segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Os ventos sopram para onde bem querem...



Os ventos sopram para onde bem querem. A palmeira à minha frente é tão alheia... Esguia, balança-se superior... imagino seu tombo, penso em ventos fortes, da janela do meu carro tenho todo o tempo do mundo, todas as maldades e vontades de destruição... Mas a palmeira, apesar da sombra que dá, apesar da beleza que proporciona, inclusive alimento e abrigo para esquilos e pássaros, é partícula ínfima do todo e não sairá nem um centímetro do seu lugar e ela ainda ri das minhas tolices e grita junto com as maritacas, "Louca, louca, louca...".

Os ventos sopram para onde bem querem e essa palmeira, especialmente essa, que observo num sentimento de admiração e de aprendiz diz-me que os felizes nem sabem de ventos com suas rosas...

Pouco importa, norte ou sul, o mundo é um só multiplicado por ele mesmo.


(suzana guimarães)

sábado, 12 de dezembro de 2015

Não adianta jogar comigo. Eu não sei jogar.



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


(por SCG)


Eu não escrevo com extrema perfeição, contudo, bem melhor que muitos dos meus pares. Gostaria de fazer duas considerações:

1. Quando eu peço, comento ou recomendo uma escrita mais correta, não estou pedindo isso para mim, mas para o mundo. Entendo tudo, por mais errado, truncado ou incluso. Entendo até demais.

2. Comentam que minhas crônicas são escritas no Imperativo. Não são! Escrevo no Presente do Indicativo. O fato é: o brasileiro conversa o tempo todo no Imperativo, pensando estar sendo mais cordial e doce. Ele troca um pelo outro. Para ele, os verbos no Presente do Indicativo são mandatórios. O problema é: verbos na língua portuguesa são difíceis e a grande maioria também não quer aprender.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

SOBRE 2015


(por SCG)

2015 foi um ano bem pouco meu. Fatos importantes e sérios relacionados às pessoas que amo calaram-me bastante e eu pouco ri. Essa falta de riso chegou a incomodar-me. Mês após mês, desde janeiro, eu lutei para manter uma certa fleuma e consegui. Comprei em Belo Horizonte, no meio do ano, um ímã da Mafalda com a palavra "Concentração" escrita bem grande, comprei para deixar na porta da geladeira e diariamente firmar nisso, na capacidade que temos e podemos de controlar o externo e nós. Não controlar com absoluto afinco, mas pelo menos, com certa elegância. Então, eu saía pelas ruas "no salto". Nas duas vezes em que bateram na traseira do meu carro, eu saí do carro de forma calma, mas sempre houve, em todas as ocasiões a postura planejada, contida, sabe quando o corpo fica todo elegante para entrar em um ambiente requintado, em uma festa? Parece até que eu respirava menos. Parecia estar de cinta. Parecia que eu me sentava feito bonecas arrumadas na prateleira: pernas bem juntinhas. Minha fisionomia era o tempo todo de poucos amigos, ou melhor, de amigo nenhum. O que me faz sorrir hoje é que eu venci a tudo. Eu venci porque eu soube lidar, só isso. Nem tudo ficou como deveria ter ficado. Nem tudo se transformou em flores eternas, postas num vaso de porcelana das mais finas. Tudo continuou da forma que a vida é: flores morrendo, apodrecendo, secando e outras tantas nascendo. Apreciei muito todas as que caíram inertes no chão porque adoro a realidade das coisas e das pessoas. Apreciei mais ainda as flores que eu mesma ressuscitei. É, com certa ajuda dos astros, do universo, sei lá do quê - coisa chata isso de ter que ficar denominando tudo! -, a gente pode realizar milagres já que milagre é tudo aquilo que a gente pensa ser impossível e acontece.

Não farei lista para o ano que vem. Mergulho nele como se mergulha a caneta em uma folha de papel das mais alvas e deixa a tinta fluir...


Suzana Guimarães.



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães - fevereiro de 2015)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Só os fortes têm coragem de desistir.


(arquivo pessoal de SCG)

Segundo o dicionário, desistir significa: “Renunciar; não prosseguir em um intento, abrir mão voluntariamente de (algo); abster-se, abdicar e também deixar de estar ligado a (alguém).”

