domingo, 19 de abril de 2015


(por Suzana Guimarães)


Uma vez anjo. Eternamente anjo. E pode este mundo revirar-se pelo avesso, os mares correrem para os rios, as aves cantarem somente ao meio-dia... Podem se desfigurarem todas as estações, e o Sol arder unicamente à meia-noite... Posso eu deixar de ser eu, e o anjo permanecerá anjo... meu e único absoluto. Vestido só para mim, vestido de humano... Meu.

(Suzana Guimarães)

sábado, 11 de abril de 2015

Você não sabe de quantas mortes eu vim.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sobre inspiração e carapuças


desenho, by Hilário


Quem escreve usa pessoas como inspiração, isso todo mundo sabe. Difícil para algumas pessoas, talvez a maioria, é entender que inspiração não significa o trabalho todo, uma totalidade ou mesmo a realidade de quem está sendo usado. Tudo que escrevo é para meu uso próprio, para me satisfazer, algo assim, de mim para mim mesma, sem intenção alguma de dar conselho, criticar, repreender, condenar ou mesmo amar eternamente. Dizem que sou a escritora das carapuças, mas não sou. Quem enfia suas cabeças, as enfia porque quer.

Suzana Guimarães

sexta-feira, 20 de março de 2015

SOBRE TUDO

Por Suzana Guimarães



Tudo o que me encantou também me calou. 
Tudo que falei perdeu seu valor.

​Agora, sou
​mudez,
porque ontem era mistério,
​hoje tudo muito bem desvendado.

Se sou feliz?


Não sei. Felicidade são só instantes. Sou plena porque então inteira.​


Suzana Guimarães

domingo, 8 de março de 2015

EM ÁGUAS

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Embalsamada minha alma...
Tranquei-me em luto branco
Fechei boca,
Ouvidos...
Entrefechei os olhos.
Os ventos secaram as lágrimas
O tempo ganhou

Fui para a praia
Areias brancas
Palmas brancas
Mar branco, céu branco, eu, um conjunto.

Atirei-me ao mar
Misturei-me às espumas
Entreguei-me às ondas

Sou silêncio.
O grito morreu faz tempo na garganta trancada.

Sou um som antigo...
Embala-me, mãe, embala-me.

Por Suzana Guimarães.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Ordinary World




A gente tem que transar agora

porque depois estaremos velhos

e eu irei te convidar para tomar sorvete

Não poderemos transar daqui a 20 anos

...



https://www.youtube.com/watch?v=TreNe5D8OXE

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sobre hoje...

(arquivo pessoal de SCG)


O inverno está entrando pelas portas abertas da minha casa e eu vejo o quanto a vida é breve, como é breve este instante em que me despeço de você; tão lento, tão seco, tão frágil.

O passado é o livro que a gente já leu.


Suzana Guimarães



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Em meu espírito, só eu caminho.

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)
Em meu espírito, só eu caminho.

(Suzana Guimarães)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Por que eu tranquei os blogs por alguns meses no ano passado?



Eu tranquei os blogs porque eu não queria mais que pessoas que conheci e conheço me lessem. Um dia, um estranho enviou-me uma mensagem, pedindo meus endereços eletrônicos - dos meus blogs - e eu me lembrei de que nunca escrevi para conhecidos, e sim, somente para mim mesma ou para qualquer um do mundo. Esse qualquer um do mundo é aquele que me lê uma vez de vez em quando na Suíca, no México, na Indonésia, Ucrânia, Romênia, Itália, Estados Unidos, Índia... e que eu nunca conhecerei, provavelmente, não. 

Escrever foi meu ato mais verdadeiro, após a maternidade, o mais demonstrativo da minha resistência. Enquanto resisto, escrevo; enquanto escrevo, resisto e existo. 

Eu reabri os blogs porque, através deles, sinto-me preenchida ao preencher instantes de pessoas que, silenciosamente, me buscam. 

Eu sempre quis que alguém me buscasse...




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

(fotografia por Suzana Guimarães)


Um viva ao amor verdadeiro! Se ela morre, ele sabe, "Nada de tristeza". Ele, "Pedirão um discurso." Ela está para rejeitar, quando ele diz, "Direi: de hoje em diante estarei muito ocupado, procurando uma pedra e um pato". 

Suzana Guimarães


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PÉTALAS RARAS, por Abraão Vitoriano

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)
(arquivo pessoal de SCG)



















Caminhos


"teus passos largos

meus silêncios


em qual rio

nus banharemos?"


