segunda-feira, 27 de junho de 2016

(fotografia: scg)




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Eu me despeço do mundo todos os dias.
Não é verdade que não penso na morte.
Penso sempre na morte,
Porque está entre as páginas do livro que fecho,
nas dobras dos lençóis em que me deito,
nos restos de comida sobre o prato.
Tudo morre a cada dia e ressurge glorioso
como um vaga-lume, uma borboleta, um escaravelho.
E dura o tempo que durar
sem se abalar com nada.

Eu me despeço da luz como se não mais a visse,
Me despeço dos sons que se aquietam,
Me despeço das formas que cessam de existir.

Me despeço dos templos e igrejas onde guardamos as imagens dos santos, que repousam ali eternamente.
Me despeço de horizontes sempre limpos, cujas montanhas à distância se alongam ao olhar.

Serei a última irmã das palavras para deixá-las partir.
O mar banha o contorno da terra, cercando-a de sua existência fluida.
Os corpos se chocam contra sua onipresença magnânima.

Aceno adeus à paisagem por ser minha e todas as coisas ditas e não ditas permanecerão acesas como fachos de luz no despenhadeiro.

Somos os irmãos das palavras porque as inventamos para os poemas que ousamos escrever.

Tudo é dito hoje e se apaga.
A palavra escolhida é o poema.

27/06/2016 - 2h42


Por Thereza Rocque da Motta

terça-feira, 21 de junho de 2016



Se um dia meus filhos me perguntarem com quem devem viver, eu responderei: Fica com quem abraça as suas loucuras com se fossem as suas próprias. O resto é tolice! Vai ser feliz com esse louco!

domingo, 19 de junho de 2016



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)




Tão irônico. Tão estranho. Você pacientemente aguarda num acúmulo de anos, para, um dia, descobrir que há um relógio esperando atitudes para ser movimentado, sim, e, que, a contrário de tudo imaginado à exaustão, ele encontra-se dentro, minha filha diria 'indentro', de si mesmo. Embora o longo tempo passado, a coragem, o caminho, a viagem. Embora a casa. Embora o relógio parado. A tarefa era somente caminhar e esperar. Esperar e caminhar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Então,

(imagem: Luís R.G.Meneghini)


Então, você pega a tal bandeira, qualquer denominação que queira, que melhor se encaixa para tudo aquilo, e carrega-a nos ombros morro a morro e depois, finca-a no chão - momento tão infinitamente esperado, e pouco importa se há alguma dor, se há algum sorriso, não importa nada! Você somente finca-a no solo. Pronto. Você venceu; e até a si mesmo.


Eu sempre disse que a vida não é um passeio alegre pelos campos.

domingo, 29 de maio de 2016

Sobre importar ou não...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


A partir de quando tudo o que você precisa fazer é conseguir respirar, a partir de quando todo o esforço é apenas isso e isso é tudo e o tempo se vai, você passa a não se importar mais com a importância. O que é mesmo que importa? Ah...

sábado, 7 de maio de 2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016



(scg)



Considerei melhor não olhar nos olhos; não por medo, covardia ou falsidade; Mas, sim, por desprezo. Aqueles olhos não merecem os meus dentro deles.

domingo, 1 de maio de 2016

Porque eu sei sobre você



Você tinha inúmeros sonhos, chegava a delirar por eles. Criou teorias, conceitos, paradigmas, uma tabela longa do que é certo e errado; acreditou que certos elementos quando combinados eram a chave para a felicidade e para o sucesso, a realização total.

Muito tarde para questionarmos aquilo tudo. Naquele tempo, você não aceitava opiniões alheias​, então, repito, muito tarde, muito tarde para qualquer tentativa de interpretação agora.

​Já não importa se eram teorias furadas. O que tem importância é o resultado. E eu pergunto-lhe, o que você ganhou com aquilo tudo dentro de si, na mente e no coração? Quais foram os lucros? Pergunto sobre ganhos internos, pessoais, individuais, indisponíveis. O que você tem agora em mãos?

Você não precisa responder-me. A minha vida não mudará em nada, nem eu. Isso não acrescentará coisa alguma em mim ou para mim. Responda para você mesmo, num dia de coragem, sentado, sozinho, sem ouvintes. Diz para você o que ganhou, enumera. 

Muitos têm essa resposta que é só sua, mas a opinião deles pouco importa, como sempre foi, e isso não é ironia, nem deboche, no ponto em que você se encontra, acabará por fim entendendo que seu único inimigo foi você mesmo. Suas próprias concepções o mataram.

Era para ter sido leve... Era para ter sido gentil...

Talvez ainda existam sonhos. Penso que sim. Mas eles estão soterrados na amargura desta sua vida que parece uma corrida sem fôlego para lugar nenhum.

Penso que a única saída seria você esvaziar totalmente a sua mente e seu coração, como se nascesse de novo, e recomeçasse nu, leve, gentil. Você sabe, suas mãos estão vazias há muito tempo. Você sabe, você nada lucrou com tudo aquilo que carregou. É fácil. Basta aceitar o vazio que você se deu de presente ao longo dos anos enquanto culpava os outros por sua própria ruína.


Por Suzana Guimarães

sábado, 30 de abril de 2016

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)




Não queira o que eu tenho. Você não sabe o preço que pago e jamais pagaria. Nem as minhas alegrias, você saberia vivê-las. Minha alma e meu corpo não o vestiriam muito bem.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Todos poderão matá-lo, mas só você mesmo poderá fazer suas ressurreições.