A primeira vez em que renunciei conscientemente foi quando eu tinha menos de vinte anos e renunciei a um namoro que agradava a todos, menos a mim. Lembro-me bem da cara de espanto da minha família (ele fez questão de contar antes) e da minha estranha sensação de inadequada e errada. Ninguém me obrigou àquele namoro. Na realidade, foi tudo planejado porque eu queria estar igual a todos os meus amigos, isto é, namorando, e só.

Fui olhada como a um animal raro, excêntrico e mau. 

Meses depois, meu pai, que nunca havia se pronunciado sobre, enquanto todos almoçavam, disse, “Parabéns por ter terminado aquele namoro. Aquele sujeito é muito burro”.

Poucas vezes, eu renunciei. Não é fácil renunciar e isso significa abrir mão de algo ou alguém importante para você.

Até escrever sobre é difícil, pois tenho que renunciar ao desejo de agradar.

Eu já renunciei à profissão sonhada, ao meu país... Renunciar ao país significa deixar para trás, sem ânimo de retorno, a língua, a comida, a família, os amigos, alguns costumes, os títulos, os anos de caminhada – o conhecer; significa cortar as relações sociais e profissionais (nenhuma rede social consegue suprir isso; nem mesmo a antiga e velha carta). 

Renunciar à profissão pode ser faca cortando para sempre, devagar, serra cega. 

Desde sempre, eu ouvi dizer que só os fracos desistem; que quem é forte teima e consegue e ganha a taça da vitória. Aos fracos ficam as desistências...

Pois eu, sem pestanejar, digo que estou renunciando. Serei maldosa e não direi ao quê renuncio. Direi apenas o que sinto: já não me importam a flor singela que nasce entre as frestas do concreto, nem o vento que traz notícias; não me importam mais todos os sinais. Eu não me atrevo mais, pego o que incomoda e sufoco até a morte, e escondo qualquer sinal disso ter feito. Parecerei alheia, sublime, altiva e esperançosa. Parecerei. Com o passar do tempo, acostuma-se.

Renunciar é encarar o rosto do outro balançando-se negativamente. É se sentir um perdedor, é ser o perdedor! Renunciar porque escolheu outro caminho não é renúncia. Renunciar – aquele que faz doer - , para mim, é dispensar, descartar, desistir para sempre. Se é desistência para retomar após um ano ou mais é tanta coisa... é leviandade, preguiça, redirecionamento, esperteza, burrice, maluquice, jogo, ardil, ou simplesmente, desejo de aventurar-se.

Eu falo de desistir para nunca mais, mesmo que doa, que se lembre para sempre. É estar diante da pessoa que você amou e que morre. É fim. 

Não tenham pena de mim porque eu não estou perdida. Nem triste. Eu apenas vejo pacificamente meu reflexo na poça d`água, quando passo, em direção às minhas opções, em frente ao mundo que contemplo; sabendo que tudo tem seu tempo de ser e não ser, até a singela flor por entre os buracos da calçada. Vou ao templo e a ele confio em pensamento as fases boas e más, a vontade de continuar e a de dar um basta. Não tenho que ser nada do que esperam de mim. Tenho direito à renúncia, ao não, mesmo que isso signifique sofrer mais tarde, pois sofrer é sempre, é antes, durante e depois do simples começar a existir. 

Para mim, aos fracos ficam a persistência improdutiva e enganosa. Ficam o desgaste físico e mental. A cobrança em frente ao espelho. A vontade de gritar e não poder. Aos fracos fica a segurança falsa porque, na maioria das vezes, aquilo a que se renuncia já estava encaminhado para assim ser . Aos fortes, fica a certeza de que chorar, perder, cair e nunca mais retornar é sinal de humanidade. 



Suzana Guimarães


P.S.: não era isso o tudo que eu queria dizer. Eu queria falar do silêncio ao redor e dentro.


_texto editado em 15/11/2016.

​Se eu escrevesse um tratado sobre portas, adiantaria?

(fotografia por Suzana Guimarães)
(fotografia por Suzana Guimarães)
(fotografia por Suzana Guimarães)
(fotografia por Suzana Guimarães)


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

MIGALHAS DE PÃO

(por Suzana Guimarães)


Obrigada, senhor de todas as coisas, senhor universal, pelas pessoas delicadamente retiradas da minha vida, obrigada, Deus.