Abraão Vitoriano, em "Pétalas Raras".


A riqueza das letras...
A riqueza de tantas almas que escrevem; a dádiva nos dada de usufruir, sorver, largar à parte - confortavelmente - o mundo ríspido e cruento.
A pluralidade. O vasto campo, um mundo sempre a ser descoberto... Abraão Vitoriano pegou-me de surpresa! Pensei que o livro se tratasse de prosa, encontrei poesia suave, poucas palavras que tão bem postas dizem vastidões indizíveis... "Culpa - tudo eu / tudo doeu". Nosso mundo visto de forma sucinta, porém, poética, doce: "Rotina - Abril chama Maio / E eu não te salvo".
"Prólogo - Entre mortos e feridos / Os amantes". Ah! Isso me fez sorrir!

Suzana Guimarães

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Espera aí! O que é pouco? O que é muito? Basta; sério?



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Pensando, pensando... Trinta dias é tão pouco, nem os vejo, assim como não vejo trinta pingos de chuva em meu corpo, sequer no asfalto. 'Vejam lá, o semáforo para pedestres abriu, vamos, corram!'. E ficam aqueles trinta no chão que os evapora... E sessenta dias? Também pouco! Noventa? Mais ainda. Pouco. Pouco e eu sei sorver um sorvete numa engolida só, sei muito bem fazer descer uma taça de bebida forte goela abaixo, sei receber amor e sei doar. Mas, seis meses também é muitíssimo pouco. Como pode? Vim das Crônicas de Nárnia, Luís? Conseguiu você analisar matematicamente a caixa de Suzana esteticamente posicionada no rasgo que desce pescoço abaixo? Não, eu sei. Em trinta, sessenta ou mesmo três vezes trinta dias, eu mal atravesso a rua, imagina então um inventário de mim, de nós, de tudo, das histórias vividas. Não posso! Vim de Nárnia. Converso com cavalos que sorriem para mim e fico sabendo das aventuras do mundo - eles sorriem, " Tudo mentira, Suzana, somos apenas pescadores de almas entristecidas banhadas em bronze, dos bem puros e duros!". Sou ficção, não galopo em noventa dias, imagina então em trinta? Seria mesmo isso? Sou espectro de gente, nado todos os dias nos mares da ilusão. Sou a palmatória do tempo. Bato nele quando ele corre? Contaram-me também, os cavalos, que em um dia alguns mudam de nome e país, atravessam a nado todos os canais do tédio. Ai, sou um fardo! Peso em mim, peso em você. Pesei o mundo. Mereço a morte através dos pontudos ponteiros de um velho relógio. Sei da potência de um dia, da força vibratória, do barulho que um corpo faz por dentro em dez minutos ou menos, certo, dois, três segundos...parece um ronco de motor, parece o eco de uma gruta trancada no mais profundo dos solos, de onde eu grito: como? Como podem sorver assim a glória e a desgraça da existência?


Por Suzana Guimarães



Nota: Publicado originalmente no Facebook, em 30 de dezembro de 2014, às 22:36.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Nota:


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Nota:


Aprendi com ele: não sou reação à ação de ninguém. Reajo quando bem entendo. (meu querido Dr.J.) 

Vivo por conta de meus próprios anseios, traumas, alegrias e conquistas. Calço meus próprios sapatos, não uso sapatos de outros pés de forma alguma - nem desejo isso! Não sorrio ou choro porque você fez ou não festa para mim. Tudo que falo, escrevo e faço é resposta do meu interior para qualquer um, salvo explícitas exceções. Normalmente, só faço o que quero e não me importo com o que você pensa. Finjo a maior parte do tempo; finjo que não estou vendo você alma adentro porque sua alma é sua e é você quem tem que cuidar dela. Amo quem eu quero e não me sinto com obrigação de dar explicações, nem para o meu amado, sim, amarei até quando eu assim desejar.

Aproveita tudo o que lhe pertence e seja feliz!

Eu continuarei agindo ou não de acordo com minhas vontades, mas não se esqueça, tenho corpo sensível, vejo sem precisar olhar.


Suzana Guimarães

quinta-feira, 13 de novembro de 2014



Vou ali. Por estar indo ali, não escrevo mais - por isso, o outro perfil está inativo -, o livro que comecei a escrever parou; não leio ninguém, não correspondo, não cumpro promessas. Não penso em pessoa alguma por mais de cinco minutos, não rezo, não sonho, não estou atrás. Vou ali e eu tenho esperado por isso há muito tempo, sem aguardar, contudo. Nada mais cabe em mim e eu não me caibo em mais nada. Sinto ânsia, vontade de gritar, já me perdi e me encontrei em cada segundo dos dias que passam... Desprezo o passado que tanto amo e só penso neste futuro de pouco tempo. O presente não existe, pois não existo mais dentro dele. Sinto muito, mas eu vou ali, talvez eu nada encontre; talvez, eu volte transbordando ou descubra que ter ido foi besteira: tudo estava a um palmo de distância de mim. Mas eu vou.

Por Suzana Guimarães



Nota: Publicação originalmente feita em 11/11/14, no Facebook, em minha página.

sábado, 8 de novembro de 2014




(arquivo pessoal de SCG)



Vai.
Toma o tempo, será senhora das horas mortas
Caminha.
Deixo-lhe a oferta:
Seguirá na força de um relâmpago
ou no passo de quem caminha?

Seguirei no passo de quem caminha, sorvendo toda a ânsia, pois eu tive toda a vida para poder caminhá-lo.

Suzana Guimarães.

domingo, 24 de agosto de 2014

E, então...


Novamente, venho para dizer que este espaço ficará por algum tempo inativo. Estou escrevendo o meu segundo livro e tudo o que chegar em mim será material para ele. Enfim, irei hibernar.

Obrigada a todos pela leitura.


Um abraço,


Suzana Guimarães


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

SOM EM LINHA

(Imagem: desconheço autoria)


Na sua mudez,
Ouço alto som.
Na sua mudez,
Compreendo o tom.
Todo o mais que não possa imaginar,
Em seu desequilíbrio equilibrado,
Em sua firmeza de uma única palavra:
Seca, polida, seca

leio frases...

Em suas frases,
Breves e curtas,
Curtas de medo, leio livros...
No seu silêncio,
Ouço te quero.
No te quero
Ouço te amo.
Sabotado,
De um não-amado.
Se você falasse,
Eu não leria.
Se você risse,
Eu não ouviria.
Se você me tocasse,
Eu não saberia.
Mas você não fala, não ri, não toca.
Você se cala.
Quanto mais cala
Mais fala.
Menos embaralha.
Eu queria que você me enviasse um livro
Pra embrulho.
Aí sim,
Eu saberia que você escrevia apenas uma linha.


Por Suzana Guimarães

Publicação original: 

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JUNHO DE 2010, em "O medo de suzana".

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Labirintite ou Vertigo Posicional?

(desconheço autoria da imagem. Encontrada no Google)

A primeira crise de Labirintite, eu a tive aos 17 anos, logo após saber que havia passado no Vestibular. Foram meses de estudo e muito nervosismo, principalmente no dia em que o resultado saiu. Na minha família sempre houve casos de Labirintite, daí, eu não procurei médico, já que os sintomas eram os mesmos. Tomei o remédio indicado que era o único no mercado farmacêutico. Ela durou cerca de dez dias. Após isso, voltei a tê-la, mas não durava 48 horas e não vinha de forma seguida. Cheguei a ficar anos sem Labirintite, mesmo em ocasiões em que passei por momentos de extremo nervosismo, dias complicados, vida agitada demais.

Quando eu tinha a crise tomava Stugeron 75 mg (nome fantasia). Os sintomas eram: fortíssima tontura, enjoo, perda de direção ao andar, dor de cabeça (às vezes, sim, outras, não), intolerância a sons altos e luminosidade. Nunca precisei ser internada em hospital e nunca vomitei.

Em 31 anos, muita história, mas nada que me deixasse preocupada. Apareceu um remédio chamado Vertix (nome fantasia) e eu experimentei. Ficava mais tonta ainda, o mesmo acontecia com outras pessoas da minha família.

Há dez anos, fiquei sabendo por um dos meus médicos da época, que Labirintite estava sendo tratada com Rivotril (Clonazepam). Eu já fazia uso dele por outros motivos e pensamos, o médico e eu, que, com certeza, eu não tinha mais Labirintite e enxaqueca porque fazia uso dele. O que é verdade. 

