terça-feira, 20 de novembro de 2018


O amor separa os amantes.

Assis Freitas

segunda-feira, 19 de novembro de 2018


Não tomo Rivotril (clonazepam) desde 19 de fevereiro deste ano. Comecei a tomá-lo em outubro de 1995.

Pensei que não fosse conseguir retirá-lo até o dia em que tive um sonho: eu estava sentada diante de uma mesa de madeira, diante de R., no Marine da minha cidade. A minha boca estava cheia de comprimidos de Rivotril e eu tinha medo de engoli-los, mas, apesar do medo, eu não quis cuspi-los... eu os retirei um a um da boca... vagarosamente, paulatinamente, suave caminho da minha redenção, foi assim, devagar, lentamente... para nunca mais...

Ainda guardo frascos deles comigo, levo-os em minhas viagens...

Mas não me lembro mais, não preciso, não quero, não sinto falta...

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Nadas


Nadas

Porque não me disseste: para
porque não me disseste: chega,
porque não me disseste: parte,
eu fui ficando a teu lado,
levando adiante o acabado,
amando loucamente o desamor,
me desintegrando pelos cantos,
te vendo cada vez mais transparente
até nos tornarmos dois nadas.

*** Tuca Zamagna

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

terça-feira, 16 de outubro de 2018

NÃO AMO MAIS


Image may contain: one or more people and closeup
(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)




Aquele amor que eu tinha pelas pessoas morreu, transformou-se em ampla compreensão, passei a entender todos sob os seus pontos de vista, embora nunca em detrimento do meu amor próprio, mas aquele amor morreu.

Acredito que tenho amor amplo, pelo todo, e profundo e sem chances de estrago por meus filhos. E só.

Excetuando meus filhos, não amo mais ninguém, compreendo, entretanto e sempre, entendo, oro por muitos que nem conheço, dou atenção, ajudo, amparo, apoio, mas aquele amor morreu.

Não sei bem quando foi, com certeza, não foi de morte súbita. Arrastou-se coitado indigente faminto antes de se extinguir.

Não me importo. Olho as pessoas friamente, quando vistas individualmente, embora ame o todo. 

Não me iludo mais. Não espero. Não quero. Só compreendo.

Não tenho rancores, apenas sigo, em paz, tão estranhamente em paz que até me estranho. Mas sou eu, sobrevivente de inúmeros incidentes e acidentes. 

Sinto minha respiração controlada, meus nervos seguros, meu passo firme e sigo adiante... alegremente por não mais sofrer de amor, não ter amor, não me importar com quantidades ou qualidades dele.

Compreendo, podem esperar isso de mim, mas não amo mais. 

Aquele amor morreu.



(Suzana Guimarães)

domingo, 14 de outubro de 2018


Não pode responder agora, então vai.
Não pode ler agora, então vai.
Só pode ficar até tal hora, então vai.
Tem apenas trinta minutos, então vai. 
Tem agenda corrida, então vai.

Só não sei bem por que você veio.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Os ombros suportam o mundo.


“Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.”

Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018


Àqueles que gostam de ler meus blogs: Parei de escrever e não é por falta de vontade ou inspiração. Há muitos meses, perdi minha mesa na posição adequada, meu laptop (atualmente está dentro do armário de roupas), a visão que eu tinha, o sossego, uma certa rotina... isso tudo e o bater dos meus dedos no teclado impulsionavam a minha inspiração e por consequência a minha escrita.

Eu me mudei de endereço duas vezes em exato um ano, passei por uma cirurgia de recuperação demorada, fiquei semanas com a minha mãe e até hoje não alcancei meu laptop. Minhas constantes frases soltas são digitadas com um dedo (o médio) no meu IPad. Não tenho mais meu canto. É preciso certa estrutura material...

Beijos!

sexta-feira, 7 de setembro de 2018



Surto por nascença, por mania e porque não funciono bem diante de pessoas covardes, fracas e medrosas. Isso é irônico, meu blog se chama O Medo de Suzana... entretanto, Suzana se tratou. O blog deveria se chamar A Corajosa Suzana. Doa a quem doer... Realmente, com gente fraca só lido por caridade. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Não tenho pudores para dizer o que penso sobre aquilo que me dizem ao pé do ouvido. Por que as pessoas são tão contidas? Escuto e leio barbaridades que nunca serão divulgadas. Eu fui assim quando era criança, receiosa, contida, medrosa. Pra quê?

Aprendi a pular fora de tudo que é tóxico. Comecei pelo Rivotril. Se pude com ele, posso com qualquer coisa ou pessoa.


sábado, 30 de junho de 2018


Serena e descansa...

Assim eu me despedi de você, my darling... um ano se foi e eu não me esqueci; nem você. Pedi um sinal e você me deu dois.

Venta em breves segundos. Vento frio, rápido, refrescante. Assim deve ser você agora, intocável, etéreo, sopro de anjo, asas de Deuses... um afago no meu corpo esperançoso - aos vivos esse desconforto, as urgências, a calamidade de ser só.

A árvore do quintal gargalhou satisfeita, parecia prenúncio de tempestade, mas o céu firmou-se mais azul, por alguns segundos eu entendi a brevidade da sua dor diante da infinidade, sim, seu nome...

Volta sempre. Beija meu rosto... serena essas dores todas...


terça-feira, 13 de março de 2018


Quanto mais eu me aprofundo, mais descubro que o passado em nada me interessa.
Tudo virou bibelôs de vidro...


domingo, 11 de março de 2018

A lealdade é doce



Nunca fomos de todo amigas, mas quando foi preciso, ela foi leal a mim. Certas coisas, eu não apago ou esqueço, permanecem. A lealdade transforma o amargo em doçura. Fica a lembrança. Fica a gratidão. Não sou eternamente grata, há como se pagar quase tudo, menos lealdade.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018



Era um mundo muito grande e cheio de gente. 
Agora é pequeno e nele só cabe um.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O fracasso me trouxe até onde estou e isso é maravilhoso.