​Insistente que sou, neguei-me a retirar a venda dos olhos, insisti em aceitar as migalhas   do pão - como se faminta eu fosse. Insisti no laço, no passado, no amargo. Insisti no pouco, no quase nada. Eu queria os nós, as fitas amarfanhadas, tudo que me mantivesse presa, agarrada, de boca aberta a esperar migalhas de pão.

Pássaros minúsculos alçam voos com essas migalhas. Em mim, por quase todo o tempo, pesaram iguais a concreto. Como são pesadas as migalhas de pão! Só sendo pássaro, só sendo vento, e eu não sou! 

Insistente que sou, apeguei-me à venda nos olhos. Delicadamente, como tu és, fizeste com que todas elas, entrepostas, caíssem uma a uma, assim como caem as maçãs de suas macieiras indiferentes.

Delicadamente, como tu és, mostraste que a luz para fora das vendas pode arder, mas será sempre luz, nunca escuridão onde almas desinfelizes gostam de atirar farelos de pão. 



Por Suzana Guimarães

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SOBRE CABELO CINZA, PRATA OU BRANCO - como você quiser, E VELHICE.

(arquivo pessoal de SCG)
(arquivo pessoal de SCG)



Após muito pensar, decidi deixar meus cabelos ao natural: branco, cinza claro e escuro. Para uma mulher, mulher brasileira, essa decisão não é fácil e muito menos tomada da noite para o dia. Posso, entretanto, dia destes, mudar de opinião, desgostar e pintá-los novamente. "Posso" porque sou livre e em meu corpo e alma mando eu. 

Entretanto, até agora, estou gostando muito de vê-lo, brilhando ao espelho. Sinto-me leve, desobrigada de retocar a raiz de vinte em vinte dias, no máximo. 

O que incomoda-me não é o cabelo tinto, e muito menos o cabelo prata, o que incomoda-me é a raiz branca. Detesto vê-la, mostrando-me que o tempo passou e eu a deixei ali, apontando-me "esse desleixo" a cada dia, cada vez mais... detesto essa mostra, "Veja, já se passaram vinte dias!", detesto porque o tempo passou faz tempo e isso é visível em minhas mãos, em meus pés, na dobra dos joelhos, em todo o rosto, no pescoço (ah, esse é o número um no quesito tempo que se foi).

Entre a minha paz de espírito e a raiz branca, optei pela primeira.

Após pouco pensar, deixo aqui o que penso sobre velhice com uma pergunta para começar:

O que nos envelhece, além do álcool, da má alimentação, do cigarro e da falta de moderação nos hábitos?

O que nos envelhece é a insistência em manter as aparências a qualquer custo. O que nos envelhece é mentir para nós mesmos, é inventar histórias felizes estando nossos corações machucados diariamente. Sim, todo dia, um pedacinho dele, a gente deixa alguém arrancar e, para mostrarmo-nos superiores, melhores, perfeitos, a gente cola com o cuspe, aquele mesmo que se criou em nossas bocas enquanto falávamos para enganar o mundo e a nós mesmos.

A grande tolice é inventar verdades, gastar esse cuspe, fazer essa colagem porque o que é verdadeiro prescinde de muito, salta aos olhos, todo mundo vê.

Por Suzana Guimarães.


P.S.: Texto carinhosamente escrito para quem me chamou de velha.  :)

sábado, 21 de novembro de 2015

EU O AMO


Eu o amo! Eu o amo, bem antes do saber, bem antes do conhecer; eu o amo por alguma obra do universo. Eu o amo e isso é tudo. É o tudo absoluto, o que basta. 

Seu silêncio mata-me diariamente, corrrói cada fibra que eu demorei vidas para construir... seu silêncio cala-me e junto cala as dores do mundo (nada é tão comparável ou supera!).

Seu silêncio é a fruta que vi e não comi, morta de fome. 

Seu silêncio é o calar do outro, igual a você!

Eu o amo. 

Eu o amo e isso em nada me diminui. Ao contrário, engrandece-me, assim como o broto que vira flor, assim como o rio que corre para o mar. Eu o amo! Sabe o que isso significa?

