domingo, 7 de junho de 2015

Do amor



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Há uma pessoa neste mundo que me emociona. Cava em mim túneis insondáveis. Arranca de mim um amor universal, dói em mim toda a dor do mundo e toda realização, pois é perfeita, assim, só para mim. Veio para ser minha e é, mesmo que um dia venha não mais querer. Porque não tem idade, nunca teve, atemporal, pois, eterna. Nunca vi ninguém assim, nunca vi ninguém melhor, com mais pureza; e dureza. Quando sofre, sofre em silêncio e me consome e me eleva e me faz lamber os esgotos onde a humanidade pisa. Nunca amei assim. Nunca soube o que era o divino em carne e osso. Respiro. Respiro-a. Inspiro. Essa pessoa saiu de mim. Essa pessoa veio para ser minha, mas não é. É posse da luz.

Por Suzana Guimarães

Para LRGM...


Nota: originalmente publicado no Facebook às 4h30min, de 7 de junho de 2015.

sábado, 6 de junho de 2015

sábado, 30 de maio de 2015

SOBRE O MEU PAÍS



Todas as coisas trouxeram-me até aqui, todos os fatos isolados e a conjunção deles. Eu tinha um armário lotado de casacos de inverno e não entendia para quê. Os fios de água alcançam rios que alcançam mares e ninguém presta muita atenção, mais ou menos assim foi se formando o meu caminho. Quando tudo mudou, eu nada vi, apenas ia, em frente, sem pensar muito. Cedo me disseram que tudo aquilo que precisa de muita reza para dar certo não presta. Nem houve reza! Tudo está em seu devido lugar e eu gosto de tudo do jeito que está. Contudo, aquele país verde, gigante, morno, de calçadas esburacadas, aquele país que joga na minha cara seu bafo quente assim que piso o chão do aeroporto de Belo Horizonte - ou que seja o chão de São Paulo -, e lança em mim seu cheiro inigualável, aquele país parece gritar, chamando-me, porque um ano passa, dois anos, não, agarra tudo na saudade. Eu amo a minha gente porque é minha, sou eu, e eu a entendo via poros, brilho nos olhos, e eu posso amá-la e odiá-la. Todas as coisas trouxeram-me até aqui e deixaram envelope selado e endereçado, para retorno.

Suzana Guimarães

terça-feira, 26 de maio de 2015

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Alguma coisa sempre há de incomodar. Às vezes, em doses pequenas, às vezes, em avalanches. Uma coisa atrás da outra incomodando. Um monte delas e você começa a pensar no sentido da vida. Isso até que você insiste com alguém na razão de um olhar tão triste... É quando nos alcança algo avassalador e nos cala. A moça de 19, "quase 20", diz, "Minha mãe morreu. Ontem. 40 anos. Câncer." Fim.

Suzana Guimarães



(Publicado originalmente no Facebook, em 25 de maio de 2015)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Rosa dos Ventos

Dica: quando eu disser que vou para o norte, me espera lá, mas pensa também no sul. E não se esqueça de que há leste e oeste. Quatro lados! Mas, pensa bem porque a Terra é redonda!

(Suzana Guimarães)

domingo, 10 de maio de 2015

Dias de calmaria...


Imagem: Daniela Ferreira


Indeterminado é tudo aquilo que não pode ser decidido, resolvido ou estabelecido... Determinado, claro, o contrário. E eu vejo o quão é determinado meu desejo de apossar-me daquela terra aprazível e chamativa, gritante, eco de desejos passados, todos eles. Determinada vontade de afundar-me nessa terra, como nunca antes, pela primeira vez e que seja essa a última, que seja, pouco importa. Mas, afundar sem escrúpulos, apalpar cada centímetro, vasculhar o que faz promessa; tocar o que chama, ardendo. Terra estranha que nada entende da minha língua. Água escondida. Céu que nunca vi. E voltaria eu lá, quantas vezes fosse a vontade, pouco importa. Indeterminado é o desejo de não prosseguir na caminhada, é parar antes da hora. Cansei de gozos antecipatórios. Quero morrer todas as vezes, na hora do grito - de todos eles - que ainda não dei.


​E assim eu estaria em dias de calmaria...


Suzana Guimarães

sábado, 9 de maio de 2015



Se acontecesse a loucura, eu não me importaria; se fosse loucura de Deus.

