segunda-feira, 9 de março de 2015

Sou muito mais Zelda do que Frida.



(Zelda Sayre Fitzgerald, imagem e obras - Net)



Admirei Frida Kahlo, ou melhor, admiro. Admiro sua arte e irreverência e também a força que usou contra as dores físicas. Mas admiro muito mais Zelda Fitzgerald, Zelda Sayre, penso que ela gostaria mais que fosse assim chamada, por seu próprio nome e não o do marido. Frida viveu para satisfazer os desejos daquele homem que tanto amava, a quem ela se sujeitava. Deve ter falado inúmeros "assim seja" para tê-lo consigo. Zelda não quis se submeter, não aceitou, se rebelou, gritou, inclusive quase enlouqueceu. Zelda preferiu viver em um sanatório, se tratar, se curar, a se tornar sombra de um homem que fazia plágio dela. Internou-se, abandonou-o, morreu queimada no incêndio do hospício onde se tratava por vontade própria, mas foi ela própria o tempo todo; uma mulher livre que nunca se vendeu, nem para o amor.

Suzana Guimarães