sábado, 31 de dezembro de 2016
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Sobre amor
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
É preciso que seja belo, belíssimo, leve e certo; que seja inteiro, ímpar, distinguível de tudo já conhecido, um açoite na libido - moribunda. Que seja fácil, claro e concreto, isso, repito, que seja certo. Que seja profundo por ser urgente; verdadeiro por ser natural; plácido - lugar onde se deita e, se morre-se, é morte feliz.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Eu escreverei palavras de amor
Antes que a morte me alcance; ou a você.
Antes que anoiteça e eu renasça melhor, mais leve e mais bela, independente...
(Antes do passo do homem mau
e da paciência do bom em desfazer esse passo...)
Eu escreverei palavras de amor.
Eu escreverei palavras de amor para você para que a gente se salve, para que as mortes não nos assustem mais; antes que você perceba que tudo é em vão e essa é a ideia principal
E que, por ela, é que a gente vive, pelo nada.
Então, por nada, para nada
Eu escreverei palavras de amor. Beba-as.
Suzana Guimarães
sábado, 19 de novembro de 2016
sobre a foto que se apaga...
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| (Fotografia por Luís Roberto G. Meneghini, por celular) |
Expira suave, expira... calando-se em novembro, morrendo neste outono... das estrelas, dos infernos, das estradas, do ponto parado no infinito de todas as ideias. Expira suave, declina-se. Vai tão lento, tão infinitamente amado e desejado e dezembro o engolirá; suave.
Bafeja.
Suzana Guimarães
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Era a vida valendo a pena.
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| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Naquele tempo, o óbvio pautava nossos dias. O fundo da casa de dois andares era separado do grande quintal vizinho por um muro baixo. Naquele terreno ao lado, havia uma enorme mangueira, sempre lotada de mangas que pessoa alguma parecia colher, e havia ao pé da árvore um cachorro Pastor Alemão. Ninguém se atrevia a pular o muro e a vida transcorria. Não havia sofrimento ou mesmo algum pensamento mais forte sobre; era apenas um fato.
Não sei quando aquele cachorro ficou velho e passou a ser apenas presença. Não sei se foi substituído por outro e depois mais outro - eu ia lá somente nas férias.
Não sei quando passamos a não mais olhar as mangas e o cão.
Certa vez, alguém comentou que 'ele' não estava mais lá, mas ninguém acreditou. Alguns diziam que provavelmente ele apareceria surgido de algum canto daquele enorme terreno quase abandonado.
Não sei quando o desejo de todos por aquelas mangas passou.
Não sei quando, mesmo passando ao lado, eu já não via mais aquele muro.
Não sei quando a gente perde a simplicidade de apenas ser. Hoje, não me bastariam aquela casa, o muro, as mangas e o cão. Nem os primos, muito menos as férias... - apesar deste álbum de fotografias imaginário conceder-me um certo frescor.
Não me bastariam porque eu lotei a mim mesma de coisas vãs enquanto buscava o sumo em frutas nascidas no balcão do supermercado.
Suzana Guimarães
sábado, 29 de outubro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
SOBRE REMORSO
| (Suzana Guimarães - Desenho por Hilário) |
Dizem que não podemos lutar contra o gostar, pois eu penso que sim, podemos, sim!
Gostamos, amamos e odiamos de acordo com nosso querer e interesse... de acordo com o nosso estado, se propício ou não... de acordo até com o sistema de meteorologia. Um vento que bate forte e pronto, o que era lindo vira monstruoso, ou o contrário.
Só não podemos mesmo contra o remorso.
Remorso é uma terceira categoria, que vai muito além de purgatório e inferno. Remorso é senhor impiedoso, sem hora e consolo. Apunhala quando quer, o tempo que quer e não aceita esquivas.
Por Suzana Guimarães
terça-feira, 18 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Milagres
| (desconheço autoria da pintura/Arraial D'Ajuda, Bahia - Brasil) |
Por mim, de nada sei que não sejam milagres:
ou ande eu pelas ruas de Manhattan,
ou erga a vista sobre os telhados
na direcção do céu,
ou pise com os pés descalços
bem na franja das águas pela praia,
ou fale durante o dia com uma pessoa a quem amo,
ou vá de noite para a cama com uma pessoa a quem
/amo,
ou à mesa tome assento para jantar com os outros,
ou olhe os desconhecidos na carruagem
de frente para mim,
ou siga as abelhas atarefadas
junto à colmeia antes do meio-dia de verão
ou animais pastando na campina
ou passarinhos ou a maravilha dos insectos no ar,
ou a maravilha de um pôr-de-sol
ou das estrelas cintilando tão quietas e brilhantes,
ou o estranho contorno delicado e leve
da lua nova na primavera,
essas e outras coisas, uma e todas
— para mim são milagres,
umas ligadas às outras
ainda que cada uma bem distinta
e no seu próprio lugar.
Cada momento de luz ou de treva
é para mim um milagre,
milagre cada polegada cúbica de espaço,
cada metro quadrado da superfície da terra
por milagre se estende, cada pé
do interior está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
os peixes nadando, as pedras,
o movimento das ondas,
os navios que vão com homens dentro
— existirão milagres mais estranhos?"
Walt Whitman, in "Leaves of Grass"
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
domingo, 9 de outubro de 2016
PROMESSA
Quando eu o encontrar, terei um discurso completo, flores e alguns laços, mas entregarei apenas silêncio.
Continuo na vigília da noite. Carrego em mim todas as palavras. E nenhuma. Carrego em mim, a certeza de que o encontrarei, dobrando a esquina, atravessando a rua, ou mesmo parado, estático, na praia, lá onde as gaivotas se perfilam para ver o Sol adormecer. Carrego essa certeza como carrego a mim mesma. Sou aquela que ama fatos incontestáveis. E, para mim, você é fato e inconstestável.
É noite e eu pergunto-lhe: qual palavra poderia me alcançar? Nenhuma.
Você não carrega palavras, você carrega sua alma. Você carrega um som em torno de si: meu sussurro chamando-o. Sussurro eterno.
Por Suzana Guimarães
Nota: Texto originalmente publicado em:
http://omedodesuzana.blogspot.com/2011/09/promessa.html
sábado, 8 de outubro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
O destino do amor onde é.
| (fotografia por Luís Roberto Meneghini) |
Quem é para estar comigo está.
Caminha ao meu lado, diz docemente, olha assim também. Quem é para estar comigo não precisa ser convidado, convida-se; é.
Diz de amor e de clarezas
e eu ouço o cão ladrar, sinto os ventos do parque
_ estou sempre ao norte.
a grama parece mais verde, não; é, assim como quem está para estar comigo é,
Tudo parece uma festinha onde as risadinhas, poucos podem ouvir...
Quem não é para estar comigo,
a vida tratou de afastar
_ e a cada dia mais o sul se esvai...
Suzana Guimarães
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Nota
Após anos, decidi reabrir a caixa de comentários. Contudo, agora, "os comentários passam por um sistema de moderação. Não serão aprovados os comentários:
- não relacionados ao tema do post;
- com pedidos de parceria;
- com propagandas (spam);
- com link para divulgar seu blog;
- com palavrões ou ofensas a pessoas e marcas;"
- com luzinhas e pequenos corações saltitantes porque pesam a página.
Suzana Guimarães, Lily
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