras de fantasmas, entes pequeninos, fadas, querubins, aquelas vozes que gritam nossos nomes, e ninguém gritou. Mas, eu ouvi.
Aquilo que ouvi ontem, eu poderia ter ouvido deturpado por minha eterna incapacidade de falar línguas estranhas... mas, eu ouvi na linguagem do berço, do antes do nascimento, aquela que me salva na hora da dor, do amor e da reza. Aquela que direi aos gritos, em pedidos de socorro, a minha língua. Ouvi, ponto. Hoje foi o dia da consumação do reconhecidamente escutado.
Algo que me enchesse... na hora, não encheu, passou célere feito um colibri, ventos daqueles que batem portas e se vão... algo que me completasse, que desenhasse o ponto final; eu pedi para ouvir, e ouvi. Não me encheu toda porque a vida é rápida demais e os ventos e os dedos de nossas mãos, e nossos pensamentos distraídos, despidos às vezes de preciosa concentração... Entrou em mim e ficou e repete delirantemente como se aquelas palavras fossem me deixando nua, da forma mais devagar possível, um despir em risos, lento, sim, porém, carregado nas entranhas de pressa contida.
Alguém disse e eu ouvi. Quero ouvir novamente até o meu último suspiro, mesmo que seja a mais tola de qualquer realidade humana, a mais comum, a mais infantil. Ouvi, e não quero que batam carimbo de reconhecido por todos, pois, bastou em mim.
Tempos atrás, escrevi, "eu queria ouvir algo que me enchesse toda...". Ouvi. Mas, ao contrário, deixou-me nua em pelo, arrepiada na alma, acordada, para ouvir de novo, vazia, bem vazia, só para poder passar a ouvir sempre, num amanhã sem fim.
Por Suzana Guimarães
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
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| (arte de Annabelle Verhoye) |
O que dói no meu amor corta-me inteira. Mas esse corte de nada vale, se valesse, eu daria meu corpo para ser desfiado.
Suzana Guimarães
Nota: deve ter sido um comentário, pois não me lembro dessas frases em meus textos, mas a minha querida Thelma Ramalho leu, gostou e guardou. Agora, publicou em seu Blog dois e dois são cinco.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Poema da graça
Cabe a você, desgraçada graça, transformar folha seca em broto, polir à exaustão seu íntimo sagrado e juntar em si todas as quedas a fim de se construir a ponte entre o que se pode prever e aquilo que realmente se toca.
Por Suzana Guimarães
Nota: texto encontrado nos rascunhos, com data perdida. Provavelmente, escrito há dois ou três meses.
domingo, 22 de setembro de 2013
"Eu tenho um homem para chamar de meu."
| Arquivo pessoal de Suzana Guimarães |
Dez razões para eu ter um homem para chamar de meu:
1. O tempo de casa, sendo um tempo mais de entendimento do que do contrário, conta de forma absurda, pois dá confiança.
2. Eu gosto de homem.
3. Eu gosto do homem que me deu filhos, para sempre.
4. Eu amo estar só, mas, repito, eu gosto de homem.
5. Sempre quando se faz necessário, você esfrega a imagem/presença desse homem na cara de quem merece.
6. E esse homem adora isso!
7. Qual o homem que não gosta de ser chamado de 'meu homem', e exposto em praça pública?
8. Todo homem é metido a rei, daí, a gente, de vez em quando, entrega a coroa.
9. É ótimo um homem guarda-costas!
10. A boca fica bem cheia ao falar: "eu tenho um homem para chamar de meu", e, os desafetos e desafetas engolem em seco.
Suzana Guimarães
Nota: texto originalmente publicado no Facebook, em 21 de setembro de 2013. Publiquei a fotografia e escrevi a frase: "Eu tenho um homem para chamar de meu.". Então, a Helena Lelena Terra, questionou-me: "E isso é bom, mais ou menos ou não recomendo?".
sábado, 14 de setembro de 2013
Talvez, amanhã, a gente se vá, como sempre foi - sobre o espelho
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| ( Desconheço autoria da imagem) |
O espelho chegou de avião, junto comigo, duas crianças, um lustre de Tiradentes, balas de caramelo, algumas camisolas, antigos livros mal lidos e pequenas xícaras pintadas à mão, dentro de meias de algodão. Pensei que ele se quebraria, até hoje, procuro por trincas... Está no meu quarto, mas já esteve na sala, ao lado da mesa onde, diante dela, sento-me todos os dias, a fim de contar histórias, para ver se este tempo passa, esta mágoa, este destempero de vida que seca a boca.