Significa que eu existo tão plena porque você, um dia, chegou e olhou-me nos olhos. Revelou-me a verdade. Vivo disso, do amor que vi em seus olhos.
Saiba,  quero que decore isto: eu o seguirei por toda a vida  e além dela. Eu estarei sempre pronta. Eu estarei sempre à espera. Estarei eternamente atrás do seu passo.

Porque, a mim, você é tudo o que me basta. Um segredo revelado antes. Um desejo antigo e pedido. Esperado e em meus braços.

Para sempre sua, até que você decida o seu último dia, e, mesmo assim, darei minhas existências, todas elas, só para o ter, por um segundo, dois, para sempre. Amém.

Por Suzana Guimarães

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Leveza




Leveza. Preciso desintoxicar-me do peso dos invejosos porque ambição pesa feito pedra.

Le-ve-za, mais nada para amanhã. Amém!


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

RECADO

(photo by Suzana Guimarães)



Sabe aquela história, sabe aquele filme que eu assisti? Não vi "The End", nem senti. Para mim, aquela história não acabou, melhor, mal começou. Hahaha! Deixo todas as cartas sobre a mesa e saio para ver o sol se pôr e se levantar.


Suzana Guimarães

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Ato de agradecimento

(por Suzana Guimarães)

Obrigada, Deus, por ter retirado pessoas do meu caminho, 

dos meus sonhos, 

da minha vida.
 Amém!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CINZA


(arquivo pessoal de Suzana Guimarães - Salt & Pepper hair)



"Cinza 

são as nuvens carregadas, trazendo emoção e vida.

Nos tons do relâmpago, no rugido dos trovões, 

todo cinza traz o verde na alma, verde de vontade. 
Cinza é toda nuvem que o vento não leva, mas que teimosa derrama o bálsamo ao que é seco."

quinta-feira, 12 de novembro de 2015



Novembro, 12


Certos atos ultrapassam a dimensão do sentido real de qualquer coisa que se possa fazer.
Perduram. 
Não têm preço. 
Não se apagam, 

aumentam de valor com o passar do tempo.


(Salvar uma vida é um deles)

terça-feira, 10 de novembro de 2015


Eu não tenho tempo para todos, e não o tenho nem para mim. Eu não elogio quando não gosto e também se eu não vi, lógico! Atualmente, vejo tudo muito pouco e quando vejo é de forma rápida. Não posso agradar a todos e da mesma forma não espero ser agradada todo o tempo. Eu morreria de ansiedade se vivesse esperando correspondências. Vivo paulatinamente, assim como respiro. Talvez eu esteja fazendo festa para ninharias - fazendo festa significa dando atenção -, mas isso não é culpa minha; é falta do encaixe perfeito do meu tempo com o seu. Talvez eu esteja lendo apenas o que não se acrescenta, mas a vida é assim: passamos metade dela ou mais importando-nos com o que não se deve importar.

Suzana Guimarães

P.S.: Por que eu haveria de construir uma única frase se posso me deslanchar num blá-blá-blá sem fim?


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


É melhor quando eu falo do que quando calo-me. Meu filho costuma dizer que eu brigo com todo mundo. Sim, brigo, inclusive comigo mesma, diariamente, porque é melhor quando eu falo do que quando calo-me. A palavra certa não seria briga, mas, sim, maus momentos, porém, se eu ainda estou dando-lhe atenção é porque você continua importante para mim - tem gente que nunca deixou de ser. Certa vez, alguém me disse, "Grande coisa estarmos bem ou não!". Nunca mais o vi, nem ouvi falar, restou a sombra da lembrança de uma memória excelente e só. Se você me valoriza, eu cresço e isso não significa dependência emocional; é apenas isso, eu cresço porque sou bem melhor se estiver servindo para fazer outros felizes. Costumo calar-me e isso soa antagônico, porque sou falante, entretanto eu sei calar-me temporária, breve ou eternamente. Melhor, eu falando, assim entendo. Triste é o silêncio do túmulo. Não! Nem esse. Triste é o silêncio do desconsiderar.


Em um ano que se finda...


Por Suzana Guimarães

sábado, 24 de outubro de 2015



(Arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Eu não ouço vozes, não sou esquizofrênica, mas é como se alguém tivesse soprado aos meus ouvidos surdos, "Vá de coração aberto". E eu, então, fui.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Cada vez que eu sorrio por alguém é como se Deus me abençoasse. Parece água benta.