terça-feira, 8 de setembro de 2015

DESTE JEITO


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Pode ser rico, pobre, gay, heterossexual ou assexuado. Pode ser politizado ou não, culto ou burro; gordo, alto, nanico, pode ser feio de matar ou lindo demais. Pode ser ateu, religioso, beato com bíblia no sovaco. Por mim, pode ser o que quiser. Mas, perto de mim, em convívio, só ficam os educados, aqueles que agradecem, que pedem licença e sabem retribuir; e também os gentis e atenciosos. Gosto de gente que responde quase que na hora, se for na hora, eu gamo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Teatro, fome do real

(por SCG)



Parece teatro, talvez seja. Abre-se uma cortina e um cenário, e eu entro. Contraceno. Abre-se outro e mais outros e hoje mal entendo o que fiz empurrando todas as malas, ainda diante de mim, agora, vazias. Fiz uma longa viagem e outras pequenas; conheci pessoas; falei ao telefone com algumas; evitei várias; deixei-me à mercê de outras - quando houve preguiça de contracenar. Denominam isso de vida e é. Mas a sensação de que apenas pousei, passei ou mesmo deixei-me levar é imensa. Por isso, o teatro, fome do real. De verdade, fui faminta e voltei mais ainda. Real é o que em silêncio caminha dentro de mim, coisa oca, mas complexa, de tudo tem conhecimento e de tudo fala. Entretanto, não posso fazer morrer ou viver. Apenas carregar. E me dar por satisfeita.


Suzana Guimarães

sábado, 5 de setembro de 2015

SOBRE TIMES

(Arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Desde criança, sinto-me e sou livre. Herança de pai e mãe e algo que também considero de nascença, talvez anterior inclusive à existência atual. Daí, vem alguém e me diz que devo pertencer a um grupo, a um time - parece que soa bonito para essa pessoa a palavra "time". Eu que sempre circulei entre as pessoas não importando situação alguma, qualquer que seja ela, aos 49 anos, vejo alguém, mal me encarando, disparar a imposição de separar-me em grupo, de escolher, de ser leal, fiel, eternamente grata ao não sei o quê. Diante da minha recusa rápida em profundo questionamento, ouço uma conversa desconversada como se eu fosse louca, surda ou burra.


Ei, criatura, falta você caminhar tudo o que caminhou novamente. Depois, a gente se encontra e, quem sabe, toma uma cachaça e brinda. Enquanto isso, eu continuo o meu caminho. Sou de todos, sou do mundo, sou de mim mesma.



Suzana Guimarães​


Quem me ganha sabe o porquê. Seja lógico, racional, e olha-me com amor, com certeza, ganhará lealdade, o que quiser.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O que ficou claro: primeiro, exijo seu respeito. Segundo, respeito você. E, por fim, respeitamos, nós dois, o belo sentimento que nos seduz e une.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Jura

(por SCG)

R. Antonio Carlos, 279


Eu tinha oito, e te encontrei.
Tenho oito e te devolvo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015



Por toda a minha vida, eu ouvi a minha mãe dizer que meu avô repetia sempre, "Eu sou de quem me quer". Sempre aceitei isso como fato, mas penso que na teoria prática das coisas práticas da vida, eu era de quem eu queria e insisti nisso. Parecia mais lógico, eu decidiria de quem eu seria, a quem eu pertenceria. Hoje, retorno à frase do meu avô, cheia de orgulho, de cabeça erguida, percebendo com clareza que somos mais felizes, bom, pelo menos, eu sou mais feliz, sendo de quem faz questão de me ter. É mais fácil, mais legal, justo e honesto o jogo. O contrário disso é visão curta da vida, é teimosia. Eu não sei se teimosia encontra portas abertas...

Eu disse que gostava de diários?



Agosto lindo, 31, que termina aqui.

sábado, 29 de agosto de 2015


Ontem, voando sobre o Panamá, avião preparando-se para aterrisar, eu vi o mar, as ilhas, o Sol se pondo - já que agora meus filhos permitem-me o assento ao lado da janela -, eu vi a Terra em sua forma redonda, aquela coisa "Seria o céu um mar?", eu vi cores e as vibrações nas águas, vi também nenhum ser animal, vi apenas o universo e entendi naquele instante, de forma muito clara, que morrer ali não seria nunca desespero ou tristeza, e, sim, apenas esplendor. Pensei, "Se eu morresse agora, morreria feliz, feliz...". Um molhado nos olhos só confirmava. Eu tenho medo é de morrer na ignorância.



Suzana Guimarães

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Minha casa tem um cheiro que só ela tem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Desde criança, sempre me desviei de qualquer coisa que fosse contrária aos fatos e à verdade das coisas e das pessoas. E, claro, com o passar dos anos, isso só aumentou em mim. Talvez eu incomode muito mesmo - apesar de que quase nunca eu vou atrás de alguém para falar dessas coisas, das verdades. Talvez seja insuportável viver perto de mim, por eu ser assim, tão desprovida de ilusões tolas - mas sou uma pessoa muito alegre e tenho uma vida legal. Talvez eu não seja mesmo boa companhia - mas eu sempre tive a mim e isso sempre bastou. O que não concordo é alguém pensar que tenho que ser de outro jeito ou tentar fazer com que eu faça meus julgamentos dos fatos de outra forma que não seja a minha. Antes, eu respeitava o esclarecimento que eu tinha - um dom. Hoje, respeito isso e o caminho percorrido. Não cedo. Não troco meus princípios. Nem pelo maior amor do mundo. O maior amor do mundo só tem liberdade de voo dentro de mim se eu estiver em plenitude.

quinta-feira, 30 de julho de 2015


I miss my city, my street, my state, my crows in the trees, my table, bed, my bathroom, my house, my car, my fish, my flowers, my ways, my gi, keys, kitchen, pans, lights, sofa, chair, windows, my heat, desert, my confidence, my safe, my clear...certain. I do not miss my second language, only it!

July, 30
Eu não coaria meus pensamentos.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

E de tudo, a saudade mais intensa é de ontem mesmo, aos 48 anos. Uma longa viagem, um caminho esperado, uma rua principal - "lá perto de casa" -, ruas próximas à uma enorme catedral. Muito frio. Muito para dentro. Tudo intrínseco. Nada igual. Tudo conhecido como eterno, assim denominado. Certas coisas são para sempre, mesma que destituídas de razoáveis explicações.


Suzana Guimarães

sábado, 18 de julho de 2015

que não se explica...





​Foi assim que eu fui perdendo a minha identidade, morrendo toda noite e nascendo a cada manhã. Questiono se realmente é algo proveitoso termos alguma identidade, algo implicitamente desejado ou incutido como certo. É triste perder tudo e parecer de outro mundo - de tão inadequada -, mas é mais pleno, com certeza. Pertencer a nada e não possuir ninguém, muito menos ser possuída... parece-me que isso é cumprir o papel, um retorno ao início. Quando chegamos, de nada sabemos e vencemos esse momento e todos os outros posteriores. É a velha história, ou melhor, fato, coisa real: ser como tudo o que brota nos campos, alheio. Livre. Incomoda esse não pertencer, faz doer, mas retira toda e qualquer prisão.


​Suzana Guimarães​

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Eu quero falar um pouco sobre o meu país.


Meu filho está fazendo tratamento para acne. Aquele demorado, de seis meses. Para receber a próxima remessa de remédios, ele teve que fazer exame de sangue aqui e terá que enviar para o seu médico, nos EUA. É assim, acredito, no mundo inteiro. O pedido dele vem em painéis. A biomédica do Laboratório Hermes Pardini, via telefone e e-mail, destrinchou o pedido para mim porque cada laboratório tem a sua forma de realizar os exames. Ela os separou para fora dos painéis, traduziu e enviou os preços - são dezoito exames. Hoje, fomos ao laboratório. Gostei muito do atendimento, gostei demais! Um dos exames exige, aqui, no Brasil, que o paciente fique deitado por quinze minutos para repousar o corpo - algo que não acontece lá. Perguntaram-me se eu queria que tudo fosse traduzido. Hesitei por conta do preço, pensei em algo exorbitante, pois eu estava pagando tudo de forma particular. Podem acreditar? Dez reais. O preço. Dez reais. Ainda ofereceram a mim, que era apenas acompanhante, alguma bebida e pães de queijo. Nota 1.000 para este povo brasileiro que é bem maior que uma pequena parcela - nossos próprios irmãos - que nos roubam constantemente!


Julho, 17

quarta-feira, 15 de julho de 2015

ausência




a casa é a mesma
detalhes, não.
copos, talheres e edredons trocados. Algumas reformas pequenas. Espaços a mais.


sobre a mesa, jogo completo
onde falta uma carta
poderia não ser demais


Mas é pôquer sobre a madeira encerada. E é para nunca mais.​


(Suzana Guimarães)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sobre o Brasil, por mim


A terra é úmida e verde. As mulheres, vaidosas. Vejo esmaltes, diversos. Os homens são morenos, mesmo que sejam loiros, eles têm algo de morno, escuro, pouca luz, o andar de todos é sutil... os garçons são gentis, amigáveis, os copos das mesas são trocados, a comida tem sal, tem sabor. Tem tristeza, tem cansaço, tem estresse e pobreza, muita, mas tem o que eu sempre vi, um algo mais, que nos caracteriza e não se explica. É como se fôssemos uma outra raça, vindos de uma outra galáxia... as propagandas nas tvs são mais criativas, há uma falta de endereçamento certa, certo somente a boiada dispersa. Eu gosto. Sou eu. Só nascendo de novo para ser outra.

Suzana Guimarães

quarta-feira, 1 de julho de 2015



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Querido, eu não uso pessoas, eu uso coisas.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Segredo revelado


(Arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Quanto mais rezo, mais doido me aparece, mas eu tive grata surpresa no final deste semestre, algo muito, muito especial. Loucura de Deus. Eu vi. Bateu uma luz, um flash fotográfico, um silêncio no espaço, um instante; efêmero, rápido, leve, mas eu vi e vi tudo.