Cuidadosamente, eu o trouxe, como assim não me atrevia há anos, mas isso não significou desgaste ou preocupação. Um espelho que guarda reflexo tão límpido não macularia a minha alma, criança carente atrás de um brinquedo jamais encontrado.
Narcisa, estou, quase isso, mas não é isso. Diante dele, deixo de lado a bolsa, o chapéu, meus diamantes e as falsas pérolas. Há um tempo perdido em mim, e, diante dele, posso repassar tudo e nada. Enquanto vivo, e perambulo pelo quarto, remendando as camisolas, mordendo as balas ou simplesmente conversando com ele, esqueço, relembro, largo-o para depois voltar, aflita, em ânsia, porque, diante dele, meu reflexo se parece mantra.
Em um deslizar de troca, seduzo-o, abro dois botões da camisola, passo batom, olho-o nos olhos e vejo um mundo sério, um córrego, uma fuga, uma paz nunca alcançada. Ele sou eu sem contenção; eu, sou ele, contida. Sinto aroma de hortaliça, hortelã, eis meu batom... Nesse deslizar de troca, ele fala pelos poros e eu finjo não ver, ele parece querer se esconder, parece querer me ter, parece querer me ser.
Ele pensa que falo dele, mas, não, nem de mim, falo, apenas de nós. E falo e falo e falo. Calo-me para dormir, pois, dormindo, continuarei a lhe falar.
A ele, venho, porque vim, só por isso e isso é um mundo, quando esbarrávamos por aí, sem percebermos que nunca houve fronteiras, apenas a falta do reflexo, do lago.
Confesso, não sei onde deixá-lo, definitivamente, penso até em não mais vê-lo, ou em fingir não tê-lo, ou continuar nesta crença de que, diante dele, posso estender os braços e tocá-lo, sem sustos.
Penso nas horas, em noite calma, penso em tudo que falei para ele e ele para mim; ele não mente. Ele olha-me com medo, com ânsias de taquicardia, sem saber se sei mesmo quem ele é, ou, se sei mesmo quem sou eu.
Quando ele realmente chegou para mim? Incalculável contagem e sapiência.
Indizível, meu espelho, digo-lhe, é o lamento.
Por Suzana Guimarães
sábado, 31 de agosto de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
CONVICÇÃO
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| Imagem: desconheço autoria |
" Ela há de vir, envolta na sua finíssima palidez, e presente será ainda mais etérea do que o onirismo agora traz. De tão bela alvura, não a das flores nem a das nuvens, e sim aquela que faz inveja aos anjos. Não assusta por ser desconhecida, é antes uma nova fome com que me devoro, já saciado que estou de tempo. Virá branda e calma, nova mãe a me acalentar, a repor no lugar os delírios que pendem fora da alma, a aliviar o peso grande demais deste coração que carrego. Num relance colocará a minha frente a parca epopeia dos meus anos, soprará deles o cinza, e sorrindo dirá, mostrando as cores reaparecidas: nem custaram tanto a passar, não é? E eu convencido, me darei um meio sorriso como presente de despedida, já que sorrisos plenos não os tive durante a vida, e seguiremos juntos por alguns momentos, discutindo quem sabe, o lirismo que desperdicei. Depois, ela imponente e serena seguirá com seu sorriso tranquilo. E eu..." – (Dário B.)