(Suzana Guimarães)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Suzana sem freios



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

Só agora dei-me conta de que estou há dezoito anos comemorando a maioridade. Fazendo contas, para esclarecer, tenho 48 anos, então, estou  desde os trinta anos bem pior do que eu era. Porque eu era bonitinha e boazinha e só de vez em quando eu surtava. Meus surtos não foram poucos, mas, para ser franca, ah, como engoli sapos! Hoje, dezoito anos após, sou prazerosamente madura e isso significa que não dou satisfações, não explico direito, debocho e espano a sua cara quantas vezes eu entender interessante porque, passando a vontade, abstraio-me e vou para onde bem quero; sem você no pensamento, claro, sem qualquer coisa. Viver de verdade é algo meio que ser nada, ser vento, ser à toa, ser mesmo qualquer coisa. E qualquer coisa é melhor que gente chata e pequena. É isto: sou maior de idade. Eu sei a minha. Você sabe a sua?


P.S.: perdi os freios. Não me socorra, por favor!

domingo, 3 de maio de 2015

O amor grande demais faz calar.

(Suzana Guimarães)

domingo, 19 de abril de 2015


(por Suzana Guimarães)


Uma vez anjo. Eternamente anjo. E pode este mundo revirar-se pelo avesso, os mares correrem para os rios, as aves cantarem somente ao meio-dia... Podem se desfigurarem todas as estações, e o Sol arder unicamente à meia-noite... Posso eu deixar de ser eu, e o anjo permanecerá anjo... meu e único absoluto. Vestido só para mim, vestido de humano... Meu.

(Suzana Guimarães)

sábado, 11 de abril de 2015

Você não sabe de quantas mortes eu vim.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sobre inspiração e carapuças


desenho, by Hilário


Quem escreve usa pessoas como inspiração, isso todo mundo sabe. Difícil para algumas pessoas, talvez a maioria, é entender que inspiração não significa o trabalho todo, uma totalidade ou mesmo a realidade de quem está sendo usado. Tudo que escrevo é para meu uso próprio, para me satisfazer, algo assim, de mim para mim mesma, sem intenção alguma de dar conselho, criticar, repreender, condenar ou mesmo amar eternamente. Dizem que sou a escritora das carapuças, mas não sou. Quem enfia suas cabeças, as enfia porque quer.

Suzana Guimarães

sexta-feira, 20 de março de 2015

SOBRE TUDO

Por Suzana Guimarães



Tudo o que me encantou também me calou. 
Tudo que falei perdeu seu valor.

​Agora, sou
​mudez,
porque ontem era mistério,
​hoje tudo muito bem desvendado.

Se sou feliz?


Não sei. Felicidade são só instantes. Sou plena porque então inteira.​


Suzana Guimarães

domingo, 8 de março de 2015

EM ÁGUAS

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Embalsamada minha alma...
Tranquei-me em luto branco
Fechei boca,
Ouvidos...
Entrefechei os olhos.
Os ventos secaram as lágrimas
O tempo ganhou

Fui para a praia
Areias brancas
Palmas brancas
Mar branco, céu branco, eu, um conjunto.

Atirei-me ao mar
Misturei-me às espumas
Entreguei-me às ondas

Sou silêncio.
O grito morreu faz tempo na garganta trancada.

Sou um som antigo...
Embala-me, mãe, embala-me.

Por Suzana Guimarães.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Ordinary World




A gente tem que transar agora

porque depois estaremos velhos

e eu irei te convidar para tomar sorvete

Não poderemos transar daqui a 20 anos

...



https://www.youtube.com/watch?v=TreNe5D8OXE

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sobre hoje...

(arquivo pessoal de SCG)


O inverno está entrando pelas portas abertas da minha casa e eu vejo o quanto a vida é breve, como é breve este instante em que me despeço de você; tão lento, tão seco, tão frágil.

O passado é o livro que a gente já leu.


Suzana Guimarães



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Em meu espírito, só eu caminho.

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)
Em meu espírito, só eu caminho.

(Suzana Guimarães)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Por que eu tranquei os blogs por alguns meses no ano passado?



Eu tranquei os blogs porque eu não queria mais que pessoas que conheci e conheço me lessem. Um dia, um estranho enviou-me uma mensagem, pedindo meus endereços eletrônicos - dos meus blogs - e eu me lembrei de que nunca escrevi para conhecidos, e sim, somente para mim mesma ou para qualquer um do mundo. Esse qualquer um do mundo é aquele que me lê uma vez de vez em quando na Suíca, no México, na Indonésia, Ucrânia, Romênia, Itália, Estados Unidos, Índia... e que eu nunca conhecerei, provavelmente, não. 

Escrever foi meu ato mais verdadeiro, após a maternidade, o mais demonstrativo da minha resistência. Enquanto resisto, escrevo; enquanto escrevo, resisto e existo. 

Eu reabri os blogs porque, através deles, sinto-me preenchida ao preencher instantes de pessoas que, silenciosamente, me buscam. 

Eu sempre quis que alguém me buscasse...