Image may contain: one or more people and closeup
(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Cada um carrega seu segredo jamais revelado.


Eu nunca vivi mais de dez anos na mesma casa. Tenho cinquenta e um anos de idade. Tem gente que mora, no máximo, no segundo endereço, e é mais velha que eu... frequenta a mesma praia, da mesma cidade, a mesma igreja, o clube de sempre. ​Usa o mesmo estilo de roupa, tem os mesmos amigos de sempre... isso é bom, mas, no meu caso, que, desde o nascimento, não paro, é um pouco difícil, claro, eu já tentei, cartas e mais cartas, atualmente, e-mails... mas a falta de contato esfria qualquer amor. 

Não sou volúvel. Estou casada com o mesmo homem há mais de duas décadas. Tive o mesmo cabeleireiro por vinte anos, tenho o mesmo médico angiologista, desde os meus trinta e quatro anos de idade, embora eu more há nove anos fora do Brasil. Eu também não me desagrado das coisas e por isso, mudo. Meu último endereço no Brasil foi o melhor que tive em toda a minha vida. Fui feliz e desinfeliz lá, vivi, eu, que me mudava de dois em dois anos, morei nesse lugar por seis anos. Faz pouco tempo que parei de relembrar, de molhar meus olhos por me lembrar... mesmo assim, quando vou a Belo Horizonte, paro o carro em frente ao prédio e choro.

Tenho bolsa de festa que pertenceu à minha tia-avó em sua juventude. Tenho casacos que comprei na casa dos trinta anos. Quase tudo que ganhei de presente de casamento, eu tenho até hoje.

Mas, em nove anos de Estados Unidos, estou em meu quarto endereço. Eu realmente não paro. Não sei se é sina, se é mania, não sei se são sonhos em demasia... Na mesma cidade, passei, em seis anos, por quatro academias de Jiu Jitsu. O último proprietário e professor disse que a gente só para quando está satisfeito. Pode ser isso. Pode não ser.

Eu as vejo, essas pessoas que se estacionaram faz tempo, eu as vejo como se eu estivesse dentro de uma bolha e elas não. Isso soa estranho. São elas que vivem em bolhas, nos mesmos círculos! Talvez, seja o movimento da bolha que faz a diferença... A minha bolha alaranjada, sim, ela é colorida, ela rola comigo dentro, e, dentro, eu também rolo. Há um brinquedo assim. Você entra em uma bola de plástico, gigante, transparente, e rola em uma lagoa preparada para isso. Penso que a minha bolha não patina em terreno preparado, ele é 'para preparo', "obras à vista", só pode ser.

Cada um carrega seu segredo jamais revelado. Esse é o meu. Desisti das respostas, mais ainda das perguntas.

Entretanto, apesar da existência mutável, eu permaneci quase a mesma, até dois ou três anos atrás.

Hoje, convivo com meu novo 'eu' como se tomasse chá, num fim de tarde, olhando-me, a nova se olhando, entendeu? A nova olhando a nova, a que tomou o lugar da velha que se foi, não existe mais. É um processo fantástico de descoberta. Talvez, agora, a bolha alaranjada esteja em águas seguras e cristalinas. Há um quê de cristalino em toda pessoa nova, não importando a idade.


Por Suzana Guimarães




Crônica originalmente publicada em: clica aqui e no Facebook

terça-feira, 16 de janeiro de 2018


Ela disse que vai ter uma rede (para balançar) quando se aposentar. Eu nem respondi. Fingi que não ouvi. Viver é arte difícil, fazer planos é que é fácil. Detesto lista de planos. Detesto o uso indevido da frase "Eu te amo". Detesto muita coisa, mas eu não vim falar disso. Então, ela disse que terá uma rede na casa dela quando ela se aposentar. 

Eu deveria rir disso. Bom, estou rindo agora. Lembrei-me desse fato porque fui à varanda pendurar a minha rede que acabei de tirar da secadora de roupas. Viver é arte difícil, fazer planos é que é fácil. Morar na praia, ter uma casa de campo, ter piscina no quintal... Eu tenho tudo isso, a rede, a praia, a casa de campo e a piscina no quintal (do condomínio, mas pertence a mim também, claro!), então eu sei do que estou falando. 

Eu só não tenho aposentadoria. Eu nunca pensei nisso, soa ruim, parece aposentar a vida. E eu não tenho planos, nem falo "Eu te amo" por falar. Não se trata também de frase sagrada e imortal; eu já deixei de amar algumas vezes, e de falar.

Quando eu me "aposentar", eu quero o que já tenho, pessoa para eu rir junto, com vontade, incontrolavelmente; para desligar a música ou o jogo somente para me ouvir, por desejar me ouvir mais ainda ou se cansar e dizer que se cansou, que eu sou uma chata, mas que sou bonitinha demais, apesar de chata e brava. Pessoa disponível ao toque, ao abraço, sempre disposta a sentar-se à mesa para me acompanhar na refeição mesmo que não coma nada. Pessoa que parece sempre tempo bom, céu claro, dia azul, descanso, rede, mar, um prado com uma única casa... E nos momentos ruins, quando o dia se fecha de escuro e fúria, que seja silêncio. 

Ela disse que vai ter uma rede quando se aposentar e eu deveria ter dito alguma coisa, mas a vida é uma caixa de remédio personalizada, cuja bula, também personalizada, não pode ser lida por outros olhos. Talvez, por exemplo, o que é rede para mim é aquisição que dá trabalho para ela.


Suzana Guimarães