Por Dário Banas.
domingo, 4 de agosto de 2013
MEDO DE SUZANA
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| Daniela Ferreira, em ar blasé |
Dizem que os homens têm medo de mim. Bem sei disso, minha inteligência corta-os em fiapos. É porque são burros, se o contrário fossem, fariam riqueza com os fiapos, conquistariam terras distantes. Sou a mulher que não se intimida por não saber, mas, cuidado, seja mestre ao ensinar, pois uma expressão arqueada o observará. Jamais lhe darei certeza de coisa alguma, pois não sou vaso de planta para ser arrastada, ora pra sombra, ora pro Sol. Sou qualquer grama, flor, matinho que se expande em terrenos férteis. E tenho dó dos que me imaginam galgando terrenos arenosos e secos. Busco quem me água. Choro por um, hoje, amanhã, renasço com a piscada de olho de um outro. Não são todos iguais, mas para mim apresentam-se sempre bem semelhantes. São todos muito certos de que, com eles, viverei os mistérios gozosos. Tenho dó; abre em meu rosto, cínico e pequenino sorriso, prefiro aquele que não tem certeza de nada. Ah, aprecio os verdadeiramente inteligentes! Fácil comprar pedaço de chão, carros e falsos quocientes de inteligência. Difícil pagar pela compreensão oriunda de fontes naturais. Sábios não fazem alarde, mas também não são toupeiras chocando pedras nos pastos.
Dizem que os homens têm medo de mim... Não, não se trata de medo, bem sei disso. Eles apenas sabem que sou tudo o que eles queriam ser.
Por Suzana Guimarães
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
O SANGUE NÃO É VERMELHO, é da cor da sua alma.
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| Imagem encontrada na Internet |
O sangue não é vermelho, é quase marrom, é quase roxo, é humano. Ele pinga num passar lento e eu vou à uma festa, logo mais, comemorar alguns poucos anos de vida... A bolsa de sangue, por horas, é tudo de bom que posso ver nesta vida quase maldita, quase porque a gente fica pendurado nela para testemunhar o outro. Somos testemunhas, o espelho, o documento assinado do nosso semelhante. Tão simples!
Uma pequena bolsa transparente dando sangue em gotas lentas... De quem é esse sangue? De alguém que se encontra em plena saúde e máxima doação, a máxima do amor. Penso que há muitos querendo doar mijo e cocô, enviados em papel de presente, nem que, para isso, gasta-se horas, fazer, colher, comprar uma caixa e um papel bem bonito... enviar, deixar na porta do outro, com votos de felicidades. Há quem envia bombas, também. Fotos de traição, sapo com a boca amarrada...
De quem é, não sei, só sei que, por horas, meus pensamentos, os melhores, são dele ou dela. Alguém prontificou-se a doar algo que nada custa... o que custa é o trabalho da locomoção, a picada da agulha, a espera, o tempo. Mas, tudo isso é apenas testemunho, seu ato para comigo diz quem você é e a lei da vida, de queixo na mão, aguarda.
Por Suzana Guimarães
domingo, 28 de julho de 2013
ANTÍDOTO
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| Imagem encontrada na Internet |
O inferno é aqui mesmo, planeta Terra. Gente certinha demais é venda falsa. Imposição é sinônimo de fraqueza. Tudo o que é belo pode se tornar horroroso, se mal usado. Generalizar é coisa de broncos. Ignorância e loucura são os maiores males do mundo. Quem é feliz não tem tempo para mais nada e quem é infeliz, só o é porque não sabe caminhar, e ninguém o ensinou, e, se houve oferta, houve recusa. Impossível separar o mundo em bons e maus. Quem se cala dá chance ao diabo de rir, cuidado, então, ele está ao seu lado... mas, cuidado também porque um pode virar o outro, troca de postos. Coisa normal e previsível. O céu existe: está dentro de você. Se parecer que não, segura sua cabeça, respira, saia de si, dá uma volta e volta melhor, mais tolerante consigo e com os outros.
Suzana Guimarães
Nota sobre a imagem: somos todos iguais.
SOBRE O SEXO QUE FIZEMOS
Sensação de sexo consumado. Fechando os olhos, dá para relembrar, sentir o odor, o gosto, calor... Sensação de sexo consumado, nó na barriga que se contrai, uma engolida seca... Constante sensação a velejar nas artérias, fluidez, sossego pós ato. Foi sexo, não foi? Um centímetro de distância, ai, isso ainda mata. Mata sem dor, sem sexo.
Por Suzana Guimarães
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