| (Suzana Guimarães - Desenho por Hilário) |
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
SOBRE REMORSO
Dizem que não podemos lutar contra o gostar, pois eu penso que sim, podemos, sim!
Gostamos, amamos e odiamos de acordo com nosso querer e interesse... de acordo com o nosso estado, se propício ou não... de acordo até com o sistema de meteorologia. Um vento que bate forte e pronto, o que era lindo vira monstruoso, ou o contrário.
Só não podemos mesmo contra o remorso.
Remorso é uma terceira categoria, que vai muito além de purgatório e inferno. Remorso é senhor impiedoso, sem hora e consolo. Apunhala quando quer, o tempo que quer e não aceita esquivas.
Por Suzana Guimarães
terça-feira, 18 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Milagres
| (desconheço autoria da pintura/Arraial D'Ajuda, Bahia - Brasil) |
Por mim, de nada sei que não sejam milagres:
ou ande eu pelas ruas de Manhattan,
ou erga a vista sobre os telhados
na direcção do céu,
ou pise com os pés descalços
bem na franja das águas pela praia,
ou fale durante o dia com uma pessoa a quem amo,
ou vá de noite para a cama com uma pessoa a quem
/amo,
ou à mesa tome assento para jantar com os outros,
ou olhe os desconhecidos na carruagem
de frente para mim,
ou siga as abelhas atarefadas
junto à colmeia antes do meio-dia de verão
ou animais pastando na campina
ou passarinhos ou a maravilha dos insectos no ar,
ou a maravilha de um pôr-de-sol
ou das estrelas cintilando tão quietas e brilhantes,
ou o estranho contorno delicado e leve
da lua nova na primavera,
essas e outras coisas, uma e todas
— para mim são milagres,
umas ligadas às outras
ainda que cada uma bem distinta
e no seu próprio lugar.
Cada momento de luz ou de treva
é para mim um milagre,
milagre cada polegada cúbica de espaço,
cada metro quadrado da superfície da terra
por milagre se estende, cada pé
do interior está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
os peixes nadando, as pedras,
o movimento das ondas,
os navios que vão com homens dentro
— existirão milagres mais estranhos?"
Walt Whitman, in "Leaves of Grass"
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
domingo, 9 de outubro de 2016
PROMESSA
Quando eu o encontrar, terei um discurso completo, flores e alguns laços, mas entregarei apenas silêncio.
Continuo na vigília da noite. Carrego em mim todas as palavras. E nenhuma. Carrego em mim, a certeza de que o encontrarei, dobrando a esquina, atravessando a rua, ou mesmo parado, estático, na praia, lá onde as gaivotas se perfilam para ver o Sol adormecer. Carrego essa certeza como carrego a mim mesma. Sou aquela que ama fatos incontestáveis. E, para mim, você é fato e inconstestável.
É noite e eu pergunto-lhe: qual palavra poderia me alcançar? Nenhuma.
Você não carrega palavras, você carrega sua alma. Você carrega um som em torno de si: meu sussurro chamando-o. Sussurro eterno.
Por Suzana Guimarães
Nota: Texto originalmente publicado em:
http://omedodesuzana.blogspot.com/2011/09/promessa.html
sábado, 8 de outubro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
O destino do amor onde é.
| (fotografia por Luís Roberto Meneghini) |
Quem é para estar comigo está.
Caminha ao meu lado, diz docemente, olha assim também. Quem é para estar comigo não precisa ser convidado, convida-se; é.
Diz de amor e de clarezas
e eu ouço o cão ladrar, sinto os ventos do parque
_ estou sempre ao norte.
a grama parece mais verde, não; é, assim como quem está para estar comigo é,
Tudo parece uma festinha onde as risadinhas, poucos podem ouvir...
Quem não é para estar comigo,
a vida tratou de afastar
_ e a cada dia mais o sul se esvai...
Suzana Guimarães
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Nota
Após anos, decidi reabrir a caixa de comentários. Contudo, agora, "os comentários passam por um sistema de moderação. Não serão aprovados os comentários:
- não relacionados ao tema do post;
- com pedidos de parceria;
- com propagandas (spam);
- com link para divulgar seu blog;
- com palavrões ou ofensas a pessoas e marcas;"
- com luzinhas e pequenos corações saltitantes porque pesam a página.
Suzana Guimarães, Lily
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
sábado, 24 de setembro de 2016
Sobre ele
Ele disse que encontrará uma mulher em um país estranho, aprenderá sua língua e com ela se casará.
Ele diz coisas que eu gosto de ouvir.
Suzana Guimarães
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Labirintos
"Já não escondo
a face
nem o deserto destes olhos
os labirintos, estes misteriosos
labirintos
que ondulam, espirais de desgosto
seca-se a terra deste corpo, (este corpo)
siga-se cada ruga
enclausurada neste rosto.
_ imagens de instantes coalhados
prisioneiros do silêncio de tantas escutas
nos labirintos da interminável noite
intentos de cravar estrelas
intentos de encontrar as esporas da madrugada
e ferir o dia
na dor da espada
e
flor."
Por Elke Lubitz
AUSÊNCIA
"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."
(Vinicius de Morais)
sábado, 20 de agosto de 2016
You can not fight city hall
Alma lavada, hoje. Esquecendo o jogo horroroso em Belo Horizonte, em 2014... esquecendo. Não foi um jogo roubado. Também não foi belíssimo, mas eu sempre busco o fim e pouco presto atenção aos meios... Foi um jogo onde os dois times queriam ganhar e jogaram bem, apesar do placar 1x1 ser algo pobre. O time alemão tem meu respeito. Jogou limpo. As faltas são faltas normais de um jogo legal. Não vi gente caindo à toa. Vi jogadores se levantando rapidamente. E o Neymar que eu, particularmente, eu, repito, eu nunca vi jogando nada que presta dentro do Brasil, fez bonito, correu atrás da bola, deixou claro aos adversários e ao goleiro que ia entrar naquela trave. Feliz. Resultado adiantado, mas cheio de esperança, feliz por tudo ter caminhado bem. Amém. Eu nunca fui a favor de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, mas, a partir do momento que disseram que haveria, sim, de qualquer jeito, eu cedo e recuo e torço e aplaudo porque "You can not fight city hall".
