"(...) Porque as pessoas desistem do que dói."
Solange Maia
| (Imagem: Isabel Maciel) |
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| (Suzana Guimarães) |
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| (Desenho por Ana Luísa Meneghini) |
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| (fotografia de SCG)
Meu coração é um voo em direção ao meu amor. Tenho força, tenho fé e coragem nesse arremesso aos céus e na aterrisagem mais que perfeita. Sou o ontem do seu amor. Sou hoje o seu amor. Voo porque eu posso amar. Mais livre que o voo é esse meu amor.
(Suzana Guimarães)
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| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
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| (fotografia: arquivo pessoal de suzana guimarães) "Para quem quer se soltar, invento cais Invento mais que a solidão me dá Invento lua nova a clarear Invento amor e sei a dor de me lançar Eu queria ser feliz, invento o mar Invento em mim o sonhador Para quem quer me seguir, eu quero mais Tenho um caminho do que sempre quis E um saveiro pronto pra partir Invento o cais E sei a vez de me lançar" Milton Nascimento para ouvir |
"Penso que você está para o verão em seus últimos dias quando o sol já se distancia e exibe no final do dia aquele vento que vem anunciando o outono e a paisagem se intensifica numa beleza natural exibindo aos olhos um entardecer intrigante que nos pede uma cadeira no meio do nada, um pouco de silêncio e contemplação. Pede ainda um cálice de vinho e o aconchego natural das palavras inventadas. Um olhar para dentro e uma compreensão íntima sem perguntas ou respostas."
Diurno Inacabado
Para a Suzana Guimarães, com estima e admiração
«Cabem-me nos passos da casa toda
o idioma tardio
o ido sopro do silêncio, a chuva
na mínima fogueira acesa por dentro
e por pegadas, no metal e pedra
a marca por lapidar no fogo branco,
a luz macia e baça que não se quer acrescentar ao dia.
Do lugar sonâmbulo que me traz por casa,
ainda a casa toda, trago
por vestígio de espelho o que hoje não me acordou,
e por dor passageira onde sou invenção do ventre
o cada instante que me sobra escuro,
e já não sou.
Cabe-me no peito o pássaro,
o mínimo vento da asa, aragem
o alicerce da casa onde os meus passos não me adivinham,
passada rápida, contrafeita
pelo tempo que foi, onde não estou
nem fui, nem me rejeita:
- Inventarei o traço convulso
no que por minhas pegadas me imagino que sou,
onde me cabem as sombras do todo o passo
cicatriz do dia inteiro por meu mínimo horizonte,
o pouco de meu corpo compasso
a medida itinerária, a desajeitada ciência
do que mais adiante será o resto do corpo,
do que não me cabe, nem trago ou sou:
- Esse arrumo, apenas um passo
do que antes foi meridiano da casa,
do traço do tempo que não me alterou.
É vestígio do passo, minha casa toda,
o meu lapso tempo
que trago por astro, peito adentro
é o lugar onde me invento, diurno
por defeito.»
Leonardo B.