(Minas Gerais/Brasil, por Suzana Guimarães, via celular)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A MULHER SEM PÉS E SEM CABEÇA




Deveria ser conto, uma ficção, ou ser fato ocorrido em algum país onde a mulher é mero objeto, mas é verdade quase que debaixo dos meus olhos, ou seria debaixo mesmo?

Foi assim, eu vi, está lá, só não posso provar. Mas posso desenhar, contando o que vi:

Marido lindo posta fotografia da esposa também linda- sim, esposa, para não confundir, deixo claro, esposa -, no Instagram. 

Marido lindo posta fotografia da esposa vestida (pelo menos isso!), com as perninhas de fora (belas pernas!), estendida numa cama (naquela posição que os defuntos ficam, estendidos, retos).

Marido lindo corta os pés e a cabeça da esposa na fotografia.

Marido lindo escreve: "Meu, todo dia". 


Quando uma grande amiga do passado divorciou-se, ela me disse: "Você não viveria com meu marido nem por uma semana". Antes que eu pudesse abrir a boca para responder algo, ela completa, "Ah, você nem se casaria com ele!".

Mas tem mulher casando... e algumas ficam até sem pés e cabeça. 


Por Suzana Guimarães

sábado, 23 de abril de 2016

Hahaha!



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Quando eu deparo-me com vidas certinhas, bonitinhas, perfeitinhas, enfim, tudo tão arranjadinho, sem cara feia, sem mau humor, sem o pó que desce sobre todas as coisas...aquela coisa de revista de sala de espera, onde há três mil fotografias impecáveis, eu duvido de tudo; até do nome da pessoa.

P.S.: A roupa fedendo fala tudo!


Suzana Guimarães

domingo, 17 de abril de 2016

ESQUECE

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Esquece a onda que bateu na praia. Esquece o barulho que fez. Esquece o frescor que alcançou seu corpo. Esquece a paz que chegou, e, principalmente, aquele riso. Esquece o riso. Esquece que houve alegria sem explicação. Esquece que você se sentiu feliz. Esquece, pelo amor de você mesmo! Esquece a suavidade da noite, a beleza das estrelas, a sensação de oásis. Esquece o que o fez esquecer do pouco amor, da pouca felicidade. Esquece tudo. Quando você nasceu, era só você e mais nada.

Suzana Guimarães
_Está doendo onde?
_Aqui.
_Onde? Aqui? (E enfia o dedo).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Um poema quase findo...


(por Suzana Guimarães)



Trincou uma bombonière de cristal, ao longe. Leve som. Trincou o doce caramelado e também a porta antiga, essa, trincou no meu olhar, conjugou-se então um tempo verbal ainda desconhecido e eu me vi triste e submissa às horas quase mortas...

Trincaram os dentes da minha mãe, tantas e tantas vezes, e eu nunca pude ajudar, consolar ou amenizar... O tempo se foi e eu também tive meu sorriso trincado, entrincheirado na memória ardida. Trincou a maçã do amor - como era bela! Trincou o céu num tom bordô. 

... enquanto isso tudo era lindo, a grama muito verde e úmida... e pássaros cantavam amorosamente, em calmaria, enquanto as flores da cerejeira cobriam-me em véu. Tudo tão perfeito e silencioso! E dentro de mim, o mundo trincava-se. ​

As tábuas no chão tantas e tantas vezes encerado - e não mais, não mais! - fingiram trincarem-se enquanto eu as pisava... mas o som vinha do peito.

... enquanto isso tudo era lindo, as árvores tão verdes e frondosas... A menina corria feliz ao redor, respirando, sugando as flores todas que enfeitavam a casa... no chão, petúnias ainda vivas.

Embora trincadas todas as suas pétalas... embora a vida, embora o fogo, o mal e a bondade. Embora a enorme força de vontade.

O relógio trocou os lentos segundos pelo tempo do véu que despencou de mim, dentro da casa de tábuas corridas...

E toda noite, eu venho aqui para dizer sobre todas essas coisas, mas é sempre tarde.

E toda noite, eu venho aqui...

para estar novamente lá

Onde tudo ainda é lindo, verde no chão, azul ou alaranjado no céu que toda tarde arde em brasa...

embora eu ainda sinta o trincar do encontro.


Por Suzana Guimarães

Sobre filhos...

(arquivo pessoal de SCG)

Edifico um prédio de muitos andares, belíssimo, há mais de uma década... daí, surge um sujeito que nunca procriou ou criou alguém e me fala em casinhas de sapé.

Sobre a criação de filhos (biológicos ou não - distinção apenas para os que nada sabem a respeito).


Suzana Guimarães

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Então,

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Falar alto comigo não resolve porque eu começo a ficar surda, num processo interno, pensativo e interrogativo da razão da gritaria... daí, não escuto nada. Ofender-me com ruim Português é tolice porque eu irei parar nos erros e olharei para eles e mais nada, já que eu costumo corrigir mentalmente o tempo todo, inclusive os meus próprios. Fazer-me muita pergunta também - sem que tenha intimidade comigo -, é algo inoperante. Alcancei um estágio avançado de abstração e desconsideração para com as pessoas e situações que não me atraem ou que sejam hipócritas demais.

Beijo.