Entretanto, após uns 3 ou 4 anos sem Labirintite, comecei a tê-la por meses seguidos. Em 2011, por 42 dias. Assustei-me e tripliquei a quantidade de Rivotril. Um erro que não levou a nada. Ela se foi quando "quis". Em 2012, por 4 meses. Nesta ocasião, após a crise, sequer parei de fazer jiu jitsu de tanta raiva que fiquei. Eu ia às aulas e fazia apenas aquecimentos e treinos, não lutava. Eu sempre resisti à tonteira, aprendi a lidar com ela, a manter meu pescoço sempre esticado ao fazer certos movimentos, como por exemplo, para pegar coisas no chão ou no alto; eu acostumei-me a não dobrar a coluna para ir ao chão, acostumei-me a agachar-me primeiro para fazer isso. Em 2013, o pior ano da minha vida, eu não tive Labirintite.

No final de maio deste ano, ela chegou e ficou, dois meses. Uma pessoa da minha família estava igual a mim. E essa pessoa estava fazendo check-up. Um dos médicos pediu uma Tomografia. Ela, por conta própria, levou esse exame ao seu médico que estava tratando sua Labirintite, sem muito sucesso, com um remédio novo, Labirin (nome fantasia), Dicloridrato de Betaistina - 16 mg -; e ele disse, "Foi ótimo você trazer esse exame para mim. Você teve um pequeno infarto e um pequeno AVC há muitos anos, que, com certeza nem ficou sabendo, e que não deixou sequelas. Você não está com Labirintite. Precisa tomar um remédio para ralear o sangue". No segundo dia de uso do remédio, ela sarou.

Após relutar bastante, decidi procurar meu médico de família (nos EUA) para que ele me indicasse um caminho. Ele indicou-me uma clínica de ouvidos. Eu teria que procurar, depois, segundo meu médico, um neurologista, caso nada encontrassem. Mas, como tudo na vida tem seu tempo útil, dentre dez médicos, fui atendida por um que também é neurologista. E fala em Português. 

Fiz exames de audição, Ressonância Magnética e uma sequência de outros que visam analisar o balanço dos ouvidos. Não sei explicar sobre isso. A técnica em radio fez exames para analisar o grau de tontura, a qualidade dos ouvidos... ela me disse que pessoas com "Labirintite" ou não ficam tontas durante os jatos de água fria ou morna nos ouvidos. E que, preocupante e ruim é não sentir nada. Disse que algumas pessoas se entregam à tonteira e deixam de fazer as coisas, o que é errado. Disse que é preciso lutar contra. Resistir. Disse que meus ouvidos têm ótimo balanceamento, um muito bom, o outro, pobre, mas perfeito.

Daí, veio o diagnóstico do médico: eu não tenho, e provavelmente nunca tive Labirintite.

Na primeira consulta, percebi que ele iria esperar os exames serem feitos, claro, mas que ele não acreditava ser Labirintite. Disse-me algo que eu nunca havia ouvido falar: todos nós temos pedrinhas, calcificações, pequeninos cristais dentro dos ouvidos. E essas "pedrinhas" podem sair do lugar. A técnica em audio havia me explicado, elas se esbarram nos nervos e daí surgem todos aqueles males, acima citados. Há quem precisa passar por cirurgia para cortar esses nervos porque não consegue ter uma vida plena, ela disse. O médico disse que tenho Vertigo Posicional. Durante a crise, devo tomar remédios tipo Dramin, para viagem. Deu-me uma lista de exercícios para fazer em casa, e, se retornar, quando retornar, para eu ir à clínica. Para o quê? Para fazer os exercícios que também fiz com a audio, nos quais, ela tenta jogar as "pedrinhas" de volta para o lugar delas. Confesso: é cansativo, é torturante, mas eficaz. Sinto-me bem. Estou na fase de espera, não posso fazer os exercícios por agora, tive que dormir duas noites com vários travesseiros, não abaixar a cabeça, nunca deixar o corpo em posição reta, mas estou bem. Acredito que meus "internos cristais" tenham voltado para o lugar deles.

Labirintite existe, claro. Decorre de inflamação nos ouvidos ou de problemas outros, como os circulatórios. Porém, tenho agora que mudar o disco, a fala, não dizer mais "Estou com ou tenho Labirintite", algo que fiz por 31 anos, e, simplesmente dizer, estou com Vertigo.

As denominações às vezes importam pois são elas que nos levam aos medicamentos.


Suzana Guimarães