Por Suzana Guimarães
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Falando por mim...
![]() |
| (por R. Meneghini) |
"já desejei coisas e pessoas. já conquistei pessoas e coisas. errei e continuo errando, mas sempre querendo acertar. conheci pessoas únicas, as quais jamais esquecerei. já chorei por amor e ri à toa por causa deste mesmo sentimento. carrego, suporto, insisto - e pago alto preço por isso. falo e faço bobagens, das quais geralmente não me arrependo. sou incompreendida algumas vezes porque sou dona da verdade - a minha pelo menos.
sou tolerante até certo ponto. explodo quando não me sinto obrigada a engolir o que me incomoda. sofro além da conta com o sentimento de perda, embora perder nem sempre signifique derrota ou subtração. a gente só precisa encarar a frustração ou trauma (ou sei lá o quê) com coragem, mesmo que o peito sangre e os olhos chorem oceanos, pois o tempo se encarrega de mostrar se aquele sofrimento era ou não superestimação do acontecimento e também de colocar tudo em seu devido lugar. depois, tantas vezes, a gente acaba até rindo de nosso próprio drama.
o fundo do meu poço, moradia vez em quando necessária, me acolheu sempre de braços abertos. emergi com a força devida para continuar, pois não há dor que perdure.
tolero os sarcásticos e divirto-me com os idiotas. detesto gente fútil. detesto gente hipócrita. detesto gente egocêntrica. detesto detestar, mas nem sempre há outra escolha, então, detesto. mas não odeio - ódio é sentimento muito pesado para carregar. permito-me ficar sozinha - revigora - , mas detesto solidão. nasci para interagir. gosto de observar. detalhes são importantes para mim. não suporto ser julgada. não admito ser desrespeitada. acho que minhas entrelinhas dizem mais a meu respeito do que as próprias linhas (embora aqui eu não as tenha economizado). alternando entre o sim e o não, tento ser feliz.
guardo situações, palavras e gestos com extrema perfeição. falo palavrão, mas também sei manter a classe. às vezes, quando poderia falar, me calo (porque nem sempre vale a pena dizer o que se pensa). me apaixonei inúmeras vezes, amei poucas. sei que fui apaixonante para alguns, amada por outros. viver pela metade? não aceito. em cima do muro? não dá. a gente precisa tomar partido, ter opinião, saber o que não quer. sou intensa, sofro por isso. se me prometer algo, por favor, cumpra - a decepção muda, e muito, minha forma de ver uma pessoa.
a vida bem que poderia ser cor de rosa o tempo todo, mas não é. portanto, ou aprendemos a conviver com quem somos e com a pluralidade que nos cerca, ou viveremos cheios de questões mal resolvidas, nos tornando pessoas amargas, repletas de doenças da alma."
Por Sandra Amélie
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Sobre intolerância e os jacus (que me perdoem os pássaros)...
| (desenho, por Hilário) |
Tenho opiniões bem formadas sobre vários assuntos, mas eu as guardo para mim; no máximo, talvez, saibam delas meu marido, minha mãe e filhos. Ninguém mais. Triste ver a imagem da atleta com traje de competição de seu país passando pelas redes sociais - a moça toda vestida jogando vôlei de praia contra a outra, de bíquini -, e mais triste ainda ler alguns comentários. Ela é uma atleta e está no Brasil para competir. Poderiam falar apenas do desempenho dela, seria melhor.
Talvez, não sei, assim como eu, ela comenta, entre seus íntimos, sobre as mulheres de fio-dental nas praias cariocas... A partir do momento em que a minha liberdade não está sendo ofendida e nem a do outro, tudo é aceitável e é o ideal. Tolerância ao que nos é diferente é sadio. O resto é falta do que fazer. Melhor a pilha de pratos para lavar. Nada contra, também. Albert Einstein, pelo que já li, gostava de lavar a louça suja na pia para liberar a mente.
Difícil, eu acredito, é estar diante dessas mulheres, frente a frente, sendo colegas de trabalho ou de escola, ou vizinhas, e recitar estes discursos hipócritas e preconceituosos na cara delas. Tenho colegas na faculdade vestidas com seus mantos e eu as olho e tudo o que eu quero e faço é apenas retribuir aos cumprimentos sinceros, sorrir também, trocar informações, fazer os trabalhos, enfim, estar diante delas como estaria diante de outra vestida igual a mim. Eu não quero me intrometer naquilo que não é da minha conta! Engraçado, diante delas, não vejo nada demais porque o que elas me transmitem é segurança em suas próprias vidas; boa ou má, vida é vida, é algo inconstante, hoje está ótimo, amanhã, péssimo e ninguém desse jogo escapa.
A impressão que ficou em mim é que, para muitos, no Brasil, é a primeira vez que veem algo assim, feito os "jacus" (que me perdoem os pássaros!), que na minha terra significa gente que nunca passou dos limites do quintal de sua casa e de nada sabe, nada viu, nunca viu e quando vê, olha perplexa. Pelo menos, que eu saiba, até esses guardam para si seus "sustos". Melhor do que sair por aí, escrevendo asneiras.
Suzana Guimarães
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Assinar:
Postagens